ATÉ QUE O SANGUE ESCORRA, VERMELHINHO - Reedição

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"Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"
Machado de Assis


*
ATÉ QUE O SANGUE ESCORRA, VERMELHINHO
*


 


Gosto de cactos verdes e espinhosos,


E até de rosas vaidosas e nobres...


Nos mundos ideais - sonho dos pobres! -


Finto sem medo maciços rochosos,
*



Mostrengos gigantescos, tenebrosos,


- dos que não vergarão por mais que os dobres -


E a todos vou metendo em meus alfobres


Transmutados em nuvem, vaporosos...
*



Aqui termino o breve devaneio


E assumo que há mostrengos que receio


Ou que as rosas me ferem se algum espinho
*



Dos muitos que por vezes manuseio,


Na carne se me crava, mesmo em cheio,


Até que o sangue escorra, vermelhinho.
*


 


Mª João Brito de Sousa
15.05.2022 - 15.50h
***


Soneto concebido para um desafio de temas no Horizontes da Poesia

Comentários

  1. Brancas nuvens negras22 de junho de 2023 às 13:22

    O sangue escorre? Então estamos vivos.
    Um abraço.
    L

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    1. O meu vai mesmo escorrer daqui a pouco, L.... Uma gota bastará para a equipa de enfermagem avaliar o meu INR :)

      Obrigada e um forte abraço!

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  2. Não há rosas sem espinhos, nem cactos fofinhos, disfarçados, para que não vejam que são abutres e se alimentam de sangue vermelhinho.

    Boa tarde, Maria!
    Um abraço

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    1. Gosto muito de cactos, tenho muitos em casa e senti alguma dificuldade em associá-los a algo de mau, mas compreendi a metáfora, Cheia.

      Tarde feliz e um abraço!

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  3. Eu sorrio por saber que os espinhos têm rosas
    Lindíssimo poema, Maria João

    Beijinhos
    Feliz Dia

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    1. Muito obrigada pelo seu sorriso, Luísa!

      Um dia muito feliz!

      Beijinhos!

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  4. "... as rosas me ferem se algum espinho..." Saúde e Paz!

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    1. Venho neste preciso momento do seu Aquém Tejo!

      Obrigada! Paz, saúde e outro fraterno abraço!

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  5. Teresa Palmira Hoffbauer22 de junho de 2023 às 17:50

    “O sangue é um sumo muito especial.”
    É assim que Goethe deixa falar o seu Mefistófeles quando visita Fausto no seu escritório e pede que ele assine o pacto com uma gota de sangue.

    Poema muitíssimo forte para alguém que não pode ver sangue 🩸
    De qualquer maneira um belíssimo soneto.

    Abraço sem espinhos da aldeia do Düssel ⛈

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    1. Esta pobre poeta ribeirinha de um Tejo quase mar, passa a vida a dar gotas e provetas cheiinhas de sangue, não ao Mefistófeles de Goethe, mas às enfermeiras do CSO e aos técnicos dos laboratórios hospitalares, para exames auxiliares de diagnóstico e de rotina. Garanto que nunca vendi a alma :)

      Abraço forte e sem espinhos daqui, do meu cantinho de sempre

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  6. Olá Mª. João!
    E não é que já aqui estavam já duas publicações que ainda não tinha visto? Um jackpot de rebuçados
    Adorei este decassílabo, difícil, muito bem composto e espectacular a metamorfose na mensagem, amei:

    "Mostrengos gigantescos, tenebrosos,
    - dos que não vergarão por mais que os dobres -
    E a todos vou metendo em meus alfobres
    Transmutados em nuvem, vaporosos..."

    É isso que a tua Poesia faz, monstros transportados pela a Poesia que se transmutam em nuvens vaporosas.

    E quanto ao tema, apesar da coincidência, logo verás a diferença para o soneto que publicarei hoje, e que é muito simples, pois não tem nem sombra da excelência deste teu "Até Que o Sangue Escorra, Vermelhinho" apesar de também ter rosas e espinhos...
    Ai ai vida, mas vamos em frente, que como diz a minha mãe é para onde estão as pernas e os pés virados, para alguma coisa deve ser: ir em frente!
    Ou, apesar disso, será antes para ontem, ler o teu outro soneto!
    Um grande Xi!🐦

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    1. Não me digas que ainda não tinhas lido o Soneto à Minha Louca, Louca Inspiração? Se calhar não... Este, com um título algo vampiresco, tem o seu quê de banalidade quotidiana porque passo a vida a dar gotinhas e provetas cheias de sangue para análises... Há sempre um pedacinho de realidade nos meus poemas, mesmo que pareçam fantásticas efabulações. Nunca resisto a temperá-los com uns pozinhos do meu banalíssimo dia a dia :)

      Menina Cotovia, a tua mãe tem toda a razão! Eu estou a caminhar a toda a velocidade para um exame que tenho muito medinho de fazer... mas vou em frente! Tenho é que comprar pães de leite, manteiga e muito queijo, além de sumos de frutos empacotados, que foi isso que me mandaram levar para o exame. Aliás, eles queriam que levasse carcaças, mas eu pu-los logo ao corrente da minha situação de decrepitude dentária e perguntei como esperavam que eu mastigasse carcaças sem dentes. Como perante factos não há argumentos, os pães de leite venceram as carcaças

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    2. Tenho para mim que não é não resistir, é condição, só se pode escrever sobre o que se conhece, por isso o dia-a-dia, o quotidiano tem de estar presente. A biografia do Saramago aborda muito da construção dessa domesticidade, desse quotidiano em Lanzarote...mais o seu encantamento por Pilar, que muita tinta fez rolar e ainda fará, mas eles lá saberiam de si e da sua relação, quem de fora opinar sem ter qualquer noção de quem eram na sua esfera privada está a ser despropositado, aliás ninguém pode nem deve atirar pedras, antes guardar a distância do que é a liberdade, pois nossa acaba onde começa a do outro.
      Mas de todas as formas serão Pessoas muito interessantes. A descobrir, embora que a nossa perspectiva será sempre de quem está excluído do verdadeiro saber de quem são.
      Olha eu adoro pão de leite!
      Vejo que tens tudo organizado e estás a seguir todas as prescrições médicas, que é meio caminho para correr tudo bem no exame.
      Noite tranquila, amanhã terás um dia animado pelo São João, com surpresas boas, espero
      Forte Xi Mª. João!🐦

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    3. Posso, posso sim, escrever sobre o que nunca vi, tal como posso desenhar ou pintar pessoas que nunca conheci, rsrsrs... Escrevo sobre o cavalo de fogo em cuja garupa galopo quando a Musa está para aí virada e só na minha imaginação esse cavalo existe
      Mas tens razão, não sou a única escritora a temperar com momentos de quotidiano os seus textos, poéticos no meu caso. Deixamos pedacinhos de nós dentro dos nossos textos e, às vezes, deixamos objectos que nos pertencem ou pertenceram, também...

      Como Saramago, também eu vivi durante muitos anos em encantamento e considero que ninguém tem nada que opinar sobre isso. Nunca me pronunciaria sobre encantamentos que não fossem os meus.

      Ah, também gostas de pães de leite :) Eu não tenho nada contra as belas das carcaças, mas é óbvio que as não consigo mastigar, até porque o buracão deste ultimo dente ainda não cicatrizou por completo, o que é muito estranho, mas é a realidade.
      Espero que o nosso amigo José esteja lembrado do que combinámos para a véspera de São João :) E também espero que não seja a primeira vez em toda a minha vida em que acorde sem disposição para desgarradas. Não há-de ser, caramba!
      Já não escrevo mais hoje que estou a ficar meio ensonada...

      Grande xi

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  7. Espinhos do tempo
    são mesmo um contratempo MJ
    Belo fim de Semana com alegria de sol e harmonia, beijinhos

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    1. Bom dia, meu!

      Eu cá gosto muito de cactos Mal de mim se me deixasse amedrontar pelos espinhozinhos das rosas , rsrsrsrsrs

      O meu fim-de-semana vai ser a sentir um friozinho no baixo ventre, por causa de um complexo exame que vou fazer na segunda-feira. Mas podia ser bem pior se eu tropeçasse e caísse em cima de um imenso amontoado de cactos que tenho na marquise

      Beijinhos! Estou em desgarrada de São João com o José da Xã!

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