A LUA DE MEL DE UM GAFANHOTO

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A LUA DE MEL DE UM GAFANHOTO
*
(Em dois sonetos decassilábicos)
*


I


*
Era uma vez um jovem gafanhoto,


Órfão de pai e mãe, um sem abrigo


Que passeava o seu fatinho roto


Pelas matas, em busca de um amigo
*



E que avistou, num arbusto remoto,


Um vulto apetitoso como um figo


Que o fez sentir o impulso ainda ignoto


De um "algo" que era imensamente antigo...
*



Em três ou quatro saltos, alcançou


O vulto grácil que o enfeitiçou


E pôde ver de perto a... gafanhota
*



Que, ao vê-lo, não ligou, nem se mexeu,


Enquanto ao pobre o coração bateu


Bem mais que por figuinho capa rota!
*


II
*


Por fim dignou-se olhá-lo, a desejada,


E o gafanhoto tímido avançou,


Estridulando em redor da sua amada,


Até que a "dita cuja" o aceitou
*



E estando a cerimónia concertada,


Logo a Lua de Mel se celebrou...


Mais não direi, que não fui convidada


E intrometida, juro que o não sou!
*



Sei, no entanto, que foram felizes,


Que tiveram centenas de petizes


E que talvez um dia os volte a ver
*



A saltitar nas folhas e raízes


De herbáceas que recordo nos matizes


Que cada a planta exibe ao florescer.
*


 


Mª João Brito de Sousa


10.09.2022 - 16.20h
***


 


Sonetos inspirados numa ideia da Teresa, no Ematejoca Azul 

Comentários

  1. Parabéns. Parabéns...Parabéns.
    "Candeia que vai à frente alumia duas vezes."
    Aqui fica contada em verso, a mais bela história jamais contada (ou a contar), do gafanhoto sortudo - porque encontrou o amor - e da sua fantástica Lua de Mel.
    Grande abraço!!

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    1. Obrigada, Maria Papoila! :)

      Eu podia lá resistir a um tema tão promissor quanto este?

      Não fui, no entanto, a primeira a meter a foice em seara alheia. O Ryk@rdo também "pecou"...

      Outro grande abraço!

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  2. Lindíssimo de ler.
    .
    Abraço … feliz domingo
    .

    .

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  3. Teresa Palmira Hoffbauer11 de setembro de 2022 às 14:40

    A menina que detesta livros 📚 vai gostar da tradução alemã deste belíssimo POEMA.
    Não sabe a alegria que me deu na escrita deste encantador poema.
    O meu nome é irrelevante. Importante para mim é que os meus amigos tenham aceite o desafio. Estou-lhe muitíssimo grata, Maria João.

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    1. Fico muito contente por saber que lhe dei alguma alegria e que a menina que detesta livros vai poder ler estes dois sonetos, Teresa :)

      Também eu lhe estou muitíssimo grata por ter conseguido, com este título tão atractivo, quebrar o meu longo jejum de sonetos. Creio que não escrevia nenhum há umas boas três semanas..

      Um forte abraço!

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  4. Que giros achei estes poemas. Uma nuvem de gafanhotos se aproxima decerto, dado o ímpeto amoroso do gafanhoto.
    Um abraço.
    L

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    1. Obrigada, L.!

      Esta é a história de um jovem gafanhoto perdidamente apaixonado. Aposto que ele e a jovem esposa tiveram uma abundante prole

      Forte abraço!

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  5. Grande imaginação. Adorei os dois poemas.
    Abraço, saúde e boa semana

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    1. Muito obrigada, minha amiga! :)

      Esta historinha em dois sonetos muito singelos, foi escrita a pensar nas crianças,
      mas até eu me diverti enquanto a escrevia :)

      Abraço, saúde e uma excelente semana também para si, Elvira

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  6. E assim se começa
    até uma boa Semana
    de bom dia com alegria e sorriso à maneira MJ Beijinhos

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    1. Olá, !

      Acredita que sorri muito, enquanto ia escrevendo estes dois sonetos sobre a lua de mel de um gafanhoto :)

      Boa semana e beijinhos!

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  7. Que delícia de conto! Gostei das palavras caprichosas que escolheu para o contar.
    Em diálogo com o Rogério?
    Ao ler o comentário que me deixou senti que a vida já a magoou de forma indelével. Sinto consigo, minha Amiga Maria João. Aceite um abraço meu.
    Tudo de bom para si.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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    1. Não foi bem em diálogo com o Rogério, Graça, embora tenha sido a ele que foi proposto um conto cujo título seria A LUA DE MEL DE UM GAFANHOTO. Eu estava no blog dele quando a proposta foi feita e não resisti a "sonetar" sob um título tão, mas tão divertido...

      Ele escreverá o seu conto em prosa, muito mais pormenorizado no enredo e cheio de personagens. Eu escrevi-o em poucos minutos, sem grandes preocupações de enredo e apenas com dois personagens, em dois sonetos muito singelos que penso que poderão perfeitamente ser lidos e compreendidos por crianças.

      Quanto às punhaladas que a vida já me deu, não há nelas ficção nenhuma, aconteceram mesmo. Fico muito grata pela sua solidariedade.

      Tudo de bom para si e outro beijo, Graça!

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  8. Palavras para quê?!!!
    Imaginemos uma imensa prole gafanhotesca que fará flo-Rir quaiquer leitores sempre em festa!!!
    Beijinhos saltitões e gafanhotescos

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