UM VOO DE PARDAL - Soneto muito ligeiro, dedicado à Ligeirinha
UM VOO DE PARDAL * Eu, que tanto o pratico, sei tão mal As razões de voar do próprio engenho… Sinto que é muito meu, mas sei-o estranho E chego a acreditá-lo original Por vezes, volitando, é um pardal Que por mim passa a ver quando o detenho, Sabendo que eu, sem asas, não desdenho Um timorato adejo ocasional… E logo as mãos me adejam no teclado Por causa de um pardal me ter tentado, Por obra de tão parca tentação Que é caso pra dizer que ter voado Tem sempre uma razão, sempre um culpado E as culpas nunca são da própria mão… Maria João Brito de Sousa – 05.09.2012 – 20.10h Imagem de pardoca, retirada da net, via Google
Sorri, achei muita graça à sua resposta.
ResponderEliminarUm abraço.
Até eu sorri enquanto respondia, L.
EliminarÉ importante, porém, que se saiba que os intelectuais declararam guerra à poesia metrificada, a partir das primeiras décadas do século passado, completamente alheios ao facto de estarem a denegrir toda a nossa riquíssima poesia popular, quase toda escrita na medida antiga: a redondilha maior. Claro que compreendo esta necessidade de fugir à métrica, que eu acompanhei até aos meus 55 anos, mas não posso aceitar que se trate o soneto como uma coisa ultrapassada e vazia. Não o é, nem o será e há quase 17 anos que eu e muitos dos meus companheiros de sonetos o temos vindo a demonstrar.
Forte abraço!