MEMORANDO O GRANDE POETA E SONETISTA JOSÉ MANUEL CABRITA NEVES

MEMORANDO O GRANDE POETA E SONETISTA
JOSÉ MANUEL CABRITA NEVES


*


 


EU FUI O SONHO
*



Eu fui a ave desbravando o espaço,


Eu fui o grito ecoando ao vento,


Eu fui o mar sereno e o violento,


Eu fui o beijo, o afago e o abraço!
*



Eu fui a eternidade e o momento,


Eu fui a caminhada passo a passo,


Eu fui a resistência e o cansaço,


Eu fui o desalento e o alento…
*


Eu fui a meta e ponto de partida,


Eu fui a paz e a raiva enfurecida,


Eu fui o horizonte da verdade!
*



Eu fui o amanhã da ilusão,


Eu fui o sonho desta geração,


Eu fui Democracia e Liberdade!...
*



José Manuel Cabrita Neves


(1943-2022)
***


cravo vermelho (1).jpg


 


E EU FUI...
*


Eu fui a noite, quando o sol raiava,


Eu fui a cama de um quarto de lua,


Eu fui a pedra solta de uma rua,


Eu fui , em simultâneo, altiva e escrava...
*


Eu fui esta torrente que me estua,


Eu fui este estuário em que me olhava,


Eu fui, do sol, a nuvem que o tapava,


Eu fui a que se veste e fica nua...
*


Eu fui ninguém, quando era toda a gente,


Eu fui, de alguma forma, omnipresente,


Eu fui todos os versos que engendrei,
*


Eu fui opaca, enquanto transparente,


Eu fui pedra, fui fogo e água corrente...


Eu fui exactamente o que sonhei!
*



Mª João Brito de Sousa


11.11.2016 - 16.27h
***

Comentários

  1. Excelentíssimos, ambos. Felicitações também pela Homenagem prestada. Conhecia de nome, Cabrita Neves, mas penso que não conhecia pessoalmente. Muita Saúde.

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    1. Muito obrigada, Francisco!

      Tive o privilégio de conhecer pessoalmente este extraordinário sonetista, quando ele me visitou no hospital de Santa Cruz, logo após ter tido alta dos cuidados intensivos na UNICOR.

      Muita saúde e um fraterno abraço

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  2. Paz ao José de assim ser
    e viva a MJ na sua liberdade de viver
    valh-nos isso

    Bela tarde, que o vento uiva
    mas uns raios de Sol intrmetem-se entre as nuvens, beijinhos

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    1. Este José foi vítima de prolongada e dolorosa doença oncológica, mas escreveu sonetos até ao fim, meu!

      Agora está em paz e eu espero do fundo do meu remendado coração que a Autarquia se lembre de honrar a sua memória. Refiro-me a Oeiras porque ele também vivia no Concelho de Oeiras, em Carnaxide.

      Obrigada e que tenhas uma muito feliz tarde.

      Beijinhos!

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  3. Admiráveis os poemas de hoje, ambos maravilhosos no seu jogo de palavras. Encantador.
    Um abraço.
    L

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    1. Muito obrigada, L. Terei de lhe agradecer por mim e pelo poeta José Manuel Cabrita Neves que, infelizmente, já se não encontra entre nós.

      Forte abraço!

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