FILHO DAS TEMPESTADES - Reedição
![]()
António de Sousa fotografado por António Pedro Bito de Sousa
*
FILHO DAS TEMPESTADES
*
Andou perdido por remotas plagas
Sem bússola nem vela. Era a Paixão
Quem o mantinha à tona sobre as vagas
Do mar da sua imensa solidão
*
Cerrava as mãos. Fechadas como garras
As levava do leme ao coração
Quando da barca soltava as amarras
Aos primeiros sinais de um furacão
*
E assim se fazia à tempestade
Como à bonança os outros se faziam
Mal o vento amainava o seu furor
*
Pra si, porém, o vento é liberdade
E os raios são pendões que o desafiam
A vencê-los em espanto e garra e cor.
*
Mª João Brito de Sousa
21.02.2023 - 10.00h
***
Ao meu avô poeta
Bonita homenagem, Maria João!
ResponderEliminarUm abraço.
Obrigada, Cheia.
EliminarUm abraço
Fui muito sensível à primeira quadra deste seu soneto, identifiquei-me com o que deixou escrito.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Acredito que sim, L.
EliminarEm muitas coisa também eu me identifico com este esboço poético do meu avô.
Um abraço!
Amar o mar. Sentir que o vento é liberdade. Ser filho das tempestades. Como ser indiferente a o que escreve se sinto o mesmo? Tão belo, minha Amiga Maria João.
ResponderEliminarTudo de bom.
Uma boa semana.
Um beijo.
Assim vi sempre este meu avô poeta junto de quem cresci, Graça.
EliminarTudo de bom para si que por aqui nem por isso as saúdes vão grande coisa. Nem a minha, nem a da minha gata Mistral.
Um beijo
Que lindo! Os avós são sempre muito amados !
ResponderEliminarDeixou um legado sentimental e poético para a neta ,que retribui lindamente !
Um abraço grande até que volte mais amiúde. Fuso horário, vários aiports para
chegar ao destino final me cansou _por isso um pouco mais de demora .
Deixei lá uma mensagem explicativa :))
Parabéns pelo avô poeta e pela sensibilidade habitual com as palavras.
Grande abraço
Olá, Lis
EliminarObrigada! :) Descansa então um pouco antes de retomares as tuas actividades nos blogs.
O "jet lag" pode ser mesmo muito incomodativo e durar mais do que aquilo que pensamos.
Outrro grande abraço para ti
Fico sempre siderada com os seus Sonetos, Mª João.
ResponderEliminarEste, é mais um que toca fundo em todos nós.
O Avô é o senhor da foto, a fumar cachimbo?
Um beijinho grande.
Sim, Janita, o senhor do cachimbo é o meu avô poeta fotografado pelo meu pai na nossa casa de Algés.
EliminarEste cachimbo, embora partido, ainda está comigo...
Obrigada por ter gostado desta minha muito real visão do meu avô desse tempo, nesse tempo. Pouco depois morreria a minha avó e ele viria a ter o seu primeiro acidente vascular cerebral que o deixou intelectualmente intocado, mas que lhe reduziu a mobilidade. Muitos outros pequenos AVCs se seguiriam ao primeiro e a todos foi vencendo, mas a mobilidade nunca voltou ao seu normal apesar da fisioterapeuta que ia lá a casa três vezes por semana tentar que ele não ficasse acamado e conseguisse dar alguns passos, bem como recuperar os movimentos do braço direito.. Também a tristeza da perda da minha avó contribuiu para que, aos poucos, se mantivesse afastado de todos os seus amigos de uma vida, a muitos dos quais sobreviveu. Com a excepção do engenheiro Raúl Martins que o visitava diariamente, já aqui em Nova Oeiras, e da Natália Correia que veio cá a casa umas duas ou três vezes, o Nemésio, o Pavia, o José Régio, o António Sérgio e tantos mais, foram partindo a curtos intervalos uns dos outros sem que nós, filho, nora e netas, tivéssemos tido coragem para lho dar a conhecer. Até o irmão mais velho de meu pai se lhe adiantou na morte sem que ele viesse a sabê-lo. Receávamos que novos desgostos viessem reacender a depressão em que mergulhou quando a minha avó partiu. Hoje não sei se a nossa decisão foi a mais correcta ou se foi apenas a que imaginámos que o seria...
Um beijinho grande
Maria João
ResponderEliminarEste soneto é terno é doce e foi uma bela homenagem ao seu avô.
Gostei muito da foto!
Enquanto lia o soneto, só me lembrei do meu pai.
Tão bonito tudo isto aqui!
Boa semana.
Deixo um beijo
:)
Obrigada, Piedade
EliminarEste me avô foi, na verdade, a minha segunda figura paterna, tal como a sua mulher foi, para mim, uma segunda figura materna.
Obrigada, boa semana e
Um beijo