GLOSANDO JOAQUIM PESSOA I I

poeta de combate - jcp.jpg


POETA DE COMBATE
*


 


Poeta de combate me chamaram.


De combate serei. Não mercenário!


Poeta de combate é um operário


das palavras que nunca se entregaram.
*


 


Poeta de combate! E porque não?


Sou poeta. Serei também soldado.


O meu canto será um canto armado


e o meu nome de guerra uma canção.
*



Poeta de combate me quiseram


os que cedo da luta desertaram


ou aqueles que nunca combateram.
*


 



Poeta de combate eu hei-de ser


até quando o meu povo precisar


ou nada mais houver a combater.
*


 


Joaquim Pessoa


1948-2023



In AMOR COMBATE, Moraes Editora
*


 



POETA
*



"Poeta de combate me chamaram"


E combatente fui. Não mais, nem menos,


Do que esses que partiram entre acenos


Para uma guerra de onde não voltaram
*


 



"Poeta de combate! E porque não?"


Que são meus dedos, se não são trincheiras?


Que são meus versos, se não são certeiras


Setas que aponto a cada coração?
*


 


"Poeta de combate me quiseram",


Poeta de combate me terão


Ao lado dos que há muito se perderam
*


 


"Poeta de combate eu hei-de ser"


Porquanto, enquanto viva, é com paixão


Que ergo o meu punho em vez de me render!
*


 


Maria João Brito de Sousa


15.09.2016 - 09.32h
***


 


Reedição In Memoriam

Comentários

  1. Brancas nuvens negras18 de abril de 2023 às 12:22

    Que são meus dedos, se não são trincheiras?
    Subscrevo este seu verso
    Que ergo o meu punho em vez de me render!
    Subscrevo este seu verso, sobretudo este, é comum que nos estejam sempre a fazer baixar o braço.
    Um abraço.
    L

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    1. Obrigada, L. :)

      Que nunca os nossos braços pendam rendidos!

      Forte abraço!

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  2. "Poeta de combate eu hei-de ser"
    Porquanto, enquanto viva, é com paixão
    Que ergo o meu punho em vez de me render!"
    Olá Maria João, se me permites, faço das tuas palavras as minhas palavras, pois com elas me identifico com todo o meu coração.
    Pudera eu ter a capacidade e genialidade de escrever bem e poderia fazer um poema e contribuir para uma coroa de sonetos!
    Assim, lembras-te a paixão de quebrar os silêncios.
    Por isso, escrevi um texto, para publicar no espaço da Cotovia e Companhia onde falo de silêncios e de gratidão e nesse sentido gostaria de saber se me.permites incluir nessa publicação o teu soneto que deixaste em sequência do que publiquei Los Angeles?
    Um fortíssimo abraço Maria João.🐦

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    1. Claro que sim, pequena Cotovia! E com muitíssimo prazer :)

      Um fortíssimo abraço para ti também!

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    2. Obrigada Maria João.
      E onde escrevi *Assim lembras-te a paixão de quebrar silêncios, deveria ter escrito "lembras-me a paixão de quebrar silêncios."
      Porque sei por experiência que o mal se pode esconder nos silêncios, e que os que partem não quereriam que deixássemos a vida passar ao lado. Na minha forma de ser, é uma homenagem diária que prestamos, continuar a lutar pela vida em nome dos que não podem fazê-lo, e por quem teríamos dado a nossa própria vida, mas na fatalidade de não o podermos fazer, só nos resta viver.
      Desculpa-me a emoção, mas têm sido dias de muitas despedidas.
      Abraço forte Maria João.🐦

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    3. Claro que te desculpo a emoção, Cotovia. Não só a desculpo como a partilho, que também para mim estes últimos anos têm sido de sucessivas despedidas.

      Abraço apertado, apertado

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    4. Obrigada Maria João,
      A vida é mesmo assim sabemos, mas por vezes custa mais manter o ânimo e vencer a saudade.
      Retribuo um grande abraço apertado. 🐦

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    5. Trago dentro do peito uma enorme cidade povoada por todos os que me foram morrendo. Não é um cemitério, é mesmo uma cidade, por que os recordo enquanto vivos... na qualidade de vivos e quase sempre felizes.

      Nenhum luto é tão doloroso quanto o da morte de um filho e esse quase me roubou a lucidez há trinta e muitos anos, mas até esse habita agora a minha bela cidade dos nunca esquecidos.

      ADEUS, MAMÃ!


      Transformo a minha dor em dor nenhuma

      Se recordo o menino que gerei

      E as coisas que jamais aceitarei

      Dissolvem-se no ar feitas em espuma...


      Num vão peculiar do meu sentir,

      Arrumada a miragem, com carinho,

      Lá fica o meu menino deitadinho

      Num berço de memórias, a dormir
      *


      Agora é o poema quem comigo

      Passeia de mãos dadas, desce à rua,

      Dorme na minha cama e, de manhã,



      Me vem chamar para brincar consigo...

      Mas, mal acorde a noite e nasça a lua,

      É quem me diz num beijo; - Adeus, mamã!
      *

      Maria João Brito de Sousa – 2007

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    6. Não tenho palavras para expressar os sentidos sentimentos Maria João.
      Lamento muitíssimo.
      És de facto um Ser excepcional.
      Um embate fortíssimo, o meu Abraço para ti é com lágrimas, lamento Maria João, muito.
      Abraço apertado apertado e sentido.

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  3. Boa tarde Maria João
    Um bonita homenagem a um grande Poeta que admiro muito.
    Que descanse em paz.
    Ontem quando soube fiquei muito triste.
    Boa semana para a minha amiga, com saúde em primeiro lugar.
    Beijo

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    1. Boa tarde, Piedade !

      Também eu admiro muito o poeta que é Joaquim Pessoa. O homem partiu, mas o poeta ficará connosco enquanto formos honrando a sua obra.

      Boa semana para si também, com muita saúde e paz!

      Um beijo

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  4. Partir é recordar
    Bela homenagem ao Joaquim. Bela tarde MJ
    beijinhos

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    1. Viva, !

      Tens razão, as mais das vezes, partir é mesmo recordar...

      Obrigada pelas tuas palavras!

      Beijinhos

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  5. Uma excelente escolha e aquela habilidade tão especial para dialogar com outros poemas...maravilha!

    Beijinho

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