CANTA-ME UM FADO
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O Parto da Viola - Amadeo de Souza-Cardoso
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CANTA-ME UM FADO
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I
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Canta-me um fado louco e rouco e tosco
Ao som de uma guitarra há muito gasta,
Num beco antigo e sob o brilho fosco
De uma gambiarra à porta de uma tasca
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Canta-me um fado enquanto em ti me enrosco
Pra me esquecer do pouco que me basta,
Um que venha depois viver connosco
E seja um genuíno fado rasca!
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Canta-me um só de quantos nunca ouvi
Que mostre o que ganhei, o que perdi
E me faça sorrir enquanto choro
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Um que dê voz aos meus sonhos traídos
E devasse os sentidos proíbidos
De quanto não vivi e que hoje ignoro
*
II
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Não peço que me seja dedicado,
Baste que chegue até ao meus ouvidos
Em tom boémio ou triste e tão magoado
Que os acordes me soem a gemidos...
*
Vá lá! Canta-me um fado sussurrado
Que seduza os meus versos mal medidos,
Que me desminta os sonhos tresloucados
E me traga de volta os já perdidos
*
Um fado nado numa velha rua
Que uma viola parisse à luz da lua,
Sem pressas nem cuidados nem parteira
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Nascido para amar ou pra morrer
Que me dedilhe a alma até doer
E até que dentro dele eu caiba inteira!
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Mª João Brito de Sousa
11.04.2023 - 23.40h
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Li e como na maioria das vezes fico sem palavras. Que fado esse, Maria João! Eu derramar-me-ia em pranto.
ResponderEliminarAbraço e saúde
Bem-haja, minha querida amiga!
EliminarMuita saúde, Paz e um grande abraço!
Que pena tenho eu
ResponderEliminarde não saber cantar o Fado
que as palavras relidas
engrandecem a alma, com agrado
Belo dia com alegria MJ, beijinhos
Obrigada, meu!
EliminarUm belo dia com alegria e, se possível, com notícias sobre o aumento de cinquenta euros no valor do Complemento Solidário para Idosos que nos foi anunciado em Janeiro e que seria suposto ter-nos chegado com as pensões referentes ao corrente mês dos cravos. É que eu tenho a impressão de que só se fala do outro apoio, o Apoio Extraordinário Para as Famílias Mais Vulneráveis que também seria suposto chegar este mês e agora parece que vai chegar em Maio, e que todos se esquecem do primeiro e mais significativo aumento...
Desculpa-me este lero-lero todo, mas creio que a minha Musa hoje acordou com uma dorzinha nas algibeiras e se lembrou de que a esmagadora maioria dos velhotes deste nosso lindo jardim à beira mar plantado sofre dessas mesmas dores crónicas nas ditas algibeiras.
É que nos receitam muitas coisas para as dores de coluna, desde o Paracetamol à Cortisona, mas esses medicamentos não nos aliviam as dores de algibeira...
Beijinhos ainda a tropeçar nos corn-flakes e na medicação da manhã
O Costinha sabichão
Eliminarsó fala de milhões
mas para dar o devido
nem uns tostões, nos dá Assim andamos nós
até na carteira mais sós. Belo dia MJ, beijinhos
Pois essa é que é a verdade, meu!
EliminarE para aqui estou, ainda com alguma esperança de que a equipa de enfermagem venha, embora muito mais tarde do que o habitual. Mas podem bem já ter vindo e a minha campainha não ter tocado, que eu ainda tenho ouvidos de tísica... credo, abrenúncio!, o que eu fui buscar! Oiço bem, pronto, mas tísica não estou de certeza . Estou é tesa, para não variar ;)
Bela tarde para ti que por aqui, assim, num repente, o Sol deixou de brilhar, levantou-se um enorme pé de vento e caiu um aguaceiro que me ia molhando a roupita que tinha estendida nas grades da janela da marquise sul
Beijinhos!
O ambiente do fado nos seus recantos mais profundos.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Obrigada pela leitura e pelas palavras, L. :)
EliminarUm forte abraço
Olá Maria João!
ResponderEliminarVim buscar o meu rebuçado, o meu gibi para ler ao final de um dia, ou início de noite, é a tua poesia, pois sei que assim vou ter um sono descansado, talvez sonhar com um belo fado como este teu.
Noite tranquila.
Abraço forte!🐦