CRAVOS DE ABRIL

cravo vermelho (3).jpg


CRAVOS DE ABRIL
*


(Aos velhos e aos que ainda estão em botão)
*



Se hoje vivemos revestidos


Do que pisaram mal floriu


E se nos soam aos ouvidos


Gritos que mais ninguém ouviu
*



Cuidai então dos que, oprimidos,


Deram ao chão que em flor se abriu


A força imensa dos sentidos


Que a burguesia então traiu!
*



Sei que calais esta verdade


Como quem esconde um pecadilho,


Que vos encheis da saciedade
*



De um pai que o foi sem ter um filho


E só semeia crueldade


Em searas-bomba sem rastilho!
*


 


Mª João Brito de Sousa


08.10.2023 - 16.00h
***



Nota - O meu primeiro soneto em versos octossilábicos de compasso binário,
com acentuação tónica na quarta e oitava sílabas métricas.


 


 

Comentários

  1. Para todos! Muito bom.
    Boa noite, Maria!
    Um abraço.

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  2. Brancas nuvens negras8 de outubro de 2023 às 20:28

    Continuamos a trazer um cravo na lapela da nossa memória.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
  3. Além de poema-bandeira
    ele adivinhou o meu caminho
    agora mesmo percorrido

    (se me visitares agora,
    perceberás o que te digo)

    Abraço mágico

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ups! Vou já, já ver do que falas!

      Abraço mágico... por que não?

      Eliminar
  4. Olá, querida amiga Maria João!
    Cuidar dos desvalidos é um desejo nobre de um grande coração.
    Um soneto altruísta cheio de bons propósitos.
    tenha dias abençoados na nova semana!
    Beijinhos com carinho fraterno

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa noite, querida Rosélia!

      Sim, cuidar dos desvalidos também é um propósito humanista.
      Que a nova semana lhe traga, também, dias abençoados

      Um beijinho carinhoso!

      Eliminar
  5. Acho lindo essa simbologia do cravo que permanece e cresce a cada ano que passa.
    Todos nós admiramos e amamos essa liberdade alcançada pelo seu País.
    Que nossos gritos sejam de Paz _ estamos precisando !
    grande abraço, Maria

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Embora nem sempre compreendidos, os cravos vermelhos continuam e continuarão a florir, Lis

      Sempre foram de justiça e de paz, os nossos gritos, os gritos que nunca calaremos...

      Um grande abraço

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