GLOSANDO NATÁLIA CORREIA - Reedição
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SOBE O PANO
*
Onde se solta o estrangulado grito,
Humaniza-se a vida e sobe o pano.
Chegam aparições dóceis ao rito
Vindas do fosso mais fundo do humano.
*
Ilumina-se a cena e é soberano,
No palco, o real oculto no conflito.
É tragédia? É comédia? É, por engano,
O sequestro de um deus num barro aflito?
*
É o teatro: a magia que descobre
O rosto que a cara do homem cobre
E reflectidos no teu espelho - o actor -
*
Os teus fantasmas levam-te pr`a onde
O tempo puro que te corresponde
Entre as horas ardidas está em flor.
*
Natália Correia.
***
DESCE O PANO
*
"Onde se solta o estrangulado grito"
Das algemadas mãos do desengano,
Redobra em esforço insano o ser convicto
Que actua, invicto, até que caia o pano.
*
"Ilumina-se a cena e é soberano"
O esforço (des)humano. Eu acredito
Porquanto a fundo o fito, em"mano a mano",
Qual de nós mais tirano... ou mais constrito?
*
"É o teatro: a magia que descobre"
O primeiro a esvair-se, o que se dobre,
Sobre esse seu reflexo - outro, afinal... -
*
"Os teus fantasmas levam-te pra onde"
Nem mesmo o teu reflexo te responde...
Desce o pano. O fantasma era o real.
*
Maria João Brito de Sousa
13.11.2016 -19.18h
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Uma homenagem com um soneto que pede meças a Natália.
ResponderEliminarSaúde, um abraço.
Obrigada, L.!
EliminarA Natália tem sonetos perfeitamente fabulosos em termos de conteúdo, mas nunca foi uma profunda conhecedora do soneto e dá algumas "gaffes" métrico-melódicas. Ela tem o génio, eu tenho o trabalho e a técnica perfeita, como qualquer boa operária de sonetos deve ter.
Conheci-a bem quando era menina e embora ele tivesse a fama de não gostar muito de crianças, fazia questão de ler tudo o que eu escrevia e chamava-me "extraordinária pequena poeta". Nunca me chamou de poetisa. Nem ela, nem o meu avô, nem o Nemésio me apodaram de poetisa.
Saúde e um abraço!
Esplêndida glosa, neste soneto impecável, poeta ou poetisa Mª. João, parabéns! Estas definições de género são uma questão complexa, que me ultrapassam... aliás também sou ultrapassada pela métrica como bem sabes, mas a paixão não é menor lá.
ResponderEliminarInclusive se tenho dificuldade em dizer ou escrever palavras de amor, em relação ao soneto e à poesia não tenho problema nenhum em dizer que o amo, amor que se torna sempre maior, alimentado pela chama do que aqui vais publicando e partilhando generosamente.
Beijinhos axicorãozados com enorme e grato Xi , querida poetisa Mª. João Brito de Sousa!
Aqui terei de te dizer que a enorme Natália não era uma profunda conhecedora da métrica, embora escrevesse sonetos esplêndidos em termos de conteúdo. Na qualidade de aprendiza, maravilha-te com o que ela cria, mas nunca a uses como modelo, na métrica...
EliminarAhhhhh Também te estás a apaixonar pelo soneto! Eu, que sou aprendiza de sonetos por pura paixão, fico radiante por sabê-lo!
Há uma coisa importantíssima que a Natália te pode demonstrar, tal como eu posso, numa escala de génio abaixo do dela: o soneto pode e deve ser escrito "fora da caixinha", em termos de conteúdo!
Um GRANDE beijinho axicoraçãozado
Pois, sem ofensa para a Natália, mas para que quero eu uma Natália se tenho uma Mª João como professora esplêndida?! Ora essa!
EliminarJá tive oportunidade de ler as poesias de Natália Correia, gostei sim, verdade, mas...que me desculpem todos, na minha opinião, a temática do conteúdo, em muito um erotismo até então exclusivo do género masculino, ajudou bastante ao conteúdo, bem como ao seu destaque no universo poético do país. Há um imenso mérito sim, claro, é uma poetisa fantástica, ímpar, (quem sou eu? ninguém) e o seu legado, o perfil pessoal íntegro, e a sua coragem são algumas das suas melhores características ( a par da inteligência, claro). Agora talento para conciliar a poética das palavras com a métrica intrínseca, isso é um dom, um talento.
E esse fora da caixinha, por vezes, não muitas, mas acontece-me como na letra da música dos Rádio Macau:
" pensei pintar o céu de azul, mas azul já ele era. Outro alguém teve ideia igual. Eu já não sei se hei-de ficar ou morrer o anzol. Já não há, já não há, nada de novo debaixo do Sol"....
Tenho encontrado imensas Pessoas com verdadeiro talento poético, uma delas tem um perfil no Instagram, chamado @a.menina.que.contava.historias
Aqui:
https://instagram.com/a.menina.que.contava.historias?igshid=MmU2YjMzNjRlOQ==
que verdadeiramente me encanta.
Com poucas palavras suscita imagens que perduram por dias inteiros, maravilhosa.
Um ENORME beijinho axicorãozado, querida Mª. João! Noite tranquila 💕🐦
Credo, estou mesmo a ficar velha caquética! Não imaginas o que me custou entrar no Insta, onde não posso abrir conta porque o meu telemóvel é uma daquelas caixinhas pré-históricas que só servem para falar e receber smss do hospital...
EliminarMas que a Sofia tem imenso talento, isso tem! E não me digas que foste tu que escreveste a letra dessa música dos Rádio Macau... Foste??? Agora fiquei toda confusa...
Um grande beijinho axicoraçãozado
A Sofia tem mesmo imenso talento, fico feliz que tenhas gostado.
EliminarMas acho que também dá para aceder através do computador ao Instagram... na visualização em página para computador em lugar de ser na aplicação. Eu estava muito renitente em usar Instagram, mas depois comecei a ver tantas pessoas lá, quer aqui no sapo quer como a Sofia, para mencionar apenas um exemplo, mas tem mais poetas/isas que andam por lá a espalhar a poesia que decidi experimentar, e pelo menos o espalhar está garantido, quanto mais não seja o meu, ao comprido que aquilo é um mundo por descobrir e curiosa como sou, estou a gostar.
Mas não, não fui eu que escrevi a letra dos Rádio Macau, até onde sei terá sido o irmão da vocalista, a Xana, que a escreveu. Mas são versos que me ocurren quando percebo que acabei de inventar qualquer coisa super banal e que já foi dita milhões de vezes... esse tal pintar o céu de azul
Beijinhos axicorãozados querida Mª. João! 💕🐦
Qué te ocurre , chiquita?
EliminarFico assustada só de pensar em entrar num espaço que tem um selo de leitura óptica, rsrsrs...
Sou um animal gregário, ia tendo uma coisinha má quando o Horizontes da Poesia se mudou para o Facebook...
Mas, tens razão, ninguém inventa nada, tudo já foi escrito e reescrito antes de nós o escrevermos, porém... ninguém o escreveu exactamente como nós escrevemos e é assim que as frases e até as palavras vão renascendo sob os nossos dedos
Estes beijinhos axicoraçõezados pegaram mesmo, hein?! Toma lá outro xi
foi sim, os axicorãozados ganharam raízes e pegaram mesmo embora também goste muito do XI que rima com o teu nome um beijinho axicorãozado e um Xi de boa noite, querida Mª. João, tem uma noite tranquila, bom sono.💕🐦
EliminarGostei muito, muitos parabéns.
ResponderEliminarA Natália era um vulcão a expelir poesia, e a Maria não lhe fica a trás nos sonetos.
Um abraço.
Muito obrigada, Cheia!
EliminarE aqui vai um soneto com alguns anos. Creio que vai gostar :) Um abraço!
A ILHA
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Serei sempre uma ilha de paixões
Rodeada de mundo a toda a volta,
Deserta por decreto da revolta
Que me encheu de lagoas e vulcões!
*
Em mim os animais são aos milhões
E correm como o verso, à rédea solta,
Pois por cima da lava que me solda
Lavrei um verde manto de ilusões...
*
E neste paraíso em que me dou
Entre embondeiros, relva e brancos lírios
Sou Arca de Noé de âncora presa...
*
Talvez alguém duvide do que sou,
Talvez seja mais um dos meus delírios,
Talvez seja uma forma de defesa...
*
Maria João Brito de Sousa - 2008
***
Gostei muito, muito obrigado, Maria!
EliminarBoa noite.
Um abraço
Boa noite, Cheia!
EliminarUm abraço!
Bem real esta nossa Poetisa
ResponderEliminarde punho sempre bem levantado
Bela tarde com alegria MJ, beijinhos
Olá, meu!
EliminarObrigada e que tenhas uma tarde muito feliz
Beijinhos!
Maria João
ResponderEliminarGostei desta Glosa à Natália Correia.
Fico muito feliz ao apreciar o seu talento para o soneto, que não é fácil escrever.
Uma semana cheia de paz e saúde.!
Um beijo
:)
Viva, Piedade !
EliminarMuito obrigada pela gentileza das suas palavras
Retribuo os votos de uma semana cheia de paz e saúde!
Um beijo!