Acredito nos anjos sem asas porque tive o enorme privilégio de conhecer e ser incondicionalmente apoiada por um deles. Infelizmente, os anjos também morrem e este acaba de partir.
Não como nem onde fui buscar a coragem para continuar a Coroa que dedicaremos ao Manuel Rui, mas estou a trabalhar nela. Será a homenagem possível para quem tanto e tão sinceramente admirava os meus sonetos.
Coragem, muita força querida Mª. João , será uma bonita homenagem, tenho a certeza. Há algum tempo atrás perdi um grande amigo, muito novo, demasiado, fiquei com estas palavras na mente:" talvez viver honrando, talvez honrar vivendo", no sentido de me ter dito que quem ficava teria de o honrar vivendo duplamente, por nós e por ele. Não acredito que o tempo cure a saudade ou a dor, mas acredito que ficam para sempre connosco, e nós com eles, e um dia, entenderemos que somos um só. Um Xi muito apertado querida Mª. João.
Já escrevi o 12º soneto, mas é tarde e não sei se o Custódio escreverá ainda hoje o 13º... De qualquer forma, também já me sinto exausta, não sei quanto tempo aguentarei sem me ir recostar na cama... Sabes, linda Cotovia, o MR vinha sempre pedir-me autorização para dizer um poema meu sempre que algum dos seus familiares e colegas de trabalho fossem a enterrar ou a cremar. Eu dizia-lhe sempre que sim, que escolhesse à vontade... Sei que ele sempre gostou muitíssimo dos meus sonetos e foi por isso que senti que terminar esta coroa e dedicar-lha seria uma homenagem de que ele gostaria muitíssimo, se ainda estivesse entre nós e pudesse lê-la... "Tem uma obra ímpar!", dizia-me frequentemente. Mas foi ele que enquanto vivo viveu por mim porque me transportava às vezes duas e três vezes por semana até aos hospitais, fazia-me todas as compras de farmácia e supermercado, atarraxava lâmpadas, dava um jeitinho nos electrodomésticos ou nas torneiras, ficava a dormir num saco cama no chão da sala quando os médicos recomendavam que eu não ficasse só... Até a minha Mistral que não entende rigorosamente nada do que se está a passar, anda tristonha por sentir a falta da sua presença e das suas eternas brincadeiras. A favorita era a projecção da luz solar no chão, através dos óculos dele: formava uma espécie de pequenas bolinhas luminosas que ela em vão tentava caçar. Muito nos rimos os dois com as caçadas luminosas da Mistral!
Bons momentos que fazem parte de ti querida Mª. João, são esses nos que agora vives que te amparam e confortam neste momento de dor. Mesmo sem saberes onde foste buscar forças para dedicar uma coroa de sonetos ao querido MR, é ao bem querer, amizade, partilha, e afecto, essas bolinhas luminosas que guardas para sempre, que te acompanham e fazem parte de ti que está essa forma de resistir e conseguires tornar o sofrimento impossível, uma dádiva possível. Beijinhos e um enorme Xi querida Mª João.
A Coroa já está publicada e ainda nem tive a oportunidade de agradecer ao poeta amigo Custódio Montes. Terei também de telefonar à irmã do MR para saber dos preparativos para o funeral, mas ainda não tive coragem.
Ahh que triste ! essa separação é tão doída que a ente perde as palavras, Maria Sinto sua dor e fico contigo em pensamento. Um dia, encontraremos todos os que amamos. Obrigada pela abraço que deixastes para mim. Desejo-te um restabelecimento rápido e muita Fé, amiga . Com carinho
UM VOO DE PARDAL * Eu, que tanto o pratico, sei tão mal As razões de voar do próprio engenho… Sinto que é muito meu, mas sei-o estranho E chego a acreditá-lo original Por vezes, volitando, é um pardal Que por mim passa a ver quando o detenho, Sabendo que eu, sem asas, não desdenho Um timorato adejo ocasional… E logo as mãos me adejam no teclado Por causa de um pardal me ter tentado, Por obra de tão parca tentação Que é caso pra dizer que ter voado Tem sempre uma razão, sempre um culpado E as culpas nunca são da própria mão… Maria João Brito de Sousa – 05.09.2012 – 20.10h Imagem de pardoca, retirada da net, via Google
Não sei como gerir tanta emoção Nem sei como vos hei-de agradecer Tudo isto aconteceu e eu sem saber Como expressar a minha gratidão Se cada um de vós é meu irmão Na nova dimensão, no renascer, É também vosso tudo o que eu fizer, Cada traço a nascer da minha mão... Pr`a todos vós que não vejo, mas sinto, (serei sempre leal pois nunca minto) O meu muito obrigada e os meus versos! A todos vós prometo esta partilha De mulher inventada numa ilha Algures entre inventados universos...
(Soneto em decassílabo heróico) Meu espanto, como bicho degolado, É este quase-nada, este destroço, Que embora reduzido a pele e osso Faz frente a quem o tenha encurralado, É este não temer ser confrontado Com força natural, fera ou colosso, Que nega a frustração do “já não posso!” E muda, à dura sorte, o resultado. Meu espanto mora em mim, comigo vive, Mas pode exacerbar-se onde eu nem estive Se as asas dum poema o transportarem, Porque traz quanta força eu jamais tive Se enfrenta humilhação que o esgote ou prive Da voz que os sonhos meus lhe não negarem. Maria João Brito de Sousa – 30.10.2013 – 15,16h Imagem retirada da página do Partido Comunista Português
Lamento muito, os meus sentimentos querida Mª. João. Que repouse em paz.
ResponderEliminarAbraço forte.
Um abraço muito, muito apertado, querida Mafalda Cotovia
EliminarNão como nem onde fui buscar a coragem para continuar a Coroa que dedicaremos ao Manuel Rui, mas estou a trabalhar nela. Será a homenagem possível para quem tanto e tão sinceramente admirava os meus sonetos.
ResponderEliminarUm grande, grande abraço, querida Cotovia
Desculpa... "Não sei como nem onde"...
ResponderEliminarCoragem, muita força querida Mª. João , será uma bonita homenagem, tenho a certeza.
EliminarHá algum tempo atrás perdi um grande amigo, muito novo, demasiado, fiquei com estas palavras na mente:" talvez viver honrando, talvez honrar vivendo", no sentido de me ter dito que quem ficava teria de o honrar vivendo duplamente, por nós e por ele.
Não acredito que o tempo cure a saudade ou a dor, mas acredito que ficam para sempre connosco, e nós com eles, e um dia, entenderemos que somos um só.
Um Xi muito apertado querida Mª. João.
Já escrevi o 12º soneto, mas é tarde e não sei se o Custódio escreverá ainda hoje o 13º...
EliminarDe qualquer forma, também já me sinto exausta, não sei quanto tempo aguentarei sem me ir recostar na cama...
Sabes, linda Cotovia, o MR vinha sempre pedir-me autorização para dizer um poema meu sempre que algum dos seus familiares e colegas de trabalho fossem a enterrar ou a cremar. Eu dizia-lhe sempre que sim, que escolhesse à vontade... Sei que ele sempre gostou muitíssimo dos meus sonetos e foi por isso que senti que terminar esta coroa e dedicar-lha seria uma homenagem de que ele gostaria muitíssimo, se ainda estivesse entre nós e pudesse lê-la... "Tem uma obra ímpar!", dizia-me frequentemente. Mas foi ele que enquanto vivo viveu por mim porque me transportava às vezes duas e três vezes por semana até aos hospitais, fazia-me todas as compras de farmácia e supermercado, atarraxava lâmpadas, dava um jeitinho nos electrodomésticos ou nas torneiras, ficava a dormir num saco cama no chão da sala quando os médicos recomendavam que eu não ficasse só... Até a minha Mistral que não entende rigorosamente nada do que se está a passar, anda tristonha por sentir a falta da sua presença e das suas eternas brincadeiras. A favorita era a projecção da luz solar no chão, através dos óculos dele: formava uma espécie de pequenas bolinhas luminosas que ela em vão tentava caçar. Muito nos rimos os dois com as caçadas luminosas da Mistral!
Um xi muito apertado também para ti
Bons momentos que fazem parte de ti querida Mª. João, são esses nos que agora vives que te amparam e confortam neste momento de dor.
EliminarMesmo sem saberes onde foste buscar forças para dedicar uma coroa de sonetos ao querido MR, é ao bem querer, amizade, partilha, e afecto, essas bolinhas luminosas que guardas para sempre, que te acompanham e fazem parte de ti que está essa forma de resistir e conseguires tornar o sofrimento impossível, uma dádiva possível.
Beijinhos e um enorme Xi querida Mª João.
Obrigada, minha pequena Cotovia.
EliminarA Coroa já está publicada e ainda nem tive a oportunidade de agradecer ao poeta amigo Custódio Montes. Terei também de telefonar à irmã do MR para saber dos preparativos para o funeral, mas ainda não tive coragem.
Um grande, grande xi
Ahh que triste ! essa separação é tão doída que a ente perde as palavras, Maria
ResponderEliminarSinto sua dor e fico contigo em pensamento.
Um dia, encontraremos todos os que amamos.
Obrigada pela abraço que deixastes para mim.
Desejo-te um restabelecimento rápido e muita Fé, amiga .
Com carinho
Obrigada, querida Lis.
EliminarUm abraço muito apertado
Que triste quando se perde algum dos nossos, um pouco de nós morre também. Os meus sentimentos.
ResponderEliminarUm abraço solidário.
L
Bem-haja, L.
EliminarUm abraço apertado também para si
Momentos felizes
ResponderEliminarque ficam em nós e recordamos MJ
Belo dia em harmonia, beijinhos
Obrigada,
EliminarUm abraço apertado