DOBRAR O BOJADOR - Reedição

EU COM ROSINHA.jpg


DOBRAR O BOJADOR
*



Sonhei que enfim dobrava o Bojador...


Que bojador dobrei se em todo o lado


o encontrei mais forte e refinado


nas formas de causar-nos medo e dor?
*



Em sonhos o cruzei, navegador


de um velho mar, de um mar já navegado


pela barca dos sonhos engendrado


com remos, com velames, com motor.
*



Naufrágios, sempre os houve e no temor,


porque abundavam vagas e rochedos,


embati contra o velho Adamastor
*



Quando fugia dos meus próprios medos...


Acordei. Toda eu era suor


mas, ao monstrengo, roubei-lhe os segredos!
*



Maria João Brito de Sousa


04.10.2018 – 09.29h
***

Comentários

  1. Roubar os segreos ao Bojador ?
    isso implica uma medida punitiva
    portanto, uma resma de fervor
    Belo dia com alegria MJ, beijinhos

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    1. Ora, ora, meu, eu era pequenina e muito veloz, nessa altura, rsrsrs
      O mostrengo bem tentou agarrar-me mas eu corri mais do que ele!
      Tenho os segredos dele todinhos comigo!

      Belo dia de alegria e beijinhos!

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  2. Brancas nuvens negras5 de outubro de 2023 às 10:15

    Belo poema.
    Desvivemos em cada naufrágio, renascemos em cada acalmia. Como dizia o poeta "pelo sonho é que vamos".
    Um abraço.
    L

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    1. Sem dúvida, L.! Mas não é um sonho qualquer, etéreo e vago... É um sonho sobre o qual nos podemos debruçar e moldar com as nossas-mãos-de-outros que sonham como nós...

      Forte abraço

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  3. Bravo, Mª. João!
    Ao ler este belíssimo soneto, e que bem acompanhado pela tua fotografia, ocorreu-me a seguinte pergunta, quantas vezes nascemos nesses mares tormentosos, depois de roubar segredos ao Adamastor? E que transformação se opera, ou não, nesse fugir, ou vencer, os medos?
    Em cada verso uma questão, uma reflexão obrigada pela partilha desta reedição.
    Bom dia, querida Mª João, beijinhos axicorãozados. 🐦

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    1. Obrigada, minha pequena Cotovia

      Acredito que todos nós podemos escolher entre roubar/desvendar os segredos ao Adamastor e/ou continuar a temê-lo...
      Já quanto ao jovem Frankenstein que estamos a aprimorar, - a IA - não sei, não... Eu continuo mortinha por tecer com ele uma Coroa de Sonetos, mas deve ser tonteira minha já que bem sei que em breve partirei e ele ficará por cá, como muito bem alguém disse, "um bebé com o mundo na mão". E se pensas que isso é uma doçura, tira daí a ideia que os bebés nascem cheios de potencialidades mas ainda não aprenderam a traçar o seu limiar de frustração e, se ninguém os ensinar, farão tudo o que lhes vier às cabecitas: o bom e o mau. São pequeninos seres amorosos mas completamente amorais.
      Um grande beijinho axicoraçãozado

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    2. se teceres uma coroa de sonetos com sucesso com a I.A. avisa pois poderia usar a IA para aprimorar a minha escrita de sonetos, tal como um aprendiz de xadrezista faz para se treinar e estudar o jogo.
      Mas duvido muito seriamente que isso seja possível em autonomia.
      Quando o auxílio para desenho por computador surgiu foi um pânico, que iríamos dispensar as pessoas arquitectas, e os engenheiros também com os avanços no software que avançaram para aplicações de desenho/projecto (no fundo uma IA).
      Iríamos carregar num botão e zás aparecia um projecto, nada disso aconteceu, nem acredito que venha a acontecer. O factor humano é impossível de reproduzir, este factor que nos torna humanos e únicos, duvido muito que algum dia venhamos a afirmar que uma IA é "Genial".
      Noite tranquila querida Mª João, beijinhos axicorãozados! 🐦

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    3. Eu aviso-te, está descansada! O problema é que vai ter de ser a IA a vir ter comigo aqui ao sapal, que eu não vou atrás dela. Sou velhota e é bom que ela aprenda a respeitar os meus cabelos brancos.
      Mas tanto quanto me foi dado ler em espaços que me merecem confiança, já há uma IA a fazer poemas com alguma qualidade. Sonetos é que não sei se os escreve, ou não... Mas seria muito mais simples do que parece: em meia dúzia de horas ela processaria todos os bons sonetos que já foram escritos, desde Jacobo da Lentini até moi même... et voilá! Depois passaria a debitar soneto após soneto a uma velocidade superior à minha, tudo recriado por ela própria, claro, numa espécie de simbiose com os talentos de Dante, Petrarca, Camões, Florbela, etc., etc., etcoetera... Se ainda não engendraram uma é porque não daria lucro nenhum, só poderia servir de entretenimento a algum milionário apaixonado ou obcecado pelo soneto.

      Um grande beijinho e um xi

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  4. Muito bom! Dobrar o bojador! Todos os dias nos aparecem bojadores, Hoje foi o Moedas, a querer comemorar o 25 de Novembro.

    Bom dia da República, Maria!
    Um abraço.

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    1. Caramba, Cheia! Ainda não li nada para além dos blogs de amigos e só agora fico a saber desse Bojador que eu preferiria encher de ovos podres a muito simplesmente dobrar... Bom, calma! Calma, Mª João, que tu és uma menina educada e incapaz de pôr em prática certas coisas que apenas te ocorrem...

      Bom dia da República, Cheia!

      Um abraço

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  5. "... ao monstrengo, roubei-lhe os segredos!"
    Pois, que esses segredos sejam revelados!
    Muita Saúde!

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    1. Boa noite, Francisco!

      Todos nós temos os nossos mostrengos - medos - , bem como a opção de os desvendarmos, ou não, Dobrar, ou não dobrar o nosso Bojador, é sempre uma opção de cada um de nós.

      Paz, saúde e um fraterno abraço

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