O DISCURSO - Reedição

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O DISCURSO - Reedição
*


 


Impõe-se-me um discurso, urgentemente!


Aquilo que eu disser será escutado


E há que ter, como tal, muito cuidado,


Não se torne a palavra independente
*


 


Que o discurso é, por vezes, inclemente:


Nós damos-lhe a função de ser recado


E, o tonto,  faz-se ambíguo e torna errado


O que, sendo pensado, era inocente
*


 


Porque, ao dizer, desdiz o que foi dito,


Ganha vontade própria, é traiçoeiro


E, às vezes, transmutado em ditador,
*


 


Consegue desmentir quanto foi escrito,


Ilude o alheio ouvido a tempo inteiro


E destrói a carreira ao orador!
*


 


Mª João Brito de Sousa


20.05.2008
***
.


Na fotografia - que obviamente nada tem a ver com a irónica mensagem deste soneto - eu e o Fernando Augusto Cunha de Sá que comigo foi co-autor da obra RECLUSÃO de Laurinda Rodrigues.


 


 

Comentários

  1. As palavras ditas autonomizam-se e assim, por vezes, os discursos ganham sentidos diversos do que o orador pretendia. Saúde e Paz.
    Francisco Carita Mata

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  2. As palavras urdem idiomas e caminhos. Organizam protestos, tecem raivas... E são animais bravios. Fogem-nos. Dizem e desdizem o que dizemos... Concordo.
    Gostei de a ver na fotografia.
    Desejo que a sua saúde esteja melhor.
    Uma boa semana com muita saúde.
    Um beijo.

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    Respostas
    1. Assim é, Graça. Quando reunidas, são bichinhos difíceis de domar, as palavras

      Na fotografia, talvez por efeito da luz, pareço loura. No entanto, antes de os anos me cobrirem os cabelos de neve, tinha-os negros, negros, negros...

      Quanto à saúde, as dores da cirurgia amansaram e as hemorragias pararam há mais de 24 horas. Amanhã ou depois, tenciono experimentar comer qualquer coisa que não seja gelada e líquida ou pastosa.

      Retribuo os seus votos de uma boa semana com muita saúde.

      Um beijo

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  3. Brancas nuvens negras10 de outubro de 2022 às 13:47

    Um discurso é um lugar de risco, quando o revemos, muito mais tarde, a vontade é alterar muito do que se disse.
    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. Nunca o experimentei "na pele", mas sei que assim é, L.

      Este soneto foi escrito há muitos anos, mas apostaria que, quando o escrevi, me estava a apetecer brincar com alguém cujo discurso não obtivera os esperados resultados.

      Obrigada e outro forte abraço

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  4. Boa tarde de paz, querida amiga Maria João!
    "Aquilo que eu disser será escutado"...
    Pouco se escuta do que se ouve...
    Gostei muito do verso no conjunto perfeito do seu poema.
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos com carinho fraterno

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    Respostas
    1. Boa tarde, Rosélia! :)

      Neste soneto, não me refiro a um discurso real que eu vá fazer ou que tenha já feito, refiro-me sim, à dificuldade de fazer um qualquer discurso que não possa ser mal interpretado.

      Claro que poucos nos escutam e ainda menos nos lêem, mas isso são outros quinhentos. :)

      Retribuo os seus votos de uma abençoada semana.

      Um grande beijinho

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  5. Irónico e mordaz como convém ao soneto crítico...
    Beijo

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  6. Mas a menina tá muito bem na foto
    e as palavras as palavras
    pra alguns entram numa e saiem na outra orelha
    noutros, a morbidez é estigma de uma telha
    ao cair-lhes na cuca da perruca

    Belo dia com alegria MJ, beijinhos

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    Respostas
    1. A "menina" parece loura mas, na realidade, tem os cabelos da cor da neve, , meu... Suponho que seja efeito da luz

      Adorei esse "cuca da perruca", rsrsrs

      Obrigada e beijinhos!

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