CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XIII
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Imagem Pinterest
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CONVERSANDO COM CAMÕES XIII
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DOCES LEMBRANÇAS DA PASSADA GLÓRIA
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Doces lembranças da passada glória,
Que me tirou fortuna roubadora,
Deixai-me descansar em paz uma hora,
Que comigo ganhais pouca vitória.
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Impressa tenho na alma larga história
Deste passado bem, que nunca fora;
Ou fora, e não passara: mas já agora
Em mim não pode haver mais que a memória.
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Vivo em lembranças, morro de esquecido
De quem sempre devera ser lembrado,
Se lhe lembrara estado tão contente.
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Oh quem tornar pudera a ser nascido!
Soubera-me lograr do bem passado,
Se conhecer soubera o mal presente.
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Luíz de Camões
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Se conhecer pudésseis o presente
Enquanto no passado o desdenháveis,
Vossos versos bem menos memoráveis
Seriam para mim... pra toda a gente
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Que quem na glória vive ingloriamente
Memórias não terá porque improváveis,
Desnecessárias, loucas, impensáveis
Cousas que o vencedor sequer pressente...
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Se hoje essa glória é cousa do passado,
Memorá-la cantando é bem maior
Do que ansiar condená-la a repetir-se
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Lembrai-a pois! Um dia será Fado,
Cantado à noite quando o sol se for
E a lua vier chamar por Circe.
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Mª João Brito de Sousa
29.02.2024 - 11.00h
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O soneto de Camões foi transcrito do blog Sociedade Perfeita
Muito bom dia Maria João e que lindas conversas se vão desenrolando entre os grandes da poesia, um no passado outra no presente mas eternos nas palavras.
ResponderEliminarBeijinhos muito grandes para Si e para a Mistral. Dia feliz
Bom dia, Sofia
EliminarAs minhas conversas com Camões são as possíveis... Nunca ele me responderá e jamais teceremos uma Coroa em conjunto. Que fazer? A vida concebeu-nos a 500 anos de distância um do outro...
A Mistral ainda está a dar-me muito trabalho... mas, que digo?! A Mistral vai continuar a dar-me muito trabalho enquanto ambas vivermos, que gato diabético é-o para toda a vida. Mas já consegue movimentar-se melhor e até já voltou a arranhar-me o joelho esquerdo, que é a forma de me avisar que estou a "perder demasiado tempo com o computador e que devo fazer-lhe umas festinhas" :)
Mas que estou atrapalhada com o tempo, estou e tenho a impressão de que me esqueci de um dos meus comprimidos da manhã
Beijinhos muito grandes e um feliz dia para ti também
Beijinhos Querida Maria João, e tudo é como é.
EliminarCamões no seu tempo e a Grande Maria João no agora e a Mistral mesmo com as limitações a ser uma gatinha que quer atenção e mais mimos do que já tem. Tudo a ser tudo a ocorrer... e nós do lado de cá a agradecer. Obrigado por tão generosas partilhas e que o sol as ilumine assim como a sua Musa.
Pois, Sofia, o pior é que eu bem quero correr, mas ando apenas, trôpega e em "slow motion", rsrsrs
EliminarMas amanhã terei de correr um pouco mais que é dia de hospital - não veterinário, desta vez - e de controlo do INR - índice de fluidez do sangue - no ACES Oeiras. Vou chegar a casa tão partidinha, tão partidinha, que duvido muito que consiga responder a Camões...
Obrigada pela gentileza das tuas palavras
Beijinhos então e que amanhã o tempo seja gentil para tão importantes voltas.
EliminarSão importantes porque têm mesmo de ser dadas, mas são voltas muito, muito aborrecidas: pica o braço aqui, pica o dedo acolá...
EliminarE agora passámos a ser duas com a mesma aborrecida rotina: pica braço, pica dedo, pica patinha
Beijinhos
Belíssimo, Maria João!
ResponderEliminarBom resto de dia.
Um abraço.
Obrigada, Cheia!
EliminarBom resto de dia e
Outro abraço!
Nunca Camões,
ResponderEliminarNos seus sonhos mais ousados
Pensara ter tal privilégio, gosto e fama
De conversar com tão dotada Dama
Que herdou o talento,
O prazer de escrever poemas
Dos seus queridos antepassados.
Beijinhos, Maria João.
Obrigada, Janita
EliminarÉ pena que ele não possa responder-me, depois de eu ter encetado uma conversa que forçosamente será de curta duração, mas a mais não posso aspirar e está a ser-me muito, muito gratificante poder responder a Camões em verso camoniano.
Antepassado será de todos nós, sonetistas, sim. Conheço alguns ramos da árvore genealógica da família paterna e da materna, mas nenhuma delas percorre estes longos 500 anos que nos separam...
Por aí, há quem acredite que sou a reencarnação de Luiz Vaz de Camões e eu não consigo apresentar provas em contrário, a menos que alguém queira fazer um delicado estudo de ADN para o qual me prontificaria sem olhar para trás. Afinal de contas ando sempre a ser picada para me controlarem as mazelas autoimunes e o INR. Mais pica, menos pica, nem daria pela diferença... :)
Beijinhos
Pois é, Mª João , acho que deveria ter escrito - acho não, tenho a certeza - em vez de 'antepassados', ascendentes.
EliminarPois essa palavra que escrevi significa todas as gerações do nosso país, que viveram antes de nós e não da nossa família.
(Dos seus queridos ascendentes)
Tá feita a correção e já não precisa ser picada.
Obrigada e um forte abraço.
Olá, Janita! :)
EliminarDe duas picadas não me livro, não, que vou levar uma no sangradouro do braço amanhã de manhã e, logo a seguir, outra num dedo para controlo do INR...
E quando chegar o calorzinho, é verem-me toda picadinha pela mosquitada que até parece que estou com sarampo, apesar da enorme quantidade de repelentes com que me besunto da cabeça aos pés... Antigamente havia um repelente que funcionava às mil maravilhas, o TABARD, que agora desapareceu das farmácias cá do burgo. Os outros não adiantam absolutamente nada.
Obrigada pela correcção, não valia a pena ter-se incomodado.
Forte abraço
Jamais eu ousaria conversar com Camões, falta me a arte e o jeito, valha me a Maria João
ResponderEliminarE que nunca percas essa vontade de conversar, mesmo que ele responder não possa, nos aqui estaremos para ouvir, ou neste caso ler.
Apraz me saber que este dia deu algum descanso para a escrita
Desejos cúmplice de um bom resto de semana
Hoje deu, Cúmplice, mas amanhã dificilmente dará que tenho de ir de manhã para o hospital fazer exames e, depois, passar pelo ACES Oeiras para exames de controlo do INR.
EliminarVai ser um dia daqueles .... daqueles de que a Musa costuma fugir a sete pés E eu entendo-a porque faria exactamente o mesmo se pudesse...
Bom resto de semana e um abraço
Tudo a correr bem Maria João, são os meus cúmplices desejos
EliminarHospitais, laboratórios, veterinários... ai, infelizmente preciso deles como de pão para a boca, mas já não posso vê-los à minha frente. É que tenho passado neles uma muito substancial parte da minha vida e, ainda por cima, tenho de perturbar a vida dos amigos que fazem o favor de me transportar até lá e, depois, de lá até casa
EliminarObrigada pelos seus cúmplices desejos
Abraço