"GREEN MARKETING"

marketing verde.png


"GREEN MARKETING"
*



Pintou de verde a fachada pomposa


Da mansão luxuosa em que vivia


Mimetizando a planta mais frondosa


De quanta planta por ali crescia
*



De verde se adornou e donairosa


Ousou sair à rua. Quem a via


Enquanto crua, sádica e maldosa


Se um inocente arbusto parecia?
*



Tudo de belos verdes se mascara


Em nome da sagrada Ecologia,


Mas fica a vida cada vez mais cara
*



Pra quem trabalha e sofre em agonia


A perda do que aufere e que declara...


Como ilude esta verde fantasia!
*


 


Mª João Brito de Sousa


04.05.2023 - 00.15h
***

Comentários

  1. Bonito de lêr MJ
    Belo dia com alegria, beijinhos

    ResponderEliminar
  2. Olá Mª. João!
    Ora aqui temos um soneto fresquinho que nem uma alface... biológica. ;)
    Um soneto de inspiração e chamada de atenção para esta nossa realidade de consumo.
    Verdade, se por um lado temos as novas gerações mais conscientes das suas vantagens, cuja remuneração e trabalhos permitem alcançar esse verde, o que é bom claro, as anteriores ficam perplexas com os valores que subtraem a uma carteira poucochinho que não dá para tudo, e quando vamos aos nossos mercados percebemos que muito desse verde vem do mesmo sítio que o resto, o MARL, onde depois de passear os portões do mercado abastecedor da região de Lisboa, soma muitos euros por kilo.
    Por aqui podemos ver esse verde na mercearia tradicional da dona N, que também vende os limões e outros vegetais que vem dos quintais próximos numa economia de proximidade real... Se é legal não sei bem, porque desconheço como funcionam as certificações e os custos para os comerciantes alimentares, das mais valias, bem como as regras, mas na verdade, se a carteira não chega, como se faz?
    Um grande fortíssimo Xi 🐦, Mª. João!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom dia, linda Cotovia!

      Aqui, a minha zanga vai direitinha para as grandes empresas que num passe de mágica suja, publicitam políticas verdes por puro amor ao ambiente e à natureza, dizem, quando na verdade continuam a conspurcar e destruir esse mesmo ambiente. Isto não é de agora, quando eu era pequenina essa política de marketing sujo e mentiroso já existia. O problema é que agora é mais urgente do que nunca percebermos que nos vão acenando com palavras de amor enquanto continuam a destruir-nos - que nós também somos natureza - por trás das costas, ou seja, nunca as estratégias de marketing foram tão perigosas como o são neste momento e é óbvio que cada vez nos é mais difícil defendermo-nos delas porque se alguns, muito poucos, conseguem abastecer-se com segurança dos produtos criados no quintal de amigos ou vizinhos, o grosso da humanidade que sai de casa para trabalhar às sete da manhã e volta para casa derreado às sete da tarde, não tem outra forma de se abastecer, tem mesmo de recorrer aos super e hipermercados nos quais os selos de certificação de qualidade não passam de adornos que justificam uma subida de preços. Os pequenos e micro produtores não têm forma de abastecer multidões crescentes de pessoas exaustas que querem é despachar-se para darem de jantar aos filhos pequenos, ou não. E isto para os que tenham a sorte imensa de ter uma casa, que eu ainda não percebi como é que um casal jovem em que ambos ganhem o ordenado mínimo, consegue arrendar um T1 por 1200 ou 1300 euros - aqui, na minha zona, por exemplo -, e pagar contas de água, gás, energia eléctrica e acesso à internet. Por mais que faça contas de cabeça, ainda não percebi como é que estes jovens ou menos jovens, conseguem subsistir.
      A verdade é que há qualquer coisa de muito, muitíssimo errado neste sistema em que vivemos.

      Um xi

      Eliminar
    2. Concordo, há algo de intrinsecamente errado neste sistema, e das 7 as 7 nem é bem a regra, eu diria pelo que vejo das 7 as 22, e assim se consegue pagar as rendas, e parcelando, adiando, fazendo acordos, pagando juros, parece que estamos na época Medieval em que toda a existência é de empréstimo além do que não há como nestas jornadas duplas e triplas ter tempo para se conseguir chegar a tudo.
      E quando não se anda com a casa as costas, mais as embambas e tarecos, parte da família para um lado, o progenitor ou progenitora para outro, quando não ambos, e as crianças ao cuidado dos avós, quando é possível que com a idade da reforma aos 68,6 ou 67,7, já nem sei bem, quando se chega à reforma já falta energia para fazer seja o que for e por se ter entrado na vida profissional cada vez mais tarde, cada vez se tem de descontar até mais tarde para se ter uma reforma. Nesse aspecto concordo em absoluto com os franceses, aos 62 estava muito bem, uma Pessoa tem que ter direito a uma vida para além de ser uma engrenagem de contribuição para um estado de governança em lugar de governo.
      Depois atrás de um de um desgoverno Major no estado e governantes vem o nosso desgoverno, ao sabor dos disparates e das leis obtusas emanadas por gente tonta que quando toma assento na assembleia lhe foge a capacidade apenas para o encher o próprio bolso, e isto é um eufemismo, claramente, peço desculpa.
      Mas existe tanta gente que neste momento sofre verdadeiramente com dificuldades económicas e de saúde que é obscena toda a fantochada a que se vem assistindo nesta política feita ao ritmo não do povo que representam e deviam justamente defender, mas dos horários "nobres" das notícias.
      De um lado mandam olhar o belo céu, do outro comer gelados.
      Inacreditável.
      Desculpa o desabafo Mª. João, mas neste sistema em que estamos, os pontos negativos são tantos como o ditado das cerejas, o mal é começar...

      Eliminar
    3. Esses das 7 às 22 são os infelizes que para conseguirem um tecto e uma cama, não têm outro remédio senão esquecerem-se de que são seres humanos e transformem-se em máquinas de produção contínua, se acaso conseguem arranjar um part-time depois do trabalho normal em full-time. Há-os para aí aos pontapés, esses (in)voluntários sobreviventes de uma caminhada no fio da navalha que, ainda assim, vão ter de arranjar tempo para aprenderem a fazer malabarismos com o vil metal para que o pouco que ganham a mais dê para todas as despesas de uma casa que tenha água, gás e energia eléctrica. Outros, que também os há, ainda vão arranjando uns "biscates" para fazer aos fins-de-semana cortando de uma vez com os últimos laços que os prendiam à condição de seres humanos com direito a um mínimo de horas de sono e de lazer.

      E, infelizmente, não é de minorias que falamos, que essas dariam muitíssimo mais que falar.

      Falamos do cidadão comum, falamos de 50% da população portuguesa no activo que nem faço ideia de qual seja o tristíssimo estado de saúde em que estará se milagrosamente (sub)viver até à idade da reforma.

      Um grande abraço, Cotovia!

      Eliminar
  3. Vivemos iludidos em muitas fantasias. Mas a fantasia poética pode também ser um cartaz de alerta, uma chamada de atenção. Parabéns pela "verde fantasia"! Saúde e Paz!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom dia, Francisco!

      A ilusão, ou a tentativa de iludir as massas, está cada vez mais habilidosa e mais sofisticada.
      Como cresci num meio muito crítico em relação aos luxos e ao consumismo - e não só... - não me é nada difícil não me deixar iludir, mas vejo com tristeza que há cada vez mais gente iludida pelas manhas e pela perfídia do "green marketing".

      Paz, Saúde e um fraterno abraço!

      Eliminar
  4. Brancas nuvens negras4 de maio de 2023 às 13:09

    Vivemos há muito numa sociedade do espectáculo e do fingimento.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sem dúvida, L.!

      E o mais triste é que muitos vão alimentando o sofisticado fingimento: alguns por nem se darem conta disso, outros por não terem opção.

      Outro abraço!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

UM VOO DE PARDAL - Soneto muito ligeiro, dedicado à Ligeirinha

OBRIGADA!

ESPANTO