VIAGEM - Mafalda Carmona e Mª João Brito de Sousa
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VIAGEM
*
Dueto
*
Mafalda Carmona e Mª João Brito de Sousa
*
Tivera nascido h'je, era poeta.
Ess'outra, sem marcas do passado,
Seguiria por caminho atapetado,
Longe do fado d'escrita pateta.
*
Mas aturdida e d'sassossegada,
Não percebe o tónico som da viagem,
O seu fim é o destino da vã miragem,
E o seu descompasso 'ma grande piada.
*
Com esperança e força de vontade,
Segue em frente com desvelo e paixão,
Nos braços da partilha e d'amizade.
*
Olh'á poesia escrita nas estrelas,
Estuda rima e divisão à exaustão,
Sonha com perfeições, vive sem elas.
*
Mafalda Carmona (11/04/23)
***
"Sonha com perfeições, vive sem elas"
Tal como todos nós, os sonetistas
Que engendram maravilhas nunca vistas
A partir das coisitas mais singelas
*
E julgam navegar pelas estrelas
Como se fossem bandos de turistas
Rumando aos céus em barcas imprevistas
Que as musas vão clamando serem delas...
*
Há mar e mar, é certo, e no entanto,
Sempre que um verso quer fazer-se ao mar,
Nenhum será tão grande, ou será tanto
*
Que esse verso o não cruze ao naufragar:
Terá, por recompensa, algum encanto,
Pois não naufraga quem não saiba amar.
*
Mª João Brito de Sousa
13.04.2023 - 12.58h
***
Ó pa elas Bonitas
ResponderEliminarBom fim de Semana com alegria e sol bonito pra vocês.
Bom dia em harmonia, beijinhos
Obrigada pela parte que me cabe, !
EliminarQue tenhas, também, um dia muito feliz e cheiinho de
Beijinhos
Muito obrigada, foi uma bonita surpresa, a Maria João é excelente anfitriã e acolhe os esvoaçantes voos da Cotovia com imensa generosidade.
EliminarUm dia de alegria.
Um excelente fim-de-semana!
Apreciei o "saber fazer" da poesia das duas autoras. Diria eu que quem é poeta ou vive fora da realidade ou vive muito intensamente essa realidade, não consigo decidir qual das hipóteses ou se serão as duas a verdade do poeta.
ResponderEliminarUm abraço para o dueto de autoras.
L
Bom dia e bem-haja pela parte que me cabe, L. :)
EliminarA primeira autora, Mafalda Carmona, está a iniciar-se neste apaixonante ofício do soneto. E muito bem, para quem dá os seus primeiros passos. Aquele último verso do seu soneto é simplesmente fabuloso! Claro está que não resisti a glosá-lo :)
Tanto quanto senti, ela descreve as suas dificuldades - muito naturais num/a iniciado/a - brincando um pouco com elas e eu apenas digo que a viagem é bela, mas que todos nós, sonetistas, sonhamos com perfeições e vamos vivendo sem elas, tal qual ela afirmou na sua chave de ouro :)
Forte abraço!
Olá bom dia Brancas Nuvens Negras L.
EliminarObrigada pelo comentário e pelo abraço que retribuo, esclarecendo que esta Cotovia sabe muito pouco, tem a asa e o passo aos tropeços e até pequenas pedritas se afiguram gigantes.
Mas apreciando este caminho de aprendizagem, com a ajuda e paciente consideração da Maria João, como não poderia apreciar esta viagem?
Desejos de um bom fim-de-semana! 🐦
Muitos parabéns ás poetisas, pela excelente partilha.
ResponderEliminarBom fim-de-semana.
Muito grata pela parte que me cabe neste dueto, Cheia!
EliminarBom fim-de-semana e um abraço
Olá José!
EliminarMuito obrigada, fico feliz que tenha apreciado esta surpresa da Maria João.
Excelente fim-de-semana!
Beijinhos.
Bom Dia!
ResponderEliminarMaria João, obrigada pela magia
De encantamento e doçura sem igual,
Com que me recebes no teu mundo celestial,
Onde vives a sinestesia da sublime poesia!
Se eu fosse a Cotovia de voo inspirado
Rasgaria o céu com idêntica maestria,
E para ti, o meu presente felizmente seria,
Feito de assombro e imensa maravilha.
Sou pequena vivo na terra, sou ave de chão,
Sou apenas humilde humana neste torrão,
De onde com alegria te envio a minha gratidão.
Com forte abraço de amizade repleto,
Agradeço-te por podermos voar em dueto,
No sonho do teu perfeito soneto.
*Esta é segunda tentativa, continuando com o mote da alegria para este espantoso dia de que não me esquecerei até ao fim da minha vida, embora acredite que fico para semente, como o Matusalém ;)
Forte abraço, Maria João.🐦
Bom dia, linda Cotovia!
EliminarVejo que te aventuraste de novo a um soneto, o que é muito bom porque só com muita prática - anos, às vezes - se conseguem escrever sonetos com a segurança de um/a primeiro/a violinista de uma orquestra :) E acredita, mesmo os que, como eu, andam nisto há mais de década e meia, ainda vão sonhando com "a perfeição e vive(ndo) sem ela"...
Obrigada por me teres proporcionado este saboroso dueto e um forte, forte abraço!
Bom dia Maria João!
EliminarSim aventurei-me mesmo, fiz uma primeira versão, depois esta segunda, em nenhuma verifiquei a métrica ou a rima. Escrevi com o coração, não poderia, nem saberia, agradecer de outra forma.
E neste caso, é mesmo o sonho, partilhado, que comanda estes voos de aprendizagem.
Um dia bom para ti, fico muito feliz por este dueto e pela tua surpresa.
Forte, forte, fortíssimo abraço!
O reconhecimento e a alegria da partilha, são mútuos, Cotovia
EliminarEstou à espera, a qualquer momento, das senhoras que me vêm dar banho e da equipa de enfermagem... Só espero que não cheguem ao mesmo tempo, ou vai ser complicadito, rsrs
Desculpa, chegou mesmo a mocinha do banho!
Forte, forte abraço, pequena Cotovia
Gostei muito da imagem do violino, é uma mensagem para possa enriquecer a aprendizagem no sentido de visualizar que apenas com o treino poderei obter resultados...e também que o desafinar faz parte do processo. Não fico muito atrapalhada com os resultados dos exercícios, e estou preparada para as frustrações próprias da aprendizagem.
EliminarTenho a vantagem (que poderá ser uma desvantagem) de ser uma aprendiz lenta, senão bastar o exemplo que dei da nulidade como instrumentista na música, da olímpica demora em aprender a nadar na natação, também demorei um verão inteiro para aprender a andar de bicicleta, mas o que importa é que gosto de escutar música, sei nadar com bastante competência e até sei andar de bicicleta, não desistir de tentar descobrir o segredo do equilíbrio é a chave, e tudo ficará mais fácil na medida em que se vai praticando.
Como dizes só com muita prática é que se consegue alguma segurança na escrita do soneto, e cada um tem o seu ritmo, na aprendizagem, e também na poesia.
Cá seguiremos neste mar, mesmo se por enquanto esta Cotovia ficar pelas piscinas no areal que se formam na maré baixa, e onde o seu barquito de papel, sem grande perigo, pode sonhar que é uma valente nau das descobertas.
Abraço muito forte, Maria João.🐦
* onde encontrares a frase "mensagem para possa enriquecer" será "mensagem para que possa"
EliminarOutras gralhas é culpa da serpente que se esconde no teclado e no corrector automático
Minha culpa são por vezes as construções gramaticais e concordâncias verbais e de género em que falho
Desculpa-me, mas com o banho, a enfermagem e um súbito mal estar/cansaço mais intenso que o habitual, acabei por ter de fazer um pequeno repouso na cama.
EliminarA propósito dos teus receios, de vez em quando vou `visitar` os meus primeiros sonetos e se é certo que a maioria não desafina nadinha, alguns até me assustam, eheheheh...
E olha que eu tive a enorme vantagem de ter lido todos os sonetos do meu avô quando era ainda muito pequenina, além de alguns de Florbela, Antero e outros autores, portugueses e brasileiros.
Mas, repara, se tens carro é porque sabes guiar e eu não sei :) sou suficientemente conhecedora de mim mesma para nunca ter sequer tentado aprender: não tenho a menor dúvida de que se me pusesse a filosofar enquanto guiava, dificilmente me concentraria na condução e ao primeiro pardal ou pombo que se me cruzasse no caminho, sei que espetaria o raio da viatura contra a primeira parede, árvore ou poste que me aparecesse pela frente...
A propósito, sei que deixei por responder um comentário teu , lá na Cotovia. Tenho a caixa de correio tão cheia que já nem faço ideia onde ele possa estar, mas vou procurá-lo antes de ir lá abaixo, ao cafezinho.
Não te preocupes com a lentidão, aprende ao teu ritmo e, acima de tudo, segue o teu ouvido. Por pouco musical que ele seja, os compassos acabarão por te ajudar: afinal a fonologia também teve um importantíssimo papel no nascimento das línguas faladas e escritas... de todas elas. E aquele último verso do teu soneto Viagem é um verdadeiro hino à melodia, para além de ser interessantíssimo em termos literários.
Abraço muito forte que eu ainda estou meia ensonada... Nem sei se vou ao cafezinho, se vou mas é dormir mais uma horita ou duas
Ó Cotoviazinha, não te preocupes que ninguém escreve com cuidado nas caixinhas de comentários :)
EliminarAliás, "isto" emula tão bem as conversas a dois que quase todos tendemos a escrever exactamente como se o nosso/ interlocutor/a estivesse sentado mesmo à nossa frente, em amena cavaqueira connosco
Também eu salto artigos, atropelo tempos verbais e, nos dias em que tenho pressa ou estou já muito cansada, `engulo` letras, sílabas ou mesmo palavras inteiras ...
Se me perguntarem o que escolho entre um descanso e um café, se for possível, escolho o descanso
EliminarA tranquilidade e o descanso é uma boa coisa e que valorizo muito. Vinda de uma família sobretudo matriarcal, em que as gerações foram pródigas no género feminino, o sossego é um bem pelo qual às vezes tem de se lutar ferozmente sobretudo quando nos juntamos e falamos todas muito e ao mesmo tempo. E se sabe bem o convívio e a confusão, também sabe bem o sossego e o descanso.
Assim tenha sido o cafezinho ou o descanso, espero que a tua tarde tenha sido do teu agrado e que se siga uma noite tranquila.
Abraço forte, Maria João.🐦
Verdade, e ainda bem, como todos pasamos pelo mesmo acabamos por conseguir descodificar os comentários. Quando fico mais cansada tenho de corrigir a minha dislexia, onde os "v" são "f", os "ch" e os "j" irmãos gémeos e o 2 e o 5 uma e a mesma coisa, assim como o 6 e 9, ou então cadeira e caneta o mesmo desde que comece pela mesma letra, e nessas alturas é melhor ir espairecer e descansar até passar.
EliminarE só recentemente percebi que não se diz algarviada mas sim algaraviada?! Fiquei muito surpreendida.
Mas eu também gosto de me surpreender ;)
Mas surpresa como a tua não estava nada à espera!
Outro abraço muito forte, e noite tranquila, Maria João
É algaraviada, é, mas que isso não te espante porque só hoje descobri que andei a vida inteira a chamar endemoínhados aos ventos que, afinal, são endemoniados, rsrsrs...
EliminarComo estive no cafezinho até agora, nem imagino o estado da minha pobre caixa de correio. Deve estar uma confusão porque me caem lá todas as notificações do sapo, vários blogs culturais que subscrevi e tudo quanto seja publicação ou comentário do site da Ning. Horizontes da Poesia, no qual trabalho há uns onze ou doze anos e que creio já te ter dito que vai dar por encerrada toda a sua exuberante actividade literária no próximo mês de Julho.
Tenho imensa pena, mas compreendo: os administradores envelhecem como todos nós e manter um site que organizou almoços/convívio, antologias anuais, rubricas diversas sempre sobre diferentes formatos poéticos e fez múltiplas homenagens a poetas já falecidos e também aos vivos, entre os quais me conto, não é tarefa que se consiga levar com uma perna ás costas. Dá trabalho e exige um tremendo esforço físico e anímico.
Abraço muito forte e um bom soninho
Sim, o cafezinho também foi muito tranquilo, a esplanada estava quase vazia, eramos só quatro pessoas em duas mesas e todos muito tranquilos Como informei todos do que se está a passar com o atraso do Apoios às Famílias Mais Vulneráveis e o estranho caso do desaparecimento do aumento do valor de referência do Complemento Solidário Para Idosos, até eu estava tranquila. No dia em que botei a boca no trombone é que estava que nem uma panela de pressão. Mas não houve explosão porque consegui controlar o tom de voz e nenhum deles se encontrava em situação de precariedade. Limitei-me a ouvir uns "tem muita razão" ou "ora diga-me lá se eu também tenho direito a algum desses apoios"... Fiz uns cálculos, somei daqui, diminuí dacolá e informei que não senhor, nenhum dos presentes nesse dia passado estava a ser vitimado, com excepção da minha humilde pessoa, claro.
EliminarAbraço forte e um belo e repousante soninho
Pois foi uma boa ajuda a que prestaste, passei pelo blog Cheia e li que também lá deste a tua contribuição para ajudar. Também lá deixei o meu comentário em desacordo total com esta situação e como prejudica a saúde e rouba, além do óbvio apoio, tempo a quem tem de resolver um problema que nem deveria de ter sido criado, enfim. Fizeste bem em manter a tranquilidade, não é necessário mais arrelias.
EliminarPor falar em arrelias, hoje estive a estudar a arte de escandir um soneto, encontrei na net uns exemplos resolvidos de poemas de Camilo castelo Branco e Florbela Espanca, e não é que "acertei"?! Só falhei uma em Lu/a...;)
Espero neste fim-de-semana conseguir dedicar algum tempo ao estudo e prática, entre regar árvores e plantas batatas.
Ainda falando de poesia, sinto que quando escrevo o soneto o início é sempre mais difícil, os primeiros versos tenho de os corrigir muitíssimas vezes, e depois vai fluindo e no último verso, mais fácil e que parece mais adequado como o que deu origem ao dueto da "nossa' viagem poética.
Espero que com a prática vá sendo mais simples.
Abraço muito forte, uma noite descansada, Maria João. 🐦
Viva, Cotovia!
EliminarFizeste tu muito bem, mas deves ter sempre presente que, dependendo do contexto em que esteja inserida, a palavra lua tanto pode ter uma como duas sílabas métricas. Se estiver no final do verso, só tem uma, o LU que o A átono já não conta e o mesmo acontece se for seguida por uma palavra iniciada por vogal que seja absorvida por esse mesmo A átono. Exemplificando: Lu/a, an/gé/li/ca/ lu/a...
Hoje é dia de cozinhar, que não há apoio aos sábados, domingos e feriados, por isso vou andar um pouco mais saltitante entre a cozinha a sala/atelier/biblioteca onde tenho o portátil que só será portátil para quem tenha forças para o transportar :)
Forte abraço!
Olá Maria João!
EliminarFoi uma lua fujona ;) que se escondeu da minha divisão. Encontrei-a nos meus estudos e pesquisas para estudar a métrica, não num poema de Camilo ou Florbela, mas de Álvares de Azevedo, autor brasileiro que, fiquei a saber, faleceu com apenas 20 anos (10/1831-04/1882):
"Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens da amor ela dormia."
O esquema de rima ABBC. Daqui ando a pesquisar através da leitura, se os sonetos também podem ter pares de quartetos em AABB ou ABAB.
E se tem de ser todos com 10 sílabas ou (para além do Alexandrino de 6/6=12, de que já me falaste, o tal Tigre de fogo, ou mesmo Dragão de fogo;) podem os versos ter menos ou mais sílabas poéticas. Pelo que percebi para manter a coerência, terão de todos os 14 versos do soneto manter igual número de sílabas. E quando tem 5 ou 7 são as redondilhas menor e maior. Mas podem ter 2,3,4,8,9,11,13? Com uma sílaba suponho que seja praticamente impossível ;) construir um soneto...
Aqui pelo ninho o trabalho, comer, ver televisão, atelier, biblioteca, ler, estudar são todas atividades comuns a um espaço único, uma sala que remete bastante para o ambiente de café dos tempos de estudante, mas que tem várias vantagens, entre elas a poupança energética no inverno;)
Não sei se hoje será dia de ires tomar um café entre a preparação das refeições?
O meu portátil é também como o teu feito de chumbo e por isso faço tudo no telemóvel, embora tenha de lhe ter acrescentado espaço de memória externa e tenha de lhe mudar a película partida, mas assim como assim é-te leal e vai comigo para todo o lado
Abraço muito forte, Maria João! 🐦
Ai, pequena Cotovia, o meu telemóvel ainda é uma daquelas caixinhas pretas e pequenas que só recebem e fazem chamadas... Mas tenho um outro, gentilmente oferecido por um amigo que costuma estar no cafezinho comigo, que não posso utilizar pq tenho montanhas de convocatórias para consultas "embedded" no software desta caixinha do Paleolítico, não no cartão SIM...
EliminarO final do século XIX e o princípio do séc. XX roubaram-nos milhares de jovens, primeiro com a ainda hoje temida tuberculose e logo a seguir com a primeira Grande Guerra, para nem falar do horror que foi a chamada gripe espanhola que, quando o mundo começava a respirar de alívio aos primeiros alvores de paz, ceifou mais vidas do que as que já haviam sucumbido às balas, torpedos, granadas e o terrível gás mostarda...
Mas voltemos ao soneto que pode aparecer em versos de sete sílabas poéticas - sonetilho - nove sílabas , dez sílabas com tónicas - abertas, fortes - na sexta e na décima posição (heroicos) ou na quarta, oitava e décima posições (sáficos), onze sílabas com tónicas na quinta e décima primeira posições, dodecassilábicos não alexandrinos com doze sílabas poéticas e alexandrinos com as mesmas doze sílabas mas com crase obrigatória na sexta posição ou terminando o primeiro hemistíquio com palavra aguda o que cria uma cisão que o divide exactamente ao meio. Todos os que tiverem mais do que doze sílabas poéticas são designados por bárbaros e eu, sinceramente, não gosto mesmo nada deles. Que me perdoem os seus devotos, que até os bárbaros os devem ter.
Quanto a manter constante o número de sílabas poéticas de cada soneto, tens razão, é isso mesmo: soneto que comece com um verso de determinado número de sílabas poéticas deve manter esse mesmo número de sílabas até ao verso final.
Sonetos com com duas, três ou quatro sílabas são raros e incluem-se nas excentricidades dos sonetistas que, de quando em quando, gostam de brincar com sonoridades mais curtinhas :)
Agora e, para terminar, sempre te digo que nem cheguei a conseguir fazer o almoço - que seria também jantar - porque me deu uma soneira tão forte, tão inesperada e imperiosa
, que mal tive tempo de pôr a roupita na máquina de lavar. Deitei-me e dormi profundamente até o telefone tocar, perto das 18 horas. Vesti uma camisola e umas calças velhas e fui comer dois rissóis e um galão ao café da esquina. Amanhã cozinharei, que hoje continuo demasiado cansada para me aguentar de pé frente ao fogão.
Abraço muito forte e bom soninho!
Olá Maria João!Foi exatamente o que senti quando me debrucei sobre a possibilidade dos sonetos de 2, 3 ou 4 sílabas, que se prestariam a um exercício de excentricidade em nome de uma forma de brincar com as palavras.
EliminarNaquilo que nos bárbaros referes, acho que encontrei um exemplo num livrinho da FFMS que ando a ler, escrito pelo Mário Augusto, num dos poemas que apresenta dos portugueses que viajavam até ao Havai.
Quando acabar de ler espero conseguir escrever um texto e fazer jus à escrita do autor.
Mais uma vez és imensamente generosa na tua partilha de conhecimento, o meu bloco de notas aqui no telemóvel tem sido enriquecido com as aprendizagens que partilhas, muito obrigada.
Não quero cansar-te com mais perguntas, apenas desejar que seja um domingo tranquilo, que o dia está bonito e que possas apreciar o Sunday Abraço muito forte Maria João.🐦
Fosses tu todo o meu cansaço, Cotovia, e eu seria o descanso em pessoa :)
EliminarO que esta noite me obrigou a sair dos braços de Morfeu e a passar a noite inteira em claro, foi uma bruta crise de cãibras que só pelas nove da manhã cedeu ao magnésio... ou cedeu porque tinha de ceder, sei lá...
Só dormi de manhã . Toda a manhã, até tocar o alarme das 14.00h para a injecção de Teriparatida que diariamente tenho de injectar na barriga.
Um bom e ensolarado Domingo para ti
Forte abraço
Não imaginava uma noite tão atribulada e terrível Maria João.
EliminarQue seja então uma tarde de descanso, se puder ser de alguma utilidade para a tua tranquilidade, vou aqui deixar um link para um PDF de um Gibi
https://crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/publi/turma_da_monica/monica_agua_boa.pdf
Abraço forte, Maria João.🐦
Ai, pequena Cotovia,
EliminarEstas são velhas mazelas...
Já em criança eu sofria
Muita dor por causa delas
*
Qu`ria ler, não conseguia
Concentrar-me à luz das velas,
Que a dor não mo consentia...
Passei a viver com elas.
*
Outras, mais insidiosas,
Chegaram silenciosas
E em mim assentaram praça
*
Por isso me tornei forte,
Tão forte que até a morte
Se esconde se por mim passa .
Mª João
Ai, o almoço de ontem, que ainda nem está preparado!
Vou já ver o teu gibi, mas não vai ser agora que o vou conseguir ler. Obrigada e outro grande abraço!
obrigada por mais este presente Maria João, o Gibi fica para um momento de descanso.
EliminarOutro abraço 🐦
Já nos encontrámos hoje, lá no Fb, Cotovia!
EliminarVou ter de procurar o link do gibi porque tive de reiniciar o portátil e separador fechou-se. Mas já tinha lido algumas páginas que punham em causa a causa maior do Cascão :)
Bom dia quentinho, quentinho e um forte abraço
o Cascão é um maroto ;)
EliminarUm dos meus personagens prediletos, lembra como podemos sempre, pelo menos, tentar levar a nossa avante.
E nunca desistir, apenas mudar de abordagem se for necessário.
Forte abraço neste dia que está quente quente, as árvores não estavam preparadas para estas caloreiras, vamos ver se fica mais ameno ao longo da semana.🐦
Desculpa se o meu tom te soar mais triste, Cotovia, mas acabei de saber que deixou de pulsar o coração de mais um enorme poeta que também é um enorme sonetista.
EliminarJoaquim Pessoa partiu esta madrugada, mas
Nenhuma Morte Apagará os Beijos
Nenhuma morte apagará os beijos
e por dentro das casas onde nos amámos ou pelas ruas
[clandestinas da grande cidade livre
estarão para sempre vivos os sinais de um grande amor,
esses densos sinais do amor e da morte
com que se vive a vida.
Aí estarão de novo as nossas mãos.
E nenhuma dor será possível onde nos beijámos.
Eternamente apaixonados, meu amor. Eternamente livres.
Prolongaremos em todos os dedos os nossos gestos e,
profundamente, no peito dos amantes, a nossa alma líquida
[e atormentada
desvenderá em cada minuto o seu segredo
para que este amor se prolongue e noutras bocas
ardam violentos de paixão os nossos beijos
e os corpos se abracem mais e se confundam
mutuamente violando-se, violentando a noite
para que outro dia, afinal, seja possível.
Joaquim Pessoa, in 'Os Olhos de Isa'
Lamento muitíssimo, os meus pêsames, Maria João.
EliminarSão dias muito tristes.
A fatalidade que nos acompanha desde que nascemos, humana condição, só nos deixa quando se ganham essas asas que nos transportam para o que a seguir virá, que desconhecemos, depois desta que parece sempre uma breve passagem onde deixamos quem nos acompanhou em vida, ou talvez não, pois viveremos enquanto alguém se lembrar de nós.
Mas com a partida dos nossos mais queridos vai também um pouco de nós, mas parte deles fica para sempre connosco e no coração de todos os que os recordam, algumas vezes, por todos os minutos e dias da nossa vida.
"Na ausência se fazem mais presentes."
Muitas vezes, por eles, pelos que partiram temos de seguir em frente, por nós e por quem precisamos honrar, vivendo.
Forte, forte fortíssimo abraço, Maria João.
O teu gibi vai ficar para esta noite, que eu bem precisada estou de sorrir um bocadinho. Já o localizei, bem como meia resposta a um comentário teu que por alguma razão ficou por terminar... Talvez porque o meu telemóvel hoje esteve mais activo do que habitualmente e, entre uma coisa e outra, alguma delas falha, sobretudo quando se recebem notícias que nos deixam o coração apertadinho
EliminarForte abraço
Espero que o Gibi possa contribuir, nem que seja só um bocadinho, para amenizar este teu dia triste.
EliminarUm abraço forte, Maria João.🐦
Vai sim, pequena Cotovia :) Pode não me curar as cãibras, mas é um bombom delicioso para a alma. pelo qual te agradeço muitíssimo :)
EliminarE olha que nunca tenho pesadelos, apesar dos muitos traumas que fui sofrendo ao longo da vida
Uma serena e repousada noite para ti
Forte abraço
Igualmente para ti, Maria João, uma serena noite de repouso.
EliminarUm forte abraço.🐦
Já guardei o teu gibi na minha caixa de correio, porque tive medo de voltar a perder-lhe o rasto no meio de tantos comentários.
EliminarAi!, agora é que vi que já passa das 22.30 e ainda nem jantei! Vou agora aquecer a minha sopinha porque ainda tenho de tomar os seis comprimidos da noite e não posso engoli-los de estômago vazio.
Outro grande abraço!
Muito bom.
ResponderEliminarAi quem me dera escrever assim!
Olá José, obrigada pela tua atenção e consideração, na parte que me toca esse escrever é ainda a aprender, passo a passo, quando não é em total descompasso
EliminarMas na poesia da Maria João, sim, concordo: Ai quem me dera escrever assim!!!
Ainda ando a pensar no tema ou na palavra para te deixar, tenho estado a ler os outros 27 desafios para não me repetir obrigando-te ao mesmo tema.
Boa sexta-feira, bom fim-de-semana! 🐦
Obrigada pela parte que me coube neste dueto, José :)
EliminarO soneto é o stradivarius da grande orquestra da poesia :) Eu tive a sorte de me apaixonar por ele quando já ia a meio da minha quinta década de vida. Agora tenho pena que essa paixão não se tivesse manifestado uns anos mais cedo, mas não vale a pena chorar sobre leite derramado. Aconteceu assim e é assim que eu tenho de tirar dela o maior proveito, apesar das minhas crescentes limitações.
Abraço
Sem problema. Não há pressa.
EliminarPara se escrever um soneto é necessário uma técnica apurada porque aquilo tem de bater tudo certo.
EliminarAdoro sonetos!
Parabéns pelo seu.
Creio que já se escrevem poucos sonetos!
Bom Domingo!
Bom dia, José... ou boa tarde, que só a estas desoras aqui pude chegar :)
EliminarA técnica apurada faz falta, sem dúvida, mas há sonetistas que conseguem compor sonetos perfeitos só de ouvido, acredite. É o meu caso, pois apanhei-lhes a musicalidade e só a seguir, por uma questão de curiosidade, fui aprendendo as subtilezas técnicas. Só houve um tipo de soneto que me obrigou a conhecer a técnica antes de o conseguir ´domar`: o temível "tigre de fogo" que é o soneto alexandrino.
Em Portugal, não creio que haja mais de uma ou duas dúzias de bons sonetistas mas, no Brasil, há mais e também muito bons. Conheço, ainda, um bom sonetista angolano, mas suponho que haja mais alguns por essa mãe África afora...
Bom Domingo e um abraço!
Muitos parabéns a Cotovia e Mª João. Li os sonetos e os comentários. Gostei de acompanhar os vossos diálogos.
ResponderEliminarOlá Francisco!
EliminarMuito obrigada, pela parte que me cabe fico feliz que tenha gostado!
Tem toda a razão, que grande aventura esta!
Cuidar da poesia é uma complexidade, mas vou aguardar que com o tempo e convivência a poesia comece a falar comigo, como as "minhas" árvores fazem.
Enquanto espero, sou eu que vou falando com a poesia, e estando na vossa boa companhia, é uma viajem, ou aventura por terras "nunca antes percorridas", muito emocionante!
Saúde, boas fotografias, escritas e poesias!
Bom fim-de-semana Francisco!🐦
Bom dia, Francisco!
EliminarAgradeço pela parte que me cabe neste dueto... e nos diálogos. Nós duas falamos/escrevemos pelos cotovelos, lá isso é verdade :)
Paz, saúde eo meu fraterno abraço!
Confirmo. Só se estiver doente ou com fome é que me calo, mas é mau sinal e se as Cotovias cessarem o seu canto algo de grave está para acontecer, pois a sua sina e fado é a alegria e amizade.
EliminarAssim seja, havendo quem as queira ouvir, claro.
Boa tarde Francisco, lá terei de ir cuidar das árvores e plantar batatas Saúde!🐦
Que nunca cesse o canto da cotovia!
EliminarBem me bastou ter perdido a sinfonia do recolher dos pardais aqui na minha zona. Era um momento mágico para mim, aquela chilreada que durava até ao pôr-do-sol
Sonho com perfeições, vivo sem elas!
ResponderEliminarBom dia Rogério Pereira.
EliminarObrigada!
E quem "sonha com perfeições, vive sem elas", por garantia "Terá, por recompensa, algum encanto, Pois não naufraga quem não saiba amar."
Bom fim-de-semana!🐦
Viva, Rogério! :)
EliminarO verso que citaste é da autoria da Mafalda Carmona e além de ser metricamente perfeito é um daqueles versos de ouro de lei de que qualquer poeta consagrado se poderia orgulhar, se o tivesse criado.
Forte braço, meu amigo!
"Olh'á poesia escrita nas estrelas"
ResponderEliminarque assim seja sempre amiga Cotovia, amei este dueto, não seria eu cúmplice se não gostasse tanto de cumplicidades, e se forem poéticas então ...
parabéns a ambas por este belíssimo dueto
Bem haja cúmplice
Bem-haja pelo pedacinho que me coube neste dueto, Cúmplice do Tempo :)
EliminarUm abraço!
Maravilhoso dueto, de duas pessoas de quem gosto tanto
ResponderEliminarParabéns!
:) Obrigada pelo que me cabe deste dueto, Ana!
EliminarUm beijo!