SOMBRA

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SOMBRA
*



Esperou por si à hora do costume


Como quem espera o dia de nascer


Desnudada por dentro e sem ter lume


A que chegar-se para se aquecer
*



Não sentindo sequer o seu perfume


Soube do tanto que estava a perder


E sem protestos, sem um só queixume,


Percebeu que deixara de em si crer
*



Esperava um verso que a devolveria


Aos braços de uma musa naufragada


No convés de uma barca inexistente
*



Mas tão só se encontrou no que seria


A sombra do que foi quando inspirada


Escrevia louca, apaixonadamente...
*



Mª João Brito de Sousa


31.01.2023 - 20.00h
***

Comentários

  1. Gostei muito do poema de hoje, poesia de alta qualidade.
    Mas importante, importante, é o seu regresso. Dá-se pela falta do outro mas não se sabe o que fazer... fica-se à espera.
    Talvez tudo tenha melhorado.
    Um abraço.

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    1. Agradeço-lhe do fundo do coração, L.
      Começo a duvidar da minha lucidez... ou da minha auto-estima. Tenho este soneto nos ficheiros desde o dia 31 de Janeiro e estava decidida a não o editar porque o achei quase medíocre embora o tivesse revisado vezes sem conta...

      Só o publiquei por não ter mais nenhum. É como se além da ausência da Musa eu mesma me tivesse ausentado de mim, e o que de mim sobrou nunca antes tivesse escrito sonetos com a naturalidade de quem respira e a urgência de quem não pode deixar de o fazer.

      Escrevo a custo, letra após letra, como se tivesse recuado até aos meus quatro ou cinco anos. Até a prosa fácil e descuidada dos comentários me sai com alguma dificuldade...

      Forte abraço

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    2. Todos temos momentos em que não acreditamos no que fazemos mas, mal ou bem temos de continuar, não temos nada a provar.
      As melhoras, um abraço.

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    3. Eu tenho muita coisa a provar, nesta minha luta pela sobrevivência da mais bela das fórmulas poético-literárias concebida pelo ser humano, L. Tenho de provar que o soneto está muito longe de ser um formato ultrapassado e que mantendo-se intacto na forma e na musicalidade pode evoluir no conteúdo e conseguir ombrear orgulhosamente com poemas de todas as correntes literárias já criadas ou ainda por criar. Também tenho de demonstrar que quem diz métrica diz musicalidade e que preciso de ser uma dos vários sonetistas capazes de garantir a sobrevivência da poesia metrificada ao longo do século XXI.

      Se em tempos estava consciente de ter talento e garra para arcar com toda essa enorme responsabilidade, agora já não estou tão segura disso...

      Mas eu não passo de um humilde cometazito e nem mesmo o Sol é eterno.

      Forte abraço!

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  2. Boa noite de sábado, querida amiga Maria João!
    Vi logo que percebi seu novo post/poema.
    Por sinal, por aqui no Brasil, a blogosfera anda muito desanimada e sem "musa" inspiradora... por aqui, se justifica pelo o verão intenso e o calorão.

    Sua poesia muito bem inspirada por sinal.
    É normal o ser poeta se isolar um pouco para voltar a pleno vapor, como foi agora no que li.
    Tenha um final de semana abençoado!
    Beijinhos

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    1. Obrigada, querida Rosélia.

      Não foi por vontade própria ou capricho que me ausentei, amiga. Não tenho estado nada bem e embora possa prometer tentar cá voltar amanhã, não posso prometer que o consiga...

      Estou muito lenta, até esta prosazinha rápida dos comentários me obrigada a um enorme esforço...
      Retribuo os votos de um abençoado fim-de-semana.

      Um beijinho!

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    2. Como a compreendo, querida.
      Temos que ir além dos nossos limites por amor aos amigos que por aqui conquistamos.
      Melhoras e venha quando puder, nós a esperamos com carinho fraterno.
      Beijinhos de gratidão e estima

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    3. Desculpe-me, Rosélia, só agora vi estas suas palavras...

      Ah, mas hoje já visitei o Entre Nós e não posso esquecer-me de lhe dar os parabéns pelo vosso primeiro aniversário!

      Muitos beijinhos de estima e gratidão!

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  3. Se este Poema é Sombra... Ficamos assombrados! Feliz regresso, já estava para comentar em postal anterior, a saber do seu paradeiro. Saúde e Poesia, que ambas não lhe faltem nem falseiem!

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    Respostas
    1. Ah, Francisco, creio que os meus amigos estão a ser demasiado benevolentes comigo...

      Mas agradeço-lhe muitíssimo a gentileza das palavras.
      Não, não tenho estado nada bem e ainda estou longe do meu melhor, que já de si é muito mauzito em termos de saúde.

      Obrigada e um fraterno abraço!

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  4. Bela noite com alegria
    que um sono conseguido
    é bom amigo MJ beijinhos

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