EU, POETA E PORTUGUÊS - Reedição

Pavia, in Livro de Bordo (1).jpg


EU, POETA E PORTUGUÊS
*



Eu trago o nobre toque das areias


Do meu pequeno-imenso Portugal


E vivo em transparências de cristal


Sobre uma estranha fome de alcateias
*


 


Eu, esboço de tritões e de sereias


Num traço decidido, horizontal,


Renasço, para o bem e para o mal,


Da cópula carnal de mil ideias...
*


 


Aqui cresci! Castelo em construção


De um sonho e da raiz de uma ilusão


Na qual naufraga um mar todos os dias,
*


 


Descrevo-me em longínquas caravelas,


No Sol, na Lua e nos milhões de estrelas


Em que a dor espanto, à força de ironias.
*


 


Maria João Brito de Sousa


Junho, 2008



In Poeta Porque Deus Quer


Autores Editora, 2009


***


Vinheta de Manuel Ribeiro de Pavia


In LIVRO DE BORDO, António de Sousa


 

Comentários

  1. Um poema com o clima português. Com versos admiráveis.
    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. Muito obrigada, L.!

      Como a Musa anda menos entusiasmada desde que eu voltei a tomar a Gabapentina, vou aproveitando para recuperar alguns dos meus sonetos mais antigos.

      Forte abraço!

      Eliminar
  2. De excelência
    esta homenagem ao nosso querido
    Portugal sem igual
    mas tão mal conduzido e ferido

    Bela tarde com alegria MJ, beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, !

      Muito mal conduzidinho, sim senhor e a fazer "pendant" com o resto da Europa que está quase toda com o leme avariado e com o porão a meter água...

      Por aqui já vai escurecendo, mas é a esta hora que as minhas amigas de café costumam ir comer a sua torradinha. Não sei se vá, ou se fique por aqui a desencantar sonetos velhinhos no fundo do meu baú...

      Bom restinho de quinta-feira e beijinhos!

      Eliminar

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