A "SOIRÉE" - Reedição

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A "SOIRÉE"
*
Reedição
*



Não tenho tempo para não ter tempo


Que enquanto escrevo o tempo cristaliza


E o ponteiro das horas mal desliza


No eterno mostrador do pensamento
*



Desse não-tempo retiro o sustento


E dessa ausência estática, concisa,


Ressurge a velha Musa que imprecisa


Me visita em rajadas, como o vento
*



Outro cenário emerge. O novo palco,


Que afinal é o mesmo... ou já não é?,


Retoma a forma de algo que decalco
*



Do sargaço ao sabor de uma maré:


Talvez seja uma vaga o que recalco


Enquanto o mar encena esta "soirée"...
*


 


Maria João Brito de Sousa


09.10.2020 - 18.24h
***


 


Soneto inspirado numa crónica/poética de MEA (Maria da Encarnação Alexandre) - Reformulado

Comentários

  1. E que bela Noitada MJ

    Bela tarde com alegria, beijinhos

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  2. Teresa Palmira Hoffbauer1 de março de 2023 às 21:22

    A inspiração conduz à POESIA e a velha musa regressa ao seu lugar.
    Abraço noturno que sintoniza com o tema do belíssimo poema.

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    1. Este soneto é uma reedição, Teresa, que a velha Musa anda arredia... Mas, desta vez, não lhe atribuo culpas. Estou convicta de que são alguns dos novos medicamentos que me foram receitados que a vão mantendo à distância...

      Forte abraço!

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  3. O Tempo não nos dá tempo, para, com tempo, termos tempo, para termos ou não tempo! Mas que tempo!

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    1. Que tempos, Francisco, que tempos!

      Obrigada e um fraterno abraço!

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  4. Brancas nuvens negras2 de março de 2023 às 13:25

    Sempre belos os seus sonetos. A Musa, sempre a viver consigo, mesmo em momentos em que parece não estar presente.
    Um abraço.
    L

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    1. Obrigada, L., mas a verdade é que esta é uma reedição e ainda que Musa possa estar comigo, deve estar um bocado anestesiada por algum dos novos medicamentos que me foram prescritos e , agora, passam-se dias e dias em que não sinto aquele impulso inicial que dantes era diário e constante e do qual nascia quase sempre um bom soneto.

      Forte abraço!

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