SONETO PROLETÁRIO

Peasant woman - V. V. Gogh (1).jpg


SONETO PROLETÁRIO
*



Nas redacções do meu imaginário,


Agora menos fértil, mais cansado,


Se (a)colho um verso humilde e proletário,


Fico segura de não ter errado
*



E sigo em frente. O texto, solidário,


Flui no papel como regueiro em prado


E a Musa empunha o sacho do cenário


Que enquanto escrevo vai sendo lavrado
*



Mas se perto do fim as mãos me doem,


Se os olhos se me cerram de cansaço


A quatro versos - ai! - do fim do texto,
*



São os sachos que lavram e compõem


Estes últimos versos, traço a traço,


Pra que o regueiro venha aguá-los, lesto.
*



Mª João Brito de Sousa


30.11.2022 - 10.50h
***


 


Imagem - "Peasant Woman", Vincent Van Gogh

Comentários

  1. A planta pegou mas... precisa de ser regada.
    Um abraço
    L

    ResponderEliminar
  2. Pois
    que os sachos ainda se utilizam
    mas na mudança
    tendem a desaparecer
    e que sim
    regar as plantinhas ningém pode esquecer
    Bela noite aconchegada MJ, beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não me parece que desapareçam, , mas é bem possível que os venhamos a ver nas mãos de algum robot com licença para... sachar

      Estou congelada. Dentro da minha sala estão 13º, mesmo com o radiador ligado.

      Noite aconchegada para ti também

      Beijinhos

      Eliminar

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