PELO SEU PRÓPRIO PÉ - Reedição

cotovia voando.jpg


PELO SEU PRÓPRIO PÉ
*


 


Ouvi, há pouco, o canto insinuante


De um pedaço de verso, um verso alheio


Que ficou a rondar-me e, neste instante,


Ecoa cá por dentro qual gorjeio
*



De ave que em mim pousasse e que, hesitante,


Em seguida mostrasse algum receio...


Não resisti. Segui-lhe o rasto errante


Quando partiu cantando. Que outro meio
*



Teria eu de ouvi-lo novamente


Se é livre cada pássaro que a gente


Sente pousar em nós, quando acontece
*



Ler-se ou ouvir-se um verso irreverente


Que canta e soa tão divinamente


Que tudo o mais ofusca e empobrece?
*



Maria João Brito de Sousa


09.04.20-20 – 10.30h
***

Comentários

  1. Bom dia Maria João!
    Nem mais!
    "Ouvi, há pouco, o canto insinuante
    De um pedaço de verso, um verso alheio
    Que ficou a rondar-me e, neste instante,
    Ecoa cá por dentro qual gorjeio"

    Como na magnífica coroa de sonetos que aqui apresentaste, só possível pela rapidez e segurança no voo poético.
    Obrigada pelas tuas partilhas que são fonte de inesgotável inspiração, "Que canta e soa tão divinamente, Que tudo o mais ofusca e empobrece?"
    Domingo tranquilo e bom descanso.
    Abraço forte Maria João! 🐦

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    1. Este soneto não foi escrito hoje, é uma reedição, mas a fotografia do vôo da cotovia, essa fui buscá-la em homenagem à tua imensa vontade de aprender

      Hoje não vou escrever nada de jeito até ter a certeza de que o raio das cãibras me vão deixar fazer o almoço de ontem...

      Outro forte abraço!

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    2. obrigada pela parte que me toca, essa característica pode ser uma boa coisa, ou nem por isso, no ninho costumam chamar-lhe outra coisa: insistência, ou mesmo ser muito aborrecida.
      Que a imagem da Cotovia não seja levada à letra pelas tuas aborrecidas cãibras para te obrigar a saltar refeições, é que não estejam a competir comigo nesta coisa de serem aborrecidas
      Melhoras Maria João.
      Um forte abraço!🐦

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    3. Tu não me dóis nem és aborrecida, ponto! Já as mazelas,,, olha, tenho argumentos e provas de sobra para levantar uma queixa crime contra elas, mas elas não se deixam agarrar...

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    4. Verdade, este bandido que aqui puseste até parece meu gato-cão Sushi bandidão.

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    5. Não foi uma escolha feliz, também lhe encontro semelhanças com o meu Beethoven que partiu num Natal gelado, há uns nove ou dez anos...

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  2. Agora, todos os dias, ouço os rouxinóis. Falta-me a inspiração irreverente! Felicitações e votos de saúde.

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    1. Tenho saudades da caótica chilreada dos meus amigos pardais, Francisco. Por aqui nunca abundaram os rouxinóis, mas havia muitos melros que eram excelentes barítonos e, agora, só se vê um ou outro muito de quando em quando...

      Bom Domingo, saúde, Paz e um fraterno abraço!

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  3. Brancas nuvens negras16 de abril de 2023 às 17:07

    É legítimo e não é novo em qualquer das áreas da arte, bebemos uns nos outros.
    Um abraço.
    L

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    1. É bem verdade, L., sempre foi assim desde as primeiríssimas manifestações artísticas do ser humano.
      Um forte abraço!

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  4. Maria Elvira Carvalho16 de abril de 2023 às 21:38

    Ultimamente é raro ver pássaros por aqui, a não ser as gaivotas que gostam de se pôr no poste elétrico em frente da minha varanda. Fiquei triste por saber que sofre de cãibras. O meu marido era um mártir com elas, a médica de família receitou magnésio. Aquilo era caro e melhorou mas não passou. Um dia fui ao ALDI e vi lá umas saquetas de magnésio em pó para por na língua e deixar dissolver. Aquilo era barato e comprei umas três caixas. como ele só as tinha de noite, antes de ir para a cama punha uma saqueta na boca. Fez as três caixas e já há quase um ano que não sofre as ditas cujas.
    Abraço e as melhoras.

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    1. Bom dia, Elvira!

      Eu creio que nunca fui ao ALDI e agora é que não posso mesmo ir que estou a tentar manter o meu recorde dos poucos metros que me separam da esplanada do café da esquina, mas também tomo magnésio.

      Eu tenho-as nas pernas, à noite, e nas mãos durante o dia. Já escrevi sonetos só com um dedito todo espetado sobre as teclas, que os outros dedos ficam-me todos retorcidos, em posições tão caricatas que nem as pode imaginar.
      Mas as malvadas dão-nos umas semanas de folga, de quando em quando. Têm fases, como a Lua...

      Um grande abraço, minha amiga!

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  5. Mais um magnífico soneto que o cantar de um pássaro lhe sugeriu. Voe com ele, bem alto, até perder as sombras. O fascínio de ter asas!
    Tudo de bom para si, minha Amiga Maria João.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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    1. Bem-haja, Graça!

      Hoje o meu dia foi irremediavelmente marcado pela tristeza da partida de um dos nossos grandes poeta, o Joaquim Pessoa. Não terei asas para tanta pena, mas conto-me entre aqueles que tiveram de aprender a sobreviver a todo o tipo de mágoas e perdas. Se não partir também antes de o conseguir, em pouco tempo voltarei a ter asas.

      Boa semana e um beijo!

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