SONETO PERDIDO- Reedição

EU, 19 ANOS.jpg


A autora em 1972


*


SONETO INESPERADO
*



Ai, Soneto esquecido, que voltas,


Que te alheias das dores que me minam


E te acendes nas loucas revoltas


Que nem deuses, nem mestres te ensinam,
*



Que te enlaças nas pontas já soltas,


Desdobrado em gorjeios que trinam,


Enfrentando, sem medo e sem escoltas,


O clamor dos que em vão se aproximam
*



Ai, Soneto que nunca esperei,


Que não sonho e nem sei bem se sei


Se me nasces cantando ou se choras,
*



Mas que exaltas, num som que guardei


Nos milénios de dor que calei,


Quanta voz soltarei, sem demoras.
*


 



Maria João Brito de Sousa


04.05.2013 – 16.26h
***


Soneto em verso eneassilábico


 

Comentários

  1. Bom dia, Sra. D. Maria João, nunca comentei no seu blog, pois tão elevada e a sua grandiosidade como poetisa, que nem existem palavras para um comentário digno feito pela minha pessoa.
    Não obstante, agradeço a suas partilhas magníficas, que tanto gosto de acompanhar, mas escrevo também para lhe desejar melhoras a si é para a sua gatinha, pois leio os comentários no blog da Mafalda e percebi os desafios que está a passar.
    Votos de muita saúde é o que lhe desejo de .

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    1. Ai , se ma trata por Sra. D. Maria João, sinto-me na obrigação de a tratar por Sra. D. Sofia...
      Por favor, Mª João é muito mais simples e eu gosto mais.. pode ser?

      Sim, estou a passar momentos difíceis não só com a minha saúde mas também com a da minha Mistral que ainda está um pouco instável, apesar da insulina, do soro e da alimentação para gatos diabéticos.

      Obrigada pela sua simpatia e solidariedade, Sofia

      Agora tenho de ir porque tenho de a voltar a pôr a soro antes que cheguem as senhoras do Centro de Apoio para me darem banho.

      Um grato abraço

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    2. Força Maria João, e obrigado, quem ama animais sabe o que é passar por estes revés. Beijinhos para si e para a Mistral.

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    3. Nasci no seio de uma família que tinha vários animais... Creio que não sei bem o que é viver sem, ao menos uma gatita, que as minhas condições financeiras e a minha pouca autonomia física não me permitem mais do que uma companheira patuda :)

      Beijinhos!

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    4. Sorte da Mistral...Beijinhos.

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    5. Sorte dela e minha, que ela é uma verdadeira fofura : ela deixa-se picar várias vezes ao dia e ainda faz ronrom, se eu ficar a falar com ela :)
      A única coisa que ela não deixa é rapar o pêlo da pata para aceder a uma veia e cortar as unhas... aí foge e até morde, mas em tudo o mais ela é uma doçura!

      Beijinhos

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    6. Encontro feliz entre duas almas, ainda bem que assim é.

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    7. Os patudos que foram vivendo comigo ao longo destes 71 anos, eram todos uns amores. Aqui em casa os gatos sempre se deram bem com os cães e dois deles, o Beethoven e o Garfield, dormiam no almofadão com a Lupa e o Kiko, que eram cães.


      Um abraço!

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    8. Não querendo descuidar o lindo poema e fotografia deste post, é impossível depois desta troca de comentários, não sentir vontade de lhe fazer uma vénia.
      Em cada troca percebi que não é só grande a sua alma poética mas também a de cuidadora de animais, é a simbiose entre força e sensibilidade, que só os grandes detêm.
      Desejo-lhe votos de um fim de semana mais tranquilo para si e para a Mistral.

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    9. Passe o autoelogio, também era uma excelente cuidadora de pessoas doentes, no tempo em que tinha forças para isso

      Agora preciso que me dêem banho e me façam a cama de lavado, mas ainda consigo administrar soro e insulina à Mistral... e escrever, claro!
      Ainda estou a aguardar o telefonema do médico que me reajustará as doses do anticoagulante e sinto que a Mistral ainda está prostrada, mas pode ser que amamhã melhore mais um bocadinho

      Um abraço, Sofia

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  2. Um soneto reeditado é um soneto apreciado.
    As suas melhoras e as da sua companheira.
    Um abraço.
    L

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    1. Muito obrigada, L.

      Ela continua mais prostrada do que eu esperaria e eu estou com o INR - índice de fluidez do sangue- todo descontrolado. Estou à espera do telefonema de um médico que se responsabilize pelo ajuste das doses de Varfine.

      Um abraço

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  3. Mais uma maravilha, Maria João!
    Boas melhoras para si e para a sua companheira.

    Mais um abraço.

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  4. Querida Mª João, muito obrigada por esta partilha, numa reedição de um soneto sublime e forte, a força de quem, como tu, espera e cuida, quer da poesia como da tua saúde e da tua gatinha companheira Mistral.
    Um grande Xi, e votos de melhoras para a tua doce Mistral, uma heroína, como tu mesma és, querida Mª João.

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    1. Bom dia, pequena Cotovia.

      Eu é que te agradeço a leitura e a entusiástica apreciação.
      Por cá, a Mistral ainda murchita e eu um tanto ou quanto às avessas com as equinas da vida, que só me pregam partidas: O meu INR foi reavaliado ontem e continua lá nos píncaros. Fiquei a aguardar um telefonema da minha equipa de enfermagem, telefonema que chegou uns minutos antes das 20, quando eu e o Phil arrumávamos os nossos tarecos para recolhermos, cada qual a sua casa. Tudo bem até aqui. Hoje não toma nada - dizia a enfermeira Emília - e quando chegar a casa tem um mail à sua espera com a nova tabela de dosagens. Muito obrigada e boa noite, patati-patatá... O problema foi, ao chegar a casa e ligar o laptop, descobrir que não havia mail nenhum. Nem na caixa de entrada, nem no lixo, nem no Spam... nem mesmo nos rascunhos, que até isso eu vasculhei. Estou por minha conta e risco até segunda. Vou programar as dosagens segundo o que intuo ser o menos arriscado e .. pronto, não há-de ser desta que, ao fim de vinte anos de anti coagulada, já vou percebendo bastante de dosagens e interacções...
      Heroína? Eu? Não, nada disso. Tenho apenas algum bom-senso e um QI razoável, embora goste de andar a brincar com o meu avatar do Fb, como se ainda tivesse cinco anos

      Um grande xi

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    2. Obrigada pelas tuas palavras, querida Mª João. Tenho de ir espreitar o teu avatar no Facebook, para ver o que andas por lá fazendo.
      Mesmo que não queiras, mesmo se achas que não és uma heroína, és sim, uma samurai da Poesia que tantos tens acompanhado e incentivado a conhecer melhor a poesia e sobretudo na bela forma de Soneto, como os teus, como os de Camões, que também são, muitas vezes heróicos
      Melhoras para a Mistral, que a tua medicação também esteja ajustada e que corra tudo bem, mesmo se as esquinas da vida estão a ser pouco cooperantes.
      Um grande Xi, querida Mª João.

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    3. Ai, antes que eu deixe escapar esta, e me ponha a escrever de novo, eheheheh... Querida Cotovia, os versos dos sonetos de Camões são sempre heroicos. É por isso que muitas vezes encontrarás a expressão "verso camoniano" a substituir "verso decassilábico heroico". Florbela Espanca seguiu-lhe os passos e também se ficou pelo decassílabo heroico, a menos que me tenha escapado algum soneto sáfico escrito por ela...

      Quanto ao meu avatar, depois de ter tentado parecer uma velhinha de cabelos brancos e ter dado de caras com uma espécie de Marylin Monroe platinada, resolvi fazer uns totós e agora mais pareço uma adolescente amalucada. Já vi uma amiga que conseguiu pôr cabelos grisalhos no dela, mas eu não os encontro...
      Estava agora a acabar de assinar a minha conversa de hoje com o enorme Luiz Vaz... Não sei o que raio me dá que passo a vida a dizer que não ao desgraçado... hoje até o mandei ir ao céu procurar a "estrela" dos seus sonhos, imagina!

      Daqui a pouco publico que agora tenho mesmo de ir pôr a Mistral a soro.

      Um grande xi

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    4. Vou já espreitar a tua nova publicação, o Luís Vaz é sempre um motivo de grande curiosidade mas concordo contigo, é mais prudente não embarcar nessa caravela, não é nada que te dê a ti, acho que é mais o que deu ao nosso Camões que aqui entre nós era um.pouco volúvel
      Aqui vou eu, voando até já.
      Xi , querida Mª João.

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    5. Deve ser por causa da - só aqui para nós duas - extrema volubilidade dele, deve, pequena Cotovia.
      Mas agora que penso na hipótese de ele ressuscitar de repente e ler o que lhe escrevo... Caramba, fui muito mazinha para ele. Um dia destes, se entretanto não me cair o tecto em cima da cabeça, hei-de tentar redimir-me!
      Já estou mais a dormir do que acordada, mas ainda queria/quero por a Mistral a soro antes de me ir deitar
      XI

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