NAS ARTÉRIAS E V(E)IAS DA CIDADE - Reedição

Nas artérias e ruas da cidade.jpg


NAS ARTÉRIAS E V(E)IAS DA CIDADE


Reedição
*


 


O sangue inunda as veias da cidade


Vindo da fonte humana que o contém


E só por uns instantes se detém


Para beber um copo na Trindade,
*


 


Para dizer bom dia a quem lá vem,


Pra dar-se num abraço de saudade,


Pra comer uns natinhas em Belém


Ou na Avenida que é da Liberdade...
*


 


Corre esse sangue em estranho descompasso


Do Marquês ao Terreiro que, do Paço,


Passou a ser do povo que é sa(n)grado,
*


 


E nessa infinda, imensa hemorragia


Esvai-se a cidade inteira, dia a dia,


Ao som das mansas notas do seu fado.
*


 


Maria João Brito de Sousa



22.06.2018 -15.48h
***


 


 

Comentários

  1. Boa noite de domingo, querida amiga Maria João!
    Pensar que passei por aí e apreciei as confeitarias de dar água na boca.
    O importante é a possibilidade que tive em estar no solo da pátria que amei mais ao conhecer.
    Excelente poema!
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos

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    1. Bom dia, querida Rosélia!
      Os "natinhas" de Belém são mesmo inesquecíveis, amiga. Há mais de vinte anos que não como um, mas é impossível esquecer-lhes o sabor. Nos dias de hoje, porém, não é nada fácil adquirir natinhas na confeitaria. Passo muitas vezes por lá quando regresso do hospital de Egas Moniz e vejo uma gigantesca fila de pessoas à porta, à espera de um lugarzinho numa das mesas.
      Que tenha uma muito feliz semana, amiga!

      Beijinhos!

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    2. Estávamos na pastelaria nos jardins de Belém e tivemos que comprar para comê-los em casa pelo tamanho da fila...
      Aqui se encontra, mas não é igual aos daí.
      Tenha uma nova semana abençoada de paz, querida amiga!
      😘🕊️💙💐

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    3. Creio que em parte nenhuma os natinhas são iguais aos de Belém, Rosélia Em tempos idos, experimentei-os nas melhores confeitarias de Lisboa e não só. Alguns eram bastante bons, mas não tinham a mesma textura nem o mesmo sabor... O segredo dos natinhas de Belém está muito bem guardado há várias gerações.

      Uma abençoada semana também para si

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  2. Um poema a que fui sensível dado que nasci e cresci em Lisboa, sobretudo registei a Trindade onde já consumi dezenas dos seus famosos bifes.
    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. Obrigada, L.! Também eu nasci em Lisboa, na Avª da República, na maternidade Pro Matre, que era de um dos amigos do meu avô e do meu pai. Mas ambos estavam enfeitiçados pela beleza da "Linha" e foram registar-me em Algés. O meu antigo BI rezava assim: natural de Carnaxide, Oeiras.

      Forte abraço!

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  3. E que bonito Fado
    nestas letras declaradas à Capital

    Belo dia com alegria MJ, beijinhos

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    Respostas
    1. Obrigada, !

      Acredites, ou não, há quase vinte anos que não vou a Lisboa... aproximo-me muito dela quando vou ao hospital, mas já mal me lembro da Baixa de Lisboa que era onde o meu pai trabalhava e o meu avô tinha o seu escritório de advogado. Também eu trabalhei na Agência Abreu, na Avª da Liberdade, mas já lá vão muitos anos... E já passaram uns largos anos desde a última vez que desci essa avenida numa manifestação da CGTP.

      Boa semana para ti, !

      Beijinhos!

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