FOSSE EU UMA AVE OU TALVEZ UM PEIXE...

Caboz ocelado
FOSSE EU UMA AVE OU TALVEZ UM PEIXE...
*
Fosse eu andorinha de branco avental,
Melro que se entrega ao seu canto de amor,
Chapim, pintassilgo ou garboso pardal
De gravata preta e fatinho a rigor,
*
Gaivota ou gaivina que ao branco areal
Pintalga de negro e de manchas de cor...
Fosse eu o que fosse, desde águia real
Ao mais pequenino e grácil beija-flor,
*
Que eu penas já tenho de sobra pra ser
Pomba, cotovia, garça ou albatroz
Planando sereno sobre o que entender,
*
Coruja-das-torres vendo os noitibós
Seu ninho rasteiro no chão a fazer...
Fosse eu pelicano e, se peixe, um caboz!
*
Mª João Brito de Sousa
04.05.2023 - 22.20h
***
Soneto em verso hendecassilábico
Bom dia de paz, querida amiga Maria João!
ResponderEliminarFosse eu uma viuvinha, pássaro que me aparece todo dia na caminhada.
Gostei muito de todos os pássaros aqui postados em sua rica criatividade poética.
Tenha dias abençoados!
Beijinhos
Muito obrigada, querida Rosélia
EliminarAcabo de chegar a casa vinda de duas consultas e da farmácia. Entretanto o meu cartão multibanco foi engolido pela ATM e o meu amigo teve de ir tentar resolver o problema no balcão do banco, mas acaba de me informar que terei de ser eu a tratar do assunto já que sou a titular da conta. Eu estou à espera da senhora que me vem dar banho e não posso sair de casa. Uma confusão, minha amiga!
Que tenha um dia abençoado e bem melhor do que o meu!
Beijinhos
Querida, a vida nos enche de sobressaltos, mas Deus é mais. Vamos resolvendo com a ajuda de anjos cá na Terra, todas nossas dificuldades, uma a uma.
EliminarMelhoras aí, amiga!
Beijinhos
Vamos resolvendo, sim, mas hoje foi um dia de complicações, querida amiga.
EliminarFiquei mesmo sem o cartão e tive de me deslocar ao banco para pedir um novo. Enfim...
Obrigada e beijinhos!
Grande imaginação e conhecimento das espécies de aves e peixes. E com isso construiu um poema... bem curioso.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Obrigada, L.
EliminarConheço bem quase toda essa bicharada, incluindo o pequeno caboz, mas confesso que não conhecia o caboz ocelado, que é engraçadíssimo e que deve assustar os seus predadores com aquela espécie de enorme olho na barbatana dorsal :)
Forte abraço, que hoje foi um dia daqueles em que andei de Ceca para Meca e ainda por cima fiquei sem um cartão de débito novinho em folha
Olá Mª. João! ( Desde há 3 segundos atrás;)
ResponderEliminarAdorei este teu soneto de criatividade viva e para uma coca bichinhos como eu, o céu!
Lindo lindo!
E com leveza, quem me dera escrever assim!
E...humorado! ;)
No teu verso final ainda me ri e pensei, talvez pela palavra caboz, que me remeteu para o cabaz do IVA 0% e depois para a situação do país com todas as trapalhadas da governação e como as "espécies" políticas andam por aí aos tombos sem acertar em coisa nenhuma, uns patarecos! ;) Ou outro nome que não vale a pena estar a dizer que já tiveste aborrecimentos hoje de sobra!
Bom resto de dia sem mais arrelias, que seja uma noite tranquila!
Xi forte, Mª. João!
Ah, agora percebo por que gostaste tanto do soneto de hoje! Além de seres mencionada nele, és uma coca-bichinhos como eu
EliminarAhahahaha... nunca me ocorreu que um pobre caboz pudesse fazer lembrar um cabaz, muito menos o tal do IVA 0%!
Mas não, hoje não quero mesmo ouvir falar de sarilhos políticos, mais sarilhos do que políticos, tanto quanto me foi dado entender. Estou tão estafadinha que se não fosse por ainda nem ter jantado, ia já para a cama.
XI- forte, pequena Cotovia!
Ahahaha verdade, mesmo, já a minha mãe me chamava assim, dizia que eu ia para investigadora, bióloga ou assim por andar sempre à coca dos ditos bichinhos lá pelos campos e moinhos ao pé da quinta e adorava os animais da criação, patos mudos sobretudo, mais que as galinhas por causa do galos que são muito agressivos, assim como os bancos, autênticos guardas e dão grandes bicadas e fazem soar o alarme sempre que há alguma coisa fora do normal. Mas os patos mudos eram os meus preferidos! São dóceis, amigos e muitíssimo espertos. Os perus e peruas é melhor deixá-los sossegados depois de passarem a fase juvenil, não são propriamente agressivos mas gostam de ser deixados no seu sossego. E assistir ao nascimento dos pintainhos era uma delícia. Agora por incrível que pareça, nunca vi um sapo! Rãs havia muitas, no tanque da rega, eram super dóceis e podia nadar com elas que estavam nem aí, se desse um mergulho perto da zona onde estivessem deixavam-se vir agarradas à cabeleira com suas patitas e por ali ficavam. Vida feliz a dos petizes que podem viver no campo. A cidade tem as suas vantagens, e a proximidade com a natureza hoje em dia também se tenta ter como oferta para os mais jovens, mas não é bem a mesma coisa.
EliminarE pronto, espero que as minhas aventuras de pequena Cotovia coca-bichinhos te ajudem a ter uma noite tranquila e serena
Um Xi forte, Mª. João!🐦
*gansos
Eliminar( não bancos , o corretor ainda estava com delay do comentário anterior)
Noite serena, Mª. João!
Mais outro forte Xi ♥️ !
Bom dia/boa tarde, linda Cotovia! :)
EliminarPois se a tua mãe te chamava coca-bichinhos, o mesmo me chamava a minha que ainda acrescentava: "Tal pai, tal filha: duas traças dos livros metidas a coca-bichinhos!"
Não cresci no campo, como tu, mas como o meu pai também era coca-bichinhos, e em Algés tínhamos os bosques de Monsanto , as matas do Jamor e a serra de Carnaxide mesmo à mão - ou mesmo "ao pé" ... - passávamos os fins de semana armados em exploradores das "cerradas selvas suburbanas", cada um de nós com o seu cantil de água fresquinha e a curiosidade a encher-nos o peito de alegria a cada descoberta de um animal ou planta menos comum nas ruas asfaltadas. Claro que também tínhamos o quintalzinho da casa do Dafundo, mas gansos nunca os tivemos por lá. Sei que são óptimos guardas e se nunca fui mordida/bicada por um ganso, já senti a fortíssima dor da "mordidela" de um cisne que não se deixou tentar pelo pedacinho de pão que eu lhe estendia e, pelo sim, pelo não, resolveu esquecer o pão e atacar a mão. Foi no jardim de Cascais e confesso que aquele papá cisne mordia com uma força que envergonharia qualquer cachorro! Penso que estaria a defender a esposa e uma ninhada de cisnezinhos que nadavam por ali... Os cisnes e os gansos não têm dentes, claro, mas têm uma espécie de serrilha que magoa tanto quantos as presas de um cão.
Quanto aos sapitos, vi muitos, por aqui e por ali, já não sei exactamente onde porque eu e o meu pai corremos a pé uns 3/4 das zonas mais inóspitas do país, que nem sempre ficávamos em casa nas férias.
Hoje, há por aqui um melrito que penso que deve estar a tentar conquistar uma namorada, porque há horas que o ouço a dobrar e redobrar o canto, todo ele encanto e melodia :)
Forte abraço, pequena Cotovia
Olá Mª. João!
EliminarPois será boa tarde, e nestas belas descrições me vi novamente nas minhas explorarações com o meu amigo de 4 patas de então, que entusiasta e caçador de... lagartos, enormes que terrielmente me vinha oferecer, me guardava nos passeios, e por isso podia despreocupada percorrer os campos e a serra, repara nos tempos de férias e todos os fins de semana. O regresso à urbanidade era feito com cestas de todo o tipo de produtos do campo, dos hortícolas, aos ovos e fruta, numa família de 5 e o amigo de 4 patas, num Mini pela nacional fora, com o carro a abarrotar e quisera o protetor dos viajantes que não fosse dia de valente engarrafamento ou nunca mais era dia de chegar para ir para a escola no dia seguinte. De herança da avó materna beirã nunca a família perdeu a sua costela pela terra, mesmo com a influência paterna alfacinha, e ainda bem!
Fico muito feliz de um melro andar a encantar os teus dias, são lindíssimos os seus cantos, e quer de madrugada como ao entardecer um momento de tranquilidade em que podemos sentir que, apesar de tudo, tudo pode afinal estar bem neste mundo e renovar a esperança. São os meus pássaros preferidos, a par dos piscos, que se me afiguram, pelas proporções de forma e diminuto tamanho, as aves mais amorosas. Ambos tem um comportamento hiper diligente, diferentes nos seus registos claro, que o melro age como um guerreiro samurai, sempre em grandes investidas contra os pardais, enquanto caça minhocas, e até corvos como relatei num dos meus postais, ele enfrenta, acompanhado da sua melro fêmea. Os piscos são incansáveis a caçar mosquitos, que aqui pela proximidade com a serra são frequentes, zona endémica do mosquito transmissor da leishmaniose, e uns seus parentes a terminar com os ovos da lagarta do pinheiro.
Espero que tenhas um dia de sábado mais tranquilo do que a 6a feira, que o estendal se porte bem, que nada seja engolido por MB, que se for esse o teu programa, tenhas o teu cafezinho com as tuas amigas e lhes consigas arrancar um sorriso com o teu delicioso sentido de humor
Um grande Xi ♥️, Mª. João!
P.S. ainda não li o teu soneto de hoje, que está a ser um dia atribulado mas no bom sentido. Assim será o meu rebuçado de final de dia como prêmio por me portar bem e cumprir todas as tarefas ;)
Provavelmente não irei ao cafezinho. Estou lisa e tesa que nem um carapau seco, como diria a minha mãe... Mas pasma: um garoto, uns escassos mililitros de leite com uma gotita de café, está agora a 85 cêntimos! Um golo basta e lá se foi perto de um euro, antes de termos tido tempo para sentir-lhe o saborzinho...
EliminarE até tenho uma moeda de um euro, do Chipre, que tem gravado um ídolozinho datado de três mil anos AC e que vale oito euros para um numismata. Tenho-a guardada, não vou pagar oito euros por um pingado curtinho...
Quanto a meu melrito, já deve ter encontrado uma esposa digna de tão belo e melodioso canto, que por aqui reina agora um profundo silêncio.
Nada mais será engolido por uma maquineta esfomeada porque eu nada tenho que possa ser engolido. Nem por mim que, para não variar, ainda não preparei o almoço...
Gosto imensamente dos melros, mas creio que me identifico mais com os pardais já que presenciei, há décadas, uma pardoca fazer frente a um gato que se preparava para abocanhar uma das suas crias que caíra do ninho. Claro que sem a ajuda de um homem que lá chegou antes de mim e enxotou o gato, nem a mãe , nem o filho teriam sobrevivido, mas a pardoca não arredou pé, com as penas todas eriçadas e o bico aberto. Foi um espantoso acto de amor maternal e só tenho pena de, nesse dia, não ter levado comigo a Canon do meu então marido.
Um grande xi- , pequena Cotovia!
Comovente imagem a da pardoca, um dia também te contarei um episódio que assisti com um casal de melros e que desafia tudo o que pensamos saber sobre eles. Não são apenas os humanos que sentem, como ficou em provado nesse episódio da mãe pardala.
EliminarTeria sido uma fotografia cheia de humanidade essa Canon.
Vou agora correndo, digo, voando, recolher meu rebuçado!
Um Xi ♥️ forte forte, Mª. João!
Se já provaste o rebuçado de hoje, escrito para a memória viva da minha então jovem mãe, amanhã terás um chupa-chupa gigante Sim, mais uma Coroa em soneto hendecassilábico.
EliminarQuando me contares o que pudeste presenciar desses melros, contar-te-ei um episódio que presenciei - infelizmente todos os que o presenciaram, excepto eu, já não estão entre nós - e que é prova provada de uma imensa amizade entre dois cães, ambos machos, que eram semi-vadios, mas que guardavam o antigo mercado de Caracavelos.
Ai, que ainda não injectei a Teriparatida na barriga! xi
Se é poeta porque deus quer, acredito depois destes versos que será ave ou peixe se assim também o quiser,
ResponderEliminarQuem tão bem trata as palavras e a poesia merece ser o que quiser.
tanta cumplicidade num poema, não havia como não gostar de o ler
bem haja cúmplice
Muito obrigada pela gentileza das suas palavras, Cúmplice do Tempo :)
EliminarNa verdade considero-me uma cuidadora de palavras, ou uma operária-tecelã da sua sonoridade sem nunca me esquecer da qualidade da mensagem que a palavra pode e deve veicular. Por outro lado, também me sinto cuidada pela palavra, como poderá verificar no soneto que reeditei hoje. É um processo quase sempre de mútua valorização, a criação poética. E é tudo o que posso fazer, que estou muitíssimo limitada em termos físicos, até em termos da higiene pessoal e da preparação das minhas refeições.
Também trabalhei a imagem em termos plásticos, mas há muito que deixei de ter força para pintar e desenhar.
Um fraterno abraço!