TENHO SONO

postal do avô 2 (1).jpg


TENHO SONO
*



Gostava tanto de ter


Um pouco, um nada que fosse,


Do teu imenso saber,


Dessa ironia agridoce...
*



Fico sentada a tecer


Uns fios que o vento me trouxe


Com nós que irei desfazer


Mal um poema se esboce
*



E enquanto lembro o que lembro


Vai-se passando um Setembro


Que traz consigo outro Outono...
*



Ó fios que enrolo nos dedos,


Cuidai vós dos meus enredos


Que eu vou dormir. Tenho sono.
*


 


Mª João Brito de Sousa


17.09.2022 - 23.00h
*



Ao meu avô poeta, António de Sousa.
***


 


 

Comentários

  1. Querida amiga Maria João, bom Domingo de paz!
    Estamos em sintonia com o tema do poema, fiz algo sobre meu sono no Escritos da Alma.
    Os avós são lembranças que nos incentivam e fazem memórias em nós.
    Que tenhamos bons enredos em vida para contar aos nossos netinhos!
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos

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    1. Muito obrigada pelas suas palavras e pela sintonia, Rosélia!

      Espero bem que o meu avô possa ter ficado na memória de muita gente, já que foi um dos grandes poetas portugueses do século XX. Na minha, está e estará sempre presente.

      Vou deixar-lhe aqui um link para que possa ler alguns dos seus poemas https://antoniodesousa.blogs.sapo.pt/

      Beijinhos!

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    2. Muito obrigada, amiga. Vou ver hoje com calma e carinho.
      Que orgulho bom para você! Parabéns a ambos!
      Ele, em memória.
      Beijinhos

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    3. Obrigada, Rosélia :)

      Ele foi uma segunda figura paterna, para mim. Tem e terá sempre um lugar de honra na grande urbe que a minha memória ergueu aos que partiram e aos que estão distantes.

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  2. Brilhante. Fascinante de ler
    .
    Domingo feliz
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos (http://pensamentosedevaneiosdoaguialivre.blogspot.pt/)
    .

    ResponderEliminar
  3. Maravilhoso e terno poema, muito a fazer jus ao talento do seu avô. Afinal, o saber e a inspiração já vêem de longe.
    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. Vêm desde que me lembro de ser eu, L.
      Ainda por cá tenho um ou dois dos papéis nos quais o meu avô ia escrevendo e datando as quadras populares que eu ia criando. Em algumas ainda nem três anos tinha...

      Mas nascia-me a expressão poética a par com a expressão plástica, que só abandonei enquanto estive casada, por falta de tempo e, depois de divorciada, desde 2007, pelos motivos de saúde que já conhece.

      Obrigada e um forte abraço!

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  4. Que bonita homenagem ao seu avô poeta. Eu bem gostaria de ter tido um avô e se fosse poeta, então era uma maravilha. A vida é o que é. Gostei muito do poema e da imagem deliciosa.
    Uma boa semana com muita saúde.
    Um beijo.

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    1. Obrigada pela sua visita, Graça :)

      Se quiser conhecer um pouco mais de António de Sousa pode espreitar aqui - https://antoniodesousa.blogs.sapo.pt/
      O delicioso postalzinho era dele, quando menino :)

      Um beijo

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