MAR REDENTOR - Reedição

nuno fontinha.jpeg


Fotografia de Nuno Fontinha


*


MAR REDENTOR
*



Só o mar que do mar nunca volta


É do rio tanto cais quanto fonte


E na onda que em espanto se solta


Ergue um muro e também uma ponte
*



De água azul e de espuma revolta


Entre mim e o longínquo horizonte,


Essa linha amovível que escolta


Cada além que ao meu sonho confronte
*



Quando a onda nas rochas quebrando


Vem dizer-me que o mar ora é brando,


Ora em fúrias e raivas se exprime
*



Digo a medo ou apenas segredo


Que deixei de ter medo do medo


E que o mar mesmo irado redime.
*


 


Maria João Brito de Sousa



04.06.2021 - 09.40h
* **
Soneto em verso eneassilábico

Comentários

  1. Oh ... que lindo tributo ao mar que eu amo e que o tenho aqui mesmo à minha beira.

    Beijinhos
    Feliz Dia

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Luísa!

      Cresci à beira Tejo, a olhar o mar que na maré cheia adentrava o estuário... Não posso senão amá-lo tanto quanto amo as matas e florestas.

      Feliz dia e um beijinho

      Eliminar
  2. Brancas nuvens negras16 de junho de 2023 às 13:32

    O mar é lugar de contemplação mas... receio entrar nele seja de que forma for.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu era, desde muito pequenina, como um peixinho na água, L., mas agora, com todas estas limitações físicas não sei se ainda consigo nadar... penso que, pelo menos, ainda devo conseguir flutuar, mas o melhor é manter-me na contemplação, não vá o diabo tecê-las...

      Forte abraço!

      Eliminar
  3. Uma bonita homenagem ao mar, que foi o meio para darmos mundos ao mundo.
    Boa tarde e bom fim-de-semana, Maria!
    Um abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. As mais das vezes, os nativos desses mundos que demos ao mundo não ficaram lá muito contentes com o mundo que lhes levávamos, mas os tempos eram outros e eu sei separar as águas.

      Bom fim-de-semana e um abraço, Cheia!

      Eliminar
  4. Olá Mª. João!
    Belíssima reedição deste Mar Redentor em Soneto eneassilábico.
    Esse mesmo mar que antes de inventado o voar, era o único meio de chegada e partida dos viajantes, próximos e distantes, os que deixavam saudade escrita na linha de horizonte, para onde todos os dias se olhava, tentando, por vezes em vão, avistar ou intuir aqueles que para lá teriam ido, e o seu regresso era negado... Apenas aguardado o momento de a eles se nos juntarmos. É um mar de saudade, um mar redentor, um mar infinito, um mar bonito onde o olhar pode sempre poisar na ausência tanto como na presença e, para quem nele navegar, o medo faz parte da arte de sofrer sem nada dizer.
    Sem um queixume, sem um aí, porque pode ser irado, verdade, mas também é pai.
    Gostei muito muito deste teu Soneto, tanto como gosto do Mar, obrigada pela tua partilha, como sempre, belíssima e inspiradora de Poesia em diferentes formas, Mª. João!
    Um grande Xi!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. *sem um ai ai ai vida
      Que tenho para mim que a Terra e mãe e o Mar é pai, e de resto estamos todos debaixo deste sol, céu, nuvens e estrelas, como irmãos... ou poderíamos, ou poderemos estar, assim queiramos transformar os corações em lugar de Paz e Amizade, haja forte vontade.

      Eliminar
    2. Olá, Cotovia!

      Ultimamente só tenho reeditado sonetos nas suas diversas roupagens, compassos e cadências...
      Da velha Musa, nem sinal, mas já não estranho porque se eu pudesse fugir inteirinha, também fugiria... Mas não posso, já sou crescidinha demais para ceder a medinhos ainda que muitíssimo justificados :)

      Bem, o eneassilábico oferece-nos nos este ritmo que considero muito bonito e que, não sei porquê, me parece sempre ter a cadência de um hino:

      Ta, ta, ta, ta, ta, TÁ// Ta, ta, TÁ

      Talvez seja um hino ao mar que foi o berço de todas as espécies vivas ou já extintas. Essa é uma daquelas realidades que me maravilham, sermos todos tetaratetaratetara..............................................................................................................netos
      de microrganismos que foram evoluindo até formarem todas as espécies que hoje vivem sobre a Terra ou nos meios aquáticos, desde as profundezas dos oceanos às pequeninas poças de água onde a vida também abunda, se as observarmos ao microscópio São tontos os que imaginam que o conhecimento científico mata a poesia. Pelo contrário, eleva-a e potencia-a a todos os níveis.

      xi

      Eliminar
    3. Não acredito que tenha desaparecido um comentário enorme que acabava assim... " e isto é tão belo que me faz vir as lágrimas aos olhos"... pronto, acredito, desapareceu mesmo.

      Falava do meu coração avariado que apesar de estragado continua a ser um lugar de Paz e Amizade e do facto de eu imaginar o mar como pai e mãe, em simultâneo, nos primeiros tempos da vida sobre a Terra. Depois, quando a crosta sólida da Terra abrandou a sua fúria inicial, a terra passou a partilhar com o mar essas funções... Os menos distraídos dentre nós, humanos, ainda transportam em si restos dessa longínqua memória, creio eu. É por isso que alguns de nós se sentem tão profundamente atraídos pela terra e pelo mar...
      Xi

      Eliminar
    4. concordo, suponho que não há nada que mate a Poesia, poderá haver assim uma kriptonite que momentaneamente a enfraqueça, mas logo renasce como Fénix, para mais para quem é Poeta maior.
      Uma noite tranquila, Mª. João!
      Um grande Xi!

      Eliminar
    5. encontrei um teu comentário sobre o mar e a ciência e a terra mas supondo que não seria esse, em que dizes com razão que a ciência engrandece também a poesia, mas terminou da firma como descreves... Estas caixinhas pequeninas de comentários por vezes pregam-nos estas partidas umas bandidas.
      Fico feliz em pertencer, pelo que posso concluir, a essa parte de humanos ainda bastante... primitivos
      Uma noite reparadora assim como um fim-de-semana de descanso e atividades tranquilas.
      Outro grande Xi, querida Mª. João!🐦

      Eliminar
    6. Enquanto formos humanos, duvido muito que a poesia morra, por muito maltratada que possa ser... a arte, nas suas várias formas, faz parte da nossa espécie desde o princípio dos princípios...
      Um dia feliz para ti, Cotovia!

      Xi

      Eliminar
    7. Mas olha que estas caixinhas de comentário até são espaçosas se as compararmos com as do Facebook! A essas é que eu considero espaços claustrofóbicos e cabines de tortura medieval! Nem consigo ver quem ou o que lá vão pondo dentro, as mais das vezes parvoeiras sem o menor interesse...O que se passou com o comentário que desapareceu é que sem que eu passasse o rato por cima, ficou tudo azul e quando eu fui buscar o coraçãozinho à caixa dos emoticons, desapareceu tudo o que estava escrito... coisas da net

      Eliminar
    8. [<)] acontece com alguma frequência, por escrever no telemóvel, que o espaço ainda é mais reduzido e por vezes quando quero ler o que já escrevi para rever se está tudo bem, acabo por fazer regen e depois de aquela seta giratória começar em movimento é impossível recuperar o comentário tenho perdido muitos assim, provavelmente em alguns casos os seus destinatários e destinatárias recebem um comentário mais sucinto, o que não é obrigatoriamente mau
      Outro enorme Xi, Mª. João!

      Eliminar
    9. Não tenho um telemóvel desses, o meu é do Paleolítico das telecomunicações "wireless", só faz chamadas e está cheio até ao topo de convocatórias em SMS para consultas e exames hospitalares. A este comentário, perdi-o porque, de repente, ficou todo coberto de azul e, a seguir, em vez de esperar para ver se o azul desaparecia, fui buscar um e quando o depositei no sítio que queria, desapareceu tudo. Mas eu lembro-me de já te ter "dito" isto...
      Creio que estou a duplicar as minhas respostas e agradecimentos

      Eliminar
    10. o meu telemóvel é bastante evoluído de facto, e por vezes isso acaba por não ser lá muito bom pois passo a confiar em demasia nele para tudo e mais alguma coisa, desde as sms do centro de saúde, notificações, e-mails, agenda, bloco de notas, máquina fotográfica, lista de compras, blog e publicações, e com tanta valência já tive de lhe colocar mais um cartão de memória para conseguir ter todas as aplicações que uso, desde o tempo, até ajuda nos caminhos para ir a algum lado...
      Mas considero que é uma ferramenta excepcional! Primeiro estranhei quando mudei do meu Nokia com botões para estes de écran plano, mas depois, definitivamente ajudam numa imensidade de tarefas de trabalho, para o dia a dia e criatividades.
      Pensando bem, é mais um mini computador do que um telefone, e apesar de também o usar como telefone, se contabilizar, a maioria do tempo é como meu "assistente pessoal"
      Até poderia ter mantido o antigo só para chamadas e este para tudo o resto
      Enorme Xi, Mª. João!

      Eliminar
    11. Pois eu não prescindo da minha caixinha do Paleolítico... nem poderia, porque todas as convocatórias hospitalares estão inseridas no "sotware" da maquineta, já que o cartão SIM está cheio há mais de uma década...

      Além do mais, o ecrã do computador emula muito melhor a folha em branco, já que um blog é, para mim, um livro nunca acabado. Bem, nunca acabado até um dia...

      Um grande xi

      Eliminar
    12. Nem podes! Fazes muito bem, eu perdi o meu velhinho, fiquei muito desorientada quando isso aconteceu e demorei a aceitar a nova tecnologia e a mudança.
      Mas para grandes males grandes remédios, lá tive de me habituar e agora já não sei usar os antigos , questão de hábito acho eu.
      Depois de integrados os procedimentos tornam-se naturais, suponho
      Com tantos anos a trabalhar em desenho CAD em fundo preto ou branco ou cinza ou dependendo das configurações do utilizador, uso umas vezes de uma forma e de outras outra, bem como os screen savers que vou mudando conforme a disposição e humores.
      Mas uma coisa é certa, e podes ficar chocada, mas cada vez escrevo menos em formato não digital.
      Outro Xi Mª João.

      Eliminar
    13. Não fico nada chocada, não, que o mesmo se passa comigo e embora eu possa ter a "desculpa" de alguma perda ao nível da motricidade fina, sei muito bem que cada vez sinto menos a necessidade de pegar numa caneta e rabiscar seja o que for... Aliás, creio que a única coisa que ainda vou rabiscando são as listas de compras de fim-de-semana, para entregar ao MR, e os envelopes para o pagamento do Apoio Domiciliário. Não sei se é da velhice, mas a minha letra está muito mais feia e incerta do que o que era. E eu tinha uma letra lindíssima, praticamente igual à do meu pai. Poderia assinar por ele que nem um especialista em grafologia descobriria uma única diferençazinha, se eu quisesse, claro. Gostaria tanto, tanto de ainda poder atirar-me a uma grande prancha de madeira coberta de papel Canson de grão médio para ver como me sairia com os pastéis de óleo... Mas nem vale a pena pensar nisso porque já nem consigo manter-me de pé parada mais do que um ou, no máximo, dois minutos, nem tenho a força física necessária para os traços mais fortes, mais vindos das entranhas, que eu pintava tal qual como escrevo poesia...

      Eliminar
  5. O Mar é sempre uma inspiração para poetas e poetisas. Amei o poema
    *
    Fim de semana com Saúde, Paz e Amor.
    */*

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, Mariete!

      Sim o mar é uma infinda fonte de inspiração, sobretudo para nós, portugueses, que temos um país com uma área pequenina mas com uma imensa área marítima...

      Um fim de semana com muita Saúde, Paz e Amor!

      Eliminar
  6. Olá, querida amiga Maria João!
    Fui lendo com avidez.
    O Mar me fascina e quanto mais lia, mais ia imaginando o final.
    Ele, mesmo revolto, nos redime.
    Tem toda razão.
    Gostei muito.
    Deus abençoe você e sua família
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, querida Rosélia!

      Muito obrigada pelas suas palavras e que tenha um abençoado fim-de-semana junto dos seus!

      Beijinhos!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

SONETO - 8

NAS TUAS MÃOS

MULHER