CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO IX
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CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO IX
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NUNCA EM AMOR DANOU O ATREVIMENTO
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Nunca em amor danou o atrevimento;
Favorece a Fortuna a ousadia;
Porque sempre a encolhida cobardia
De pedra serve ao livre pensamento.
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Quem se eleva ao sublime Firmamento,
A Estrela nele encontra que lhe é guia;
Que o bem que encerra em si a fantasia,
São umas ilusões que leva o vento.
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Abrir-se devem passos à ventura;
Sem si próprio ninguém será ditoso;
Os princípios somente a Sorte os move
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Atrever-se é valor e não loucura;
Perderá por cobarde o venturoso
Que vos vê, se os temores não remove.
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Luiz de Camões
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Removei, pois, Senhor, vosso temor:
Se me atrevo a convosco conversar
Não posso ao vosso tempo recuar
Mas sempre terei dado o meu melhor
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Atrevida serei, mas... por favor,
Vede bem que tentei não macular
O verso heroico puro e exemplar,
Em que vos expressais, Mestre e Senhor.
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Não sei se a vossa estrela alcançarei
Nem se ouvireis aquilo que vos digo,
Mas posso-vos jurar que o tentarei
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E ainda que tentá-lo seja um p`rigo,
A esse p`rigo nunca o temerei
Se em vós, Senhor, achar um bom amigo
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Mª João Brito de Sousa
23.02.2024 - 11.50h
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O soneto de Camões foi transcrito do blog Sociedade Perfeita
Que lindo Maria João, sonetos entre titãs da poesia , beijinhos e votos de boa saúde para si e para a Mistral.
ResponderEliminarVotos de bom fim de semana.
:) Olá, Sofia!
EliminarA Mistral está um nadinha melhor, mas ainda urina por dez ou doze gatos o que significa que ainda não está estabilizada... e eu, tenho o INR nos píncaros do Everest... Estou à espera de indicações médicas, cheia de trabalho e confesso, um bocadinho receosa pela Mistral e até por mim, embora não tanto por mim que "vaso ruim não quebra", rsrsrsrs
Um bom fim-de.semana e beijinhos
Beijinhos para as duas.
EliminarObrigada!
EliminarOlá querida Mª João.
ResponderEliminarBelíssima escolha de conversa com Camões "Porque sempre a encolhida cobardia/De pedra serve ao livre pensamento." E não há nada que vos separe pois tudo vos aproxima, a alma poética e apaixonada, a coragem, o talento, a força de vontade pois escrever poesia é sim uma questão de inspiração, mas é também e muito, uma questão de disciplina e trabalho duro, como o teu, diário, continuo. Bravo para a tua resposta, pois não tem mácula, é corajosa por apesar do temor tentares e avançar neste conhecimento do trabalho de Camões num diálogo tão bonito como virtuoso, diria mesmo, surpreendente pois é muito inovador, com a tua força vences 500 anos de distancia, cimo se fossem minutos, tal como nas amizades verdadeiras: "Se em vós, Senhor, achar um bom amigo." Todos os perigos podem ser enfrentados.
Votos de que a Mistral esteja a recuperar, mil xi para ti, querida Mª João, e para a doce Mistral muitas festinhas e umas marradinhas pequenas que está a recuperar.
Obrigada, minha querida Cotovia!
EliminarComo estava, em simultâneo, a tecer uma Coroa com o Custódio Montes, escrevi-o um pouco receosa, mas só no início que depois de começar nem me lembro de mais nada...
Quanto à Mistral, parece ligeiramente melhor mas ainda produz oceanos de urina, o que indica que a sua diabetes não estabilizou ainda... E, ai, o meu INR enlouqueceu completamente e foi parar aos 5.8 :( Aguardo telefonema médico ou da enfermeira que contactar o médico disponível... também ainda não tenho conta bancária porque a anterior foi encerrada por óbito do segundo titular e nem entendo como estou a escrever tanto debaixo de todo este stress
Um grande, grande xi
E de tanta insistência e brilho o Poeta ouvirá.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Não acredito na vida para além da morte e decomposição do corpo, mas a (im)possibilidade é tão tentadora que não me importaria de estar enganada, L.! :)
EliminarUm forte abraço!
Excelente conversa, que espero continue. Muitos parabéns, Maria João!
ResponderEliminarUm abraço.
Obrigada, Cheia!
EliminarMais logo, por volta da hora do jantar, vou publicar uma coroa nova que teci com o poeta e sonetista Custódio Montes... amanhã logo verei, que não estou nada bem, mas penso que não vou resistir a nenhum soneto de Camões.
Outro abraço!