MARÉS VIVAS

marés vivas 2.jpg


MARÉS VIVAS


ou


"POR MARES NUNCA DANTES NAVEGADOS"
*



Estava tão perto o mar e o nevoeiro


Tão espesso quanto um muro de cimento


Turbava-lhe a visão desse veleiro


Que, ligeiro, avançava contra o vento
*



Do mar sentia tão somente o cheiro


Que, do resto, tão só pressentimento


De velho e exp`rimentado marinheiro


Que de cor sabe as manhas deste tempo...
*



À Barca, quem a vê, quem a adivinha,


Se ela contra as marés ruma sozinha


E se, em silêncio, vai seguindo em frente?
*



Avança a dois milénios por segundo


Sem temer adernar, sem ir ao fundo,


Admirável, talvez... mas imprudente.
*



Mª João Brito de Sousa


06.09.2023 - 15.00h
***


ia.jpg

Comentários

  1. Respostas
    1. Sou eu quem agradece a leitura e a gentileza das palavras, Ana D.

      Um beijo

      Eliminar
  2. Olá olá querida Mª. João!
    Pois não é que mesmo antes de ler este teu belíssimo soneto, e fresquinho e vivo como uma maré viva de setembro, já tinha refletido sobre as manhas deste tempo?!
    E pois, assim nós iremos:

    "Avança a dois milénios por segundo
    Sem temer adernar, sem ir ao fundo,
    Admirável, talvez... mas imprudente."

    Que se a prudência se recomenda, o seu uso é tão aborrecido como este tempo pardacento pleno de cinzentude

    Obrigada pela partilha, é uma alegria poder apreciar a tua bela poesia, Mª. João!
    Enorme Xi ♥️! 🐦

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ai, linda Cotovia, eu tinha escrito este soneto - não este, mas um com o mesmo sentido - ontem à noitinha, mas o raio do antivírus reiniciou o computador durante a noite, eu não tinha guardado o ficheiro e quando dei por isso só tinha um pedacinho do soneto Não tive outro remédio senão reescrevê-lo sem a ajuda da Musa...

      Obrigada e outro GRANDE xi-

      Eliminar
    2. É terrível quando isso acontece, sei bem o que sofria quando usava mais o computador, as vezes o vírus atacava apenas por incompatibilidade com uma qualquer chave de um software ou por achar que a rede de internet é uma intrusa e terminar a sessão sem mais. No caso o telemóvel é também por isso uma ferramenta que não me deixa ficar mal tantas vezes senão quando está com a memória demasiado cheia e começa a rejeitar emojis
      Com musa ou sem musa está espectacular Mª. João! Parabéns mais uma vez.
      Grande e forte Xi, obrigada por partilhares a tua Poesia! 🐦

      Eliminar
  3. Excelente partilha!
    Boa noite, Maria!
    Um abraço

    ResponderEliminar
  4. Não ficou exactamente igual porque sou incapaz de reproduzir, palavra a palavra, três estrofes desaparecidas, mas o sentido é exactamente o mesmo, mais verbo, menos verbo, mais adjectivo, menos adjectivo... Recordava-me apenas da última palavra, imagina...

    Outro xi

    ResponderEliminar
  5. Brancas nuvens negras7 de setembro de 2023 às 00:39

    "Avança dois milénios por segundo"
    fantástico verso.
    Um abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, L.!
      Este soneto teve de ser reescrito hoje, por inteiro. O raio do antivírus reiniciou o computador durante a madrugada, eu não tinha guardado o ficheiro e o soneto desapareceu quase todo. Este verso não constava do soneto que escrevi ontem à noitinha... Há males que resultam em ganho, pelos vistos :)

      Um abraço!

      Eliminar
  6. E na crista da onda
    é que é bom, toda a aventura da nostalgia
    Belo dia com alegria MJ, beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, meu!

      Na crista da onda ou na dos algoritmos, agora todos nós somos essa barca que avança contra o vento sob um céu de nevoeiro...

      Belo dia e beijinhos !

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

UM VOO DE PARDAL - Soneto muito ligeiro, dedicado à Ligeirinha

OBRIGADA!

ESPANTO