RAZÕES PARA A RAZÃO DO NASCIMENTO DE UM SONETO

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RAZÕES PARA A RAZÃO DO NASCIMENTO DE UM SONETO
*


 


Agita-se no ar, sonda a razão,


Decide-se a nascer e, num rompante,


Acrescenta-se à carne e faz-se mão,


Mudando a direcção do próprio instante
*


 


Por vezes, já senhor da situação,


Desdobra-se e, crescendo triunfante,


Não mede mais razão que a sensação


De fazer crer que é mais do que importante…
*


 


Assim nasce o soneto, assim me doma


Com força de que eu própria desconheço


Razões prá compulsão de que me toma
*


 


Ao gerar sensações que já nem meço,


Pois dá-se em mil razões, mais mil lhes soma,


E impõe-me sempre mais que as que eu lhe peço
*


 


Maria João Brito de Sousa


02.02.2014 - 09.58h
***

Comentários

  1. Olá, queruda amiga Maria João!
    Não só no soneto, mas poesia de um modo em geral é uma compulsão sem liimite... no meu modo de sentir.
    A escrita nos toma...
    Muito linda inspiração.
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos com carinho

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    1. Boa noite, querida Rosélia!

      Não duvido de que assim aconteça com a esmagadora maioria dos poetas, amiga.

      Que tenha, também, dias abençoados!

      Beijinhos com muito afecto

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  2. "Assim nasce o soneto, assim me doma
    Com força de que eu própria desconheço"

    Era o que faltava,
    conheceres designios
    da Musa, tua fada

    Abraço admirado

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    1. Viva, Rogério :)

      Se a Musa é parte de mim, não seria de estranhar que lhe fosse conhecendo a força e a sagacidade, mas a verdade é que ela muitas vezes me surpreende... ou será que sou eu que me surpreendo comigo mesma? Agora fiquei sem saber ao certo...

      Abraço apertado

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  3. Genial a forma superior como explica o que não tem explicação.
    Também gostei da imagem cheia de significado.
    Um abraço.
    L

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    1. Obrigada, L.!

      A verdade é que, às vezes, me deixo mesmo arrebatar pela Musa, ou inspiração, ou seja lá o que for que lhe queiram chamar...

      Um forte abraço

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  4. A MUSA vive com a Maria João, daí a facilidade e genialidade de escrever sonetos.
    Também gostei muito da imagem, provavelmente dos seus tons azuis.
    Abraço-a neste primeiro domingo chuvoso e morno de fevereiro, desejando-lhe muita saúde.

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    1. Viva, Teresa! Sim, esta Musa, com a qual me zango quando se ausenta, não passa de um dos meus estados de espírito... Quanto mais velhota, doente e medicada vou estando, mais ela vai rareando nas suas "visitas" e mais me vou sentindo diminuída na minha criatividade, daí que eu a tenha personificado para poder dialogar com ela.

      E, sim, também quanto à tela, que efectivamente é de minha autoria.
      Hoje arrefeceu um pouco neste meu cantinho de fim-de-Tejo/princípio-de-mar, mas não tanto que me tente a ligar o radiador. Ainda estou traumatizada com a minha última factura de energia eléctrica, não posso correr o risco de apanhar outro susto destes.

      Recebo o seu abraço e envio-lhe o meu, também carregado de votos de boa saúde

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  5. Se há Artes que se aprendem e se praticam, até atingir a perfeição, outras há que sem que se entendam, nascem e desabrocham a partir do coração!
    Seja Musa, inspiração, ou o que for, esta genial forma de criar belos Sonetos, pertence à sua Autora, a Maria João!
    Um grande e entusiasta abraço.

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    1. Muito obrigada, Janita!

      É-me muito gratificante esse seu entusiasmo perante um soneto.

      Um grande abraço também para si

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  6. A Musa não lhe dá descanso.

    Um abraço, Maria João.

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    1. Ah, Cheia, eu não me importaria nada que ela nunca me desse descanso, mas ainda há pouco tempo esteve cerca de um mês desaparecida...

      Um abraço!

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  7. Que teimoso é o soneto! Grande malandro! :-) A Maria João não lhe resista, porque é inútil o esforço. E nós gostamos.

    Um abraço

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    1. A quem o diz, caro Fernando: resistir ao soneto é perfeitamente impossível, ele tem truques que me desarmam sempre que ouso experimentar outros formatos... e lá volto eu para ele, seduzida como uma adolescente pelo seu primeiro grande amor.

      Fico feliz por saber que há quem goste deste perfeito mas serôdio enlace

      Um abraço!

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