O SILÈNCIO DAS MUSAS

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O SILÊNCIO DAS MUSAS
*



Anda o demónio à solta em terras lusas:


Nunca tanto indeciso (in)decidiu


E alguns vão já temendo o que se viu


Nos anos do silêncio, até pra musas
*



Que muitas vi ao lado das reclusas


Do velho Aljube. A treva as consumiu,


Mas nunca delataram que as uniu


A mesma garra que as tornara intrusas...
*



Voaram quando Abril floriu em cravos


E só então choraram de alegria:


De novo o mel da vida abria em favos
*



E era o mesmo mel que eu recolhia


Pr`amenizar a dor dos desagravos


Que sobre elas choveram noite e dia.
*


 


Mª João Brito de Sousa


29.02.2024 - 21.00h
***


 

Comentários

  1. Falando de Musas... e de Camões. E se lhe dissessem que as Musas de Camões são as mesmas que a inspiram.
    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. Se me dissessem tal coisa, responderia que duvido muito :) Aquilo a que eu chamo Musa é um estado de espírito, um entusiasmo que de quando em quando me arrebata, não é nenhuma entidade real ou fictícia. Haverá milhares delas por aí, mas nunca duas serão exactamente iguais... a menos, claro, que ainda que não acreditando na sobrevivência da alma à morte e decomposição da carne, eu esteja redondamente enganada e seja mesmo a reencarnação de Luiz Vaz de Camões

      Um forte abraço, L.!

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