SONETO A UMA DOR QUE VEM DO DESERTO
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Fotografia de Luís R. Rodrigues
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SONETO A UMA DOR
QUE VEM DO DESERTO
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"Como é triste e mata este deserto em volta"
Quando a dor se solta porque se desata
Da peia inexacta da minha revolta
E segue sem escolta, com espada de prata
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E escudo de lata, lança desenvolta...
Na reviravolta tudo desbarata;
Solta-se em cascata livre e desenvolta
Inunda-me absolta de ver-se inundada
*
E eu, sem mãos de fada, não posso detê-la,
Não posso prendê-la nem por um momento
Que o meu pensamento está cativo dela...
*
Fosse eu barco à vela veloz como o vento,
Mas sou muito lento, mais lento do que ela
Que ainda que bela me inveja o talento...
*
Mª João Brito de Sousa
22.09.2023 - 14.30h
***
Soneto em verso hendecassilábico com rima entrançada - interna e final - criado a partir de um verso de Luís Raimundo Rodrigues
Bom outono de paz, querida amiga Maria João!
ResponderEliminarCada um tem um talento e você nos seus sonetos dá um show, sem pressa...
Tenha uma nova Estação abençoada e feliz!
Beijinhos aconchegantes
Muito obrigada e um excelente Outono para si também, querida Rosélia.
EliminarBeijinhos aconchegantes!
Nostalgias
ResponderEliminarque se curam com umas cherovias
Belo fim de Semana MJ, beijinhos
Viva, !
EliminarNão sou muito dada a nostalgias, mas não me importava nada de me deliciar com um pratinho de sopa de cherovias... ou com um purezinho das ditas, que isto de me arrancarem os dentes todos e deixarem cá umas raízes, não ajuda nada
Belo fim-de-semana e beijinhos!
A profundidade do soneto e a beleza da imagem tornam esta publicação absolutamente maravilhosa.
ResponderEliminarEu é que invejo o talento dos meus amigos POETAS.
Abraço outonal 🍂 com a dor da ausência do verão ☀️
Bem-haja pela parte que me cabe, Teresa.
EliminarPor aqui, onde o Tejo abraça o Atlântico, o Outono continua a usar as roupagens do Verão...
Um abraço ainda soalheiro e escaldante!
Cara Maria João, que beleza, que emoção me fez sentir. Como é importante ter alguém que olha para nós.
ResponderEliminarUm abraço muito fraterno.
L
Sou eu quem lhe agradece por ter-me permitido utilizar dois versos seus que, unidos, formam um perfeito verso hendecassilábico, bem como pela esplêndida fotografia. O soneto é-lhe dedicado e tomei a liberdade de tentar pensar e falar por si, L.
EliminarUm muito fraterno abraço!
Muito bom!
ResponderEliminar"Que ainda que bela me inveja o talento."
Boa noite, Maria!
Um abraço
Obrigada, Cheia!
EliminarVotos de bom descanso e um abraço!
"...Fosse eu barco à vela veloz como o vento..."
ResponderEliminarBoa noite, Francisco!
EliminarNão sou eu o sujeito poético deste soneto, mas tomei a liberdade de expressar-me por ele.
Fraterno abraço!
Sentido pensar em _ 'como é triste e mata este deserto em volta'
ResponderEliminare alegra-nos a amizade de dois amigos talentosos, poetas, e muito muito queridos !
A beleza que só as palavras pode alimentar a ausência e a invisiblidade que nos une.
Obrigada por partilhar o 'soneto a uma flor ' ...
com bejinhos e carinho
Olá, linda Lis
EliminarObrigada pela parte que me cabe, já que o soneto foi inteiramente criado a partir da imagem e do primeiro verso, que são da autoria do Senhor das Nuvens.
Esta não-presença não é suficientemente forte para nos roubar a empatia e a necessidade de nos adivinharmos mutuamente
Beijinhos com carinho