CONVOCATÓRIA - Reedição

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CONVOCATÓRIA
*



Convoco-te, poema, em cada verso,


Em cada estrofe enquanto não tecida,


Em cada afirmação, no seu reverso,


No sopro que conduz o verbo à vida,
*



E sempre que comigo, em mim disperso,


Te encontro e vou moldando, já rendida,


Perder-te-ei depois, depressa imerso


Num mar cuja maré me traz perdida
*



Mas essa sensação de, em tempo adverso,


Estar presa, acorrentada e sem saída


Num barco naufragado e já submerso,
*



Foi olhada de frente, foi vencida


E acabou sorrindo neste verso


No qual (des)multiplico a dor sentida.
*



Maria João Brito de Sousa


Março 2016
*


In A CEIA DO POETA (inédito)

Comentários

  1. Estou convocado, para todos os dias, aqui passar, para bonitos versos saborear.

    Bom domingo e um abraço, Maria.

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  2. Brancas nuvens negras4 de junho de 2023 às 21:59

    Quando encontramos o poema e ele se vai construindo a ele próprio, é uma sensação de plenitude.
    Um abraço.
    L

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    1. Se é, L.! É uma das mais intensas experiências que já vivi... E vou esperando ainda voltar a viver. É exactamente quando isso acontece que digo que a Musa está comigo :)

      Forte abraço!

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  3. Convocatória aceite
    Bela Semana com alegria
    e sorriso bonito MJ. Bom dia, e beijinhos de aqui

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    Respostas
    1. Olá, !

      de fugida, de fugida, que tenho de ir para o CSO...

      Beijinhos!!!

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  4. A Poesia que alimenta a vida, que permite o respirar do dia a dia com imensa energia e inspiração, neste mar de palavras em lugares submersos, para renascer como Fénix, passando de tempos adversos para tempos de alegria!
    Como os que aqui se têm todos os dias, Mª. João!
    Obrigada por mais esta maravilhosa partilha!
    Um enorme Xi!

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    Respostas
    1. Olá, pequena Cotovia! :)

      A Poesia, essa sim, está sempre a renascer, seja qual for a forma que tome!

      Esse meu muito querido avô é, em parte, responsável por esta minha grande paixão pelo soneto. Os primeiros sonetos que li foram os dele, sei o carinho que ele nutria pelo decassílabo heroico e os meus primeiros sonetos foram também tecidos nesse compasso, cadência, melodia... Depois é que me aventurei a explorar os hendecassilábicos, os eneassilábicos e, após de um longo período de desentendimento, até os draconianos alexandrinos :)

      Como estou muito indisposta, duvido da minha capacidade de escrever até um simples agradecimento a um comentário, mas calculo que me desculpes se o que vou escrevendo não fizer muito sentido...

      Fico contente por saber que gostaste, pequena Cotovia :) Até final de Junho vou andar num virote entre hospitais, consultas e exames muito complexos. A Musa, que precisa de Tempo, de Silêncio e de exclusividade, foge disso a sete pés, portanto é bem provável que me vá ficando pelas reedições.

      Um grande xi

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    2. Olá Mª. João!
      Além de renascida, a Poesia é também uma paixão e na tua excelente Poesia de sensibilidade extraordinária, é visível neste soneto a inspiração que o teu avô exerce.
      Também é fantástico ver como a Poesia nos pode aproximar das nossas raízes e fortalecer a vontade criativa, dando o incentivo extra em momentos de maior dificuldade e desânimo ou levar a uma grande felicidade quando alcançamos algo de positivo e compartilhamos com todos os que fazem parte da nossa vida, presentes ou ausentes, em igual medida.
      E podes ficar segura de que, mesmo indisposta, as tuas palavras fazem todo o sentido.
      Compreendo que a Musa exige tempo, silêncio e exclusividade, e que as circunstâncias atuais dificultam a tua escrita poética. No entanto, acredito que, mesmo nas reedições, continuarás a dar a quem te lê uma alegria diária, um rebuçado poético para nos ajudar a dar brilho ao quotidiano normal para o tornar especial.
      Sabes que estaremos aqui, para ler tuas criações, independentemente do momento em que elas surgiram, e tenho certeza de que nos sentiremos inspiradas pelos teus sonetos.
      Tenho imensa curiosidade sobre os alexandrinos draconianos e os recém descobertos sonetos em verso hendecassilábico, e, as reedições são uma oportunidade de conhecer melhor o teu trabalho poético para, de certeza, inspirar e orientar.
      Enquanto passas por estes desafios de saúde, desejo-te coragem, força e uma recuperação rápida, com a esperança e a determinação que fazem parte de ti, para te sentires melhor em breve.
      Melhoras e um grande Xi❤️ carinhoso, Mª. João!

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    3. Olá, pequena Cotovia :)

      Fico sem saber se estarei à altura de merecer um décimo dos elogios que aqui me fazes
      Vou ver encontro um draconiano alexandrino, embora não esteja muito segura de os ter "tagado" - colocado uma tag - a todos. Devo ter uns trinta, talvez um pouco mais... creio que todos ou quase todos em rima encadeada porque foi assim que lhes consegui descobrir a musicalidade :) Vais ver, se eu desencantar um, que são muito menos musicais do que todos os outros sonetos.
      Mas não te quero assustar. Pode ser que para ti tenham alguma musicalidade, sabe-se lá! O que é certo é que muito poucos sonetistas os utilizam, nos tempos que correm.

      Obrigada e um carinhoso xi !

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    4. Um décimo não, com toda certeza, são os 100%! Pois de que outra forma posso expressar a emoção e o bem que a tua Poesia faz nos meus dias?
      Pudesse eu ter a capacidade para, em lugar de elogios, te poder responder em sonetos e aí sim ficaria felicíssima!
      Não me assusto com facilidade, estou preparada para ser apresentada a esses dragões! Que venham, mas não tem pressa, a urgência agora é outra, já sabes, a tua recuperação para ficares melhor!
      Fortíssimo Xi, melhoras, Mª. João!

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    5. Ai é, Cotovia? Não te assustas facilmente? Então prepara-te que vou reeditar já a seguir um draconiano alexandrino

      Dentro de poucos minutos estará reeditado o mais bonito e o mais melódico dos meus alexandrinos. Na minha opinião, claro.

      Um GRANDE xi

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    6. vou voando para encontrar esse alexandrino draconiano!
      Obrigada pela surpresa, tenho a certeza de que não será um susto, só espanto

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    7. Eu já nem digo nada, tu achas o hendecassilábico mais fácil do que o decassilábico

      Estou a sorrir, apesar de me doer e arder a boca de cada vez que sorrio. Que chatice, esta coisa nunca mais passa!?

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    8. coisas estranhas acontecem, de facto, parece-me mais "natural", não sei se mais fácil que o Soneto é extremamente exigente em todas as suas formas, sendo que agora com o alexandrino entendi verdadeiramente a dificuldade crescente a partir do hendecassílabo, e compreendi porque não te agrada por aí além o bárbaro, até ao dodecassílabo a melodia é possível e aceitável o ritmo, mas depois disso, suponho que o Soneto sofra com tanta extensão
      E sim foi espanto, não susto, adorei a tua reedição do Alexandrino draconiano, um sentimento de entusiasmo que se aproxima do da coroa de Sonetos, muitíssimo obrigada pela surpresa, Mª. João!
      Grande Xi ❤️!

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    9. Cá estou, agora em modo zombiepequena Cotovia.

      Garanto-te que é muito menos fácil do que todos os outros tipos de soneto e que são muito poucos os sonetistas que se atrevem a escrevê-lo, mas tu és uma caixinha de surpresas em termos de musicalidade
      Um alexandrino "vero" tem de ser dividido em dois hemistíquios de exactamente seis sílabas poéticas cada um. Assim sendo, aqui temos "ta, ta, ta, ta, ta, TÁ//ta, ta, ta, ta, ta, ta, TÁ". Ou acabamos o primeiro hemistíquio com uma palavra aguda - pão, fiz, farei, amanhã, etc. - ou caso acabemos com uma grave ou paroxítona - minha, fome, ritmo, pára, etc. - teremos de iniciar o segundo hemistíquio com uma vogal que possa fazer crase com a vogal imediatamente anterior - exemplo " A luz com que nos cinda//assim que nos beijar". Nunca, de forma alguma, o primeiro hemistíquio poderá terminar numa palavra proparoxitona.
      Estas são as três condições absolutamente essenciais para que um soneto dodecassilábico possa ser considerado alexandrino.
      E agora que já nem sei o que digo, perdão, o que escrevo, deixo-te outro grande xi

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    10. Olá Mª. João!
      Só mesmo alguém com uma expressividade poética extraordinária como a tua poderia resumir a exigência do Soneto alexandrino de uma forma tão acessível!
      E já está agora é só tentar, só que não sei não se estou preparada, talvez num tema específico ou um conceito que me ocorra ser adequado para experimentar, o pior que pode acontecer é ficar exactamente como estou agora, sem soneto Alexandrino, muito menos como se fosse um dragãozinho domado como consegues fazer assim, tão naturalmente!
      Obrigada pela tua disponibilidade, generosa partilha do conhecimento e apoio, Mª. João!
      Melhoras, um grande Xi carinhoso!🐦

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