CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XII
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Imagem fotografada de um velho calendário meu
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CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XII
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POIS MEUS OLHOS NÃO DEIXAM DE CHORAR
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Pois meus olhos não cansam de chorar
Tristezas não cansadas de cansar-me;
Pois não se abranda o fogo em que abrasar-me
Pôde quem eu jamais pude abrandar;
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Não canse o cego Amor de me guiar
Donde nunca de lá possa tornar-me;
Nem deixe o mundo todo de escutar-me,
Enquanto a fraca voz me não deixar.
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E se em montes, em prados, e em vales
Piedade ainda mora e vive Amor
Em feras, plantas, aves, pedras, águas;
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Ouçam a longa história de meus males,
E curem sua dor com minha dor;
Que grandes mágoas podem curar mágoas.
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Luiz de Camões
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E credes, meu Senhor, que a dor imensa
Curada possa ser por dor igual,
Ou que juntando um mal a outro mal
Possa sanar-se a dor? Que recompensa
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Poderá receber quem assim pensa?
Se sofre o sofredor, de que lhe vale
Multiplicar-lhe a dor juntando sal
A gangrena que a si lhe não pertença?
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Mas se, como dizeis, vos ouve o mundo,
Se há realmente amor em planta e besta
Ou nas águas do poço mais profundo
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Segui-me! Amordaçai a voz funesta
Que vos condena à dor cada segundo,
E vinde contemplar a vida em festa!
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Mª João Brito de Sousa
28.02.2024 - 11.15h
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O soneto de Camões foi retirado do blog Sociedade Perfeita
Mais um belíssimo soneto, a falar com o Camões!
ResponderEliminarBoa tarde, Maria João!
Um abraço.
É um soneto/resposta que nasceu quando eu menos esperava... mas saiu, Cheia :)
EliminarObrigada e outro abraço
Se tal fosse concurso
ResponderEliminarE eu fosse chamado a votar
Ficaria feito num fuso
E acabaria por os empatar
Queres melhor elogio?
Abraço em forma de aplauso
Não senhor, não quero nem, por sonhos, maior elogio, querido amigo.... nem este penso merecer, mas que estou a gostar de interpretar o papel de alguém que conversa em soneto com Camões, isso estou!
EliminarAbraço muito agradecido
Que pena Camões não poder ler as suas respostas.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Até eu tenho pena, L., mas a vida pregou-nos a partida de nos fazer nascer à distância de quase 500 anos um do outro...
EliminarResta-me vestir a pele de alguém que fale com ele, em soneto camoniano, nada mais posso fazer...
Obrigada e um forte abraço!