(IN)EQUAÇÃO - Reedição

Eu, em casa.jpg


(IN)EQUAÇÃO - Reedição
*



Sou a soma de todos os momentos
Que passaram por mim sem me matar
Elevada à vontade de encontrar
Um perfeito equilíbrio entre argumentos
*

Recuso submeter-me aos fingimentos
Que são, no dia a dia, o mais vulgar
E faço a divisão do que restar
Pelas parcelas dos meus sentimentos
*

E círculo (im)perfeito, insubmissão,
Ou cisão da palavra aleatória
Em átomos que arranco ao que é comum
*

Serei sempre uma estranha (in)equação
Cuja resolução é provisória
Até que o verso e eu sejamos um.
*



Maria João Brito de Sousa


Abril 2010
***
(Poema reformulado)

Comentários

  1. Brancas nuvens negras3 de março de 2023 às 12:16

    Compreendo bem este poema, há momentos em que, por alguma razão, nos sentimos inadequados e isso, talvez, porque não agimos como é esperado e previsível.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Na verdade, L., para me sentir inadequada no mundo da literatura, bastou-me ter teimado em dedicar-me de corpo e alma ao soneto clássico já que a esmagadora maioria pensa - muito estupidamente, na minha opinião - que o soneto está mais do que ultrapassado e que a poesia metrificada limita a liberdade criativa quando na realidade a conquista...
      Estar enclausurada em casa também não me ajuda nada, mas que fazer se já tenho tão pouca autonomia e se me apaixonei perdidamente pelo soneto?

      Obrigada pelas suas palavras e outro forte abraço!

      Eliminar
  2. Matemática linear algebrada
    e bem adequada MJ

    Belo fim de Semana com alegria, beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, !

      Esta minha matemática está mais alquebrada do que algebrada , mas continua adequada à minha pessoa, lá isso continua...

      Que tenhas um alegre e reparador fim-de-semana, que para mim os dias vão sendo cada vez mais iguais uns aos outros, exceptuando aqueles dias demolidores em que tenho de me deslocar até ao hospital.

      Beijinhos

      Eliminar
  3. "Estranha (in)equação." Com solução? Sem solução?!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tem solução, sim, meu amigo Francisco :)

      Quanto mais não seja, tê-la-á quando a sua vida terminar, como todas as outras vidas. É uma solução de que não nos agrada nada falar, mas é a única que é certinha para todos nós...

      Vivamos, porém, enquanto estamos vivos, ainda que as soluções que vamos encontrando sejam provisórias

      Um fraterno abraço!

      Eliminar
  4. Hoje
    que tudo me corre de feição
    a tua Musa se segredou
    Ela e o seu verso
    São um só

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A minha Musa tem andado meia anestesiada, tal como eu, Rogério. Creio que por efeito (secundário) de alguns dos medicamentos que me foram recentemente prescritos.

      Eu bem li a bulazinha, mas não vi nenhum efeito secundário que reportasse "perda de Musa"... Só posso dizer-te que me é necessário "pular" para um certo estado de "serena tensão" quando escrevo poesia e que não tenho conseguido dar esse pulinho, nos últimos tempos, embora hoje, dia quatro de Março, a Musa me tenha feito uma curta visita. Mas está zangada por sentir-se um bocado apática e só me dita sonetos de desamor...

      Obrigada e um forte abraço!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas