UM SONETO PARA ANTÓNIO DE SOUSA
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UM SONETO PARA
ANTÓNIO DE SOUSA
*
São de astros os dez mastros dos teus dedos
E destros os teus estros decantados
Que enquanto livres voam são escoltados
Por montanhas cobertas de arvoredos
*
Picos armadilhados de rochedos,
Vales numa vertigem desenhados,
Despenhadeiros quase despenhados
De alturas outras, que não geram medos
*
São de astros feitos esses teus sonetos
Poeta da casaca de cometas,
Razão em suspensão sobre os afectos
*
Que calam, nos silêncios que prometas,
A dimensão dos justos e dos rectos
Que lá de longe vão traçando as metas.
*
Maria João Brito de Sousa
31.05.2020 - 15.20h
***
Reeditado
Olá Mª. João!
ResponderEliminarUma homenagem muito bonita ao avô António de Sousa.
Imagem vívida da Poesía, da tua excelente Poesia, da do Universo Poético imenso e entusiasmante do grande Poeta António de Sousa.
Muitas Pessoas criativas relatam que durante a criação estão na verdade a criar para uma Pessoa, ou entidade, e quando se tem a oportunidade de ler, como neste teu soneto, essa homenagem tão franca e directa é visível essa intencionalidade o que torna ainda mais emotiva a leitura.
Muito muito bonito.
Obrigada pela partilha desta reedição, Mª. João!
Um enorme, fortíssimo e anímico Xi!🐦
Um soneto muito bonito, para homenagear o avô. Muitos parabéns.
ResponderEliminarBom dia, Maria!
Um abraço
Obrigada, Cheia.
EliminarVenho tarde porque andei desde manhã cedo de Ceca para Meca, de consulta para laboratório com a minhas maleitas às costas. Estou a fazer um esforço para não voltar já para a cama, mas estou mesmo a sentir-me indisposta e exausta.
Um abraço!
Comovente esta homenagem ao Avô António de Sousa com palavras de imenso carinho e admiração. E que fotografia maravilhosa! Presumo que a pequenina seja a Maria João...
ResponderEliminarTudo de bom.
Uma boa semana.
Um beijo.
Sim, Graça, a pequenina sou eu, na casa da rua Luís de Camões, em Algés.
EliminarEstou a ter um daqueles tantos momentos menos bons em termos de saúde, nem tive ainda oportunidade de ir ao blog do Rogério a partir do qual acedo ao seu através dos links que ele disponibiliza no lado direito da página.
Obrigada! Tudo de bom e um beijo!
Desejo muito as suas melhoras, minha Amiga. Ponha-se boa depressa. Não gosto de a saber doente.
EliminarUm beijo.
Tenho várias mazelas crónicas, Graça... Boa, boa, nunca estou, mas só me queixo quando uma ou mais se agudizam e me impedem de escrever em paz porque a Musa é muito exclusivista, não me permite fraquezas e até das maleitas tem ciúmes :)
EliminarMas esteja descansada que farei tudo o que puder para me livrar deste mal estar. Não poderei é estar muito presente durante este mês porque tenho consultas e exames quase todos os dias.
Obrigada e outro beijo!
"...São de astros feitos esses teus sonetos..."
ResponderEliminarVotos de muita saúde.
Bem-haja, Francisco!
EliminarA minha saúde está a baixar tanto quanto o poder de compra dos reformados com pensão de velhice. A ver vamos no que isto tudo dá...
Um abraço!
Um Avô Poeta sempre presente MJ
ResponderEliminarBelo dia com alegria e recordações bonitas.
Beijinhos
Está muito presente, sim,
EliminarHoje não está a ser um dia nada bonito. Centro de Saúde, de manhã, onde fui muitíssimo bem atendida pelo meu médico de família e pela sua assistente depois consulta de enfermagem para ver o INR que continua baixíssimo e, a seguir, laboratório com análises de grande urgência. O pobre MR sempre a saltitar entre as aulas dele e os meus transportes, coitado, e eu a chegar a casa feita num oito e a adormecer até há pouco...
Que tenhas tu um dia feliz e sereninho!
Beijinhos!
Isto está tudo mal pontuado, credo! Penso que ainda estou meia a dormir...
Eliminar"São de astros feitos esses teus sonetos
ResponderEliminarPoeta da casaca de cometas,
Razão em suspensão sobre os afectos"
Tantos afectos neste soneto, que bela homenagem Maria João
Abraço cúmplice e os meus contínuos desejos de rápidas melhoras
:) A Casaca de Cometas tem direitos de autor e é um termo usado pelo meu avô para designar um velho robe de que gostava muito. Este termo aparece em alguns dos seus poemas, não me recordo exactamente quais... "Visto a minha casaca de cometas". Espera que talvez encontre um através dos filtros de pesquisa do Sapo. Cá está um!
EliminarEste viver de líricas fragrâncias
faz-me corar,
lá, onde a minha alma é toda-a-gente
como Deus manda.
Nas pálpebras a lágrima - o aljôfar,
como se diz no bem falar romântico;
dentro, a secura nua e crua dos desertos
onde não há sombra nem pão.
Ponho a minha casaca de cometas,
a ígnea farda de falar às musas,
e olho os esfarrapados
com literária piedade e o coração calado.
Caridade, perdão; Rainhas Santas
de palavras a passar na procissão das frases
e, se me tocam na pele,
fecho-me rápido como os dedos no cabo de um punhal.
Assim, estar assim, dói!
(neste doer de pôr em rezas...)
- Vamos! Quero o caminho de Estar para Ser;
talvez esta hora traga a da feliz viagem!
Esta hora!... a minha última descoberta:
terra fiel de paraíso ou horta?
Se vem chuva do céu, no céu me espero?
Se há água só nos poços, sobe ou desço?
Triste Vasco da Gama
no Mar das Trevas das perguntas velhas,
gastas, regastas, roídas
como cachimbos em segunda mão!
Ai, um pouco do travo do Eclesiastes!
- Vanitas vanitatum! (em latim
estas coisas ressoam bem melhor...)
enfim! Rei ou Poeta - figura de passar.
Confesso: não me confesso
para que me cuspam filosofias e saberes.
Quero a certeza de abraçar irmãos
para ser e sermos antes que a morte venha!
Quero o que negue em nós
o animal raivoso, a besta impura;
mas não quero o pecado de não ter pecados
enquanto houver pecadores.
António de Sousa
In "Sete Luas", Lisboa, 1954 - 2ª edição
Peço desculpa pelo "tu" que se me escapou e sobretudo pelo agradecimento que falhou porque foi atropelado pela urgência de encontrar um poema em que o avô falasse da sua "casaca de cometas" a "ígnea farda de falar às musas".
EliminarObrigada e um abraço, Cúmplice!
O que se não me escapa, é a beleza das palavras que vejo já ser hereditária, adorei o termo "casaca de cometas" e este soneto dá lhe tanto sentido.
EliminarObrigado eu, pela cumplicidade.
Obrigada, Cúmplice!
EliminarUm poema terno e de admiração. Gostei muito da criatividade do primeiro verso.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Obrigada, L.! :)
EliminarFoi uma segunda figura paterna, para mim, este meu avô.
Forte abraço
Se fosse eu teu pai
ResponderEliminarficaria enternecido
com tão belo poema
Abraço terno
Viva, Rogério! :)
EliminarAntónio de Sousa era meu avô, embora sempre o tenha visto como uma segunda figura paterna. Mas, sim, creio que ele ficaria enternecido se pudesse ler este soneto.
Abraço grande!