O DISCURSO - Reedição

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O DISCURSO - Reedição
*


 


Impõe-se-me um discurso, urgentemente!


Aquilo que disser será escutado


E há que ter, como tal, muito cuidado,


Não se torne a palavra independente
*


 


Que o discurso é, por vezes, inclemente:


Nós damos-lhe a função de ser recado


E, o tonto,  faz-se ambíguo e torna errado


O que, sendo pensado, era inocente
*


 


Porque, ao dizer, desdiz o que foi dito,


Ganha vontade própria, é traiçoeiro


E, às vezes, transmutado em ditador,
*


 


Consegue desmentir quanto foi escrito,


Ilude o alheio ouvido a tempo inteiro


E destrói a carreira ao orador!
*


 


Mª João Brito de Sousa


20.05.2008
***
.


 

Comentários

  1. Brancas nuvens negras21 de maio de 2023 às 14:48

    Daí a vantagem da poesia, permite todas as interpretações.
    Um abraço.

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    1. É bem verdade, L., daí que Pessoa tenha escrito O FINGIDOR, o tal que "chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente" Mas num e noutro caso, são as leituras que divergem, não é o poeta - aqui "vestido" de orador- que mente.
      Hoje não sei se conseguirei estar por aqui muito tempo. Ontem abusei do meu corpo, muito contente por estar a conseguir mexer-me tanto, alheia ao poder que a adrenalina de um grande reencontro tem sobre nós e hoje mal consigo teclar...

      Forte abraço!

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    2. Brancas nuvens negras21 de maio de 2023 às 15:36

      Força... as melhoras.
      Um abraço
      L

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    3. Obrigada!, L., amanhã espero já estar recuperada

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  2. Um bom discurso,nem sempre o discurso é bom.
    Boa semana.
    Um abraço

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    1. É verdade, Cheia :)
      Este é um soneto antigo, do segundo ano de "colheita", mas creio que nasceu por causa de um pequeno discurso que eu teria de fazer numa cerimónia, nas Galerias Verney

      Boa semana e um abraço!

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  3. Olá Mª. João!!
    Bem verdade, as palavras tem vontade própria, sejam do orador sejam as que for, ganham asas e voam leves, ou caem pesadas e desvirtuadas do seu valor.
    Por isso há quem hoje em dia tenha desistido, e ao silêncio se convertido, pois grande coragem é preciso para continuar convencido da mais valia de continuar a lutar pela palavra, tantas vezes desvirtuada.
    As melhoras, noite de descanso, desejos de recuperação, Mª. João.
    Um grande, enorme e anímico fortíssimo Xi!

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    1. Olá, pequena Cotovia!

      Ontem foi um dia muito, muito FELIZ! Nem a certeza de que em Julho deixaremos de existir enquanto grupo conseguiu toldar a alegria de nos vermos ou de nos revermos e de nos abraçarmos! Creio que dei mais de mil abraços, ontem!
      E, tonta, andei, levantei-me para dizer poemas, voltei a abraçar quem já tinha abraçado e não sentia dores nenhumas, tal era a adrenalina gerada pela alegria do reencontro... Hoje sinto-me como se tivesse sido atropelada, mas valeu bem a pena!!!
      Creio que este soneto foi escrito um pouco antes de uma homenagem que a APP - Associação Portuguesa de Poetas - me fez, ainda nas Galerias Verney, aqui, em Oeiras.

      Por essa altura a Presidente era a saudosa Maria Ivone Vairinho e a Vice-Presidente era a Virgínia Branco que felizmente continua entre nós. Eu, enquanto homenageada, teria de discursar... Enquanto pensava nisso, ocorreu-me isto que aqui leste

      Obrigada! Que tenhas também uma repousante noite, pequena Cotovia! Xi

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