DIALOGANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XXIII

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DIALOGANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XXIII
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COMO QUANDO DO MAR TEMPESTUOSO


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Como quando do mar tempestuoso


O marinheiro todo trabalhado,


De hum naufragio cruel sahindo a nado,


Só de ouvir fallar nelle está medroso:
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Firme jura que o vê-lo bonançoso


Do seu lar o não tire socegado;


Mas esquecido ja do horror passado,


Delle a fiar se torna cobiçoso:
*



Assi, Senhora, eu que da tormenta


De vossa vista fujo, por salvar-me,


Jurando de não mais em outra ver-me;
*



Com a alma que de vós nunca se ausenta,


Me tórno, por cobiça de ganhar-me,


Onde estive tão perto de perder-me.
*


Luíz de Camões


***


 


Se vos haveis ganhado onde perdido


Estivestes quase, quase, em fúria tanta,


Cuidai de vos cuidar que se alevanta


Tormenta bem maior que a que heis sentido
*



Imensa em força, doble em arruído


E capaz de vergar mesmo Atalanta,


Esta a todas as outras as suplanta


Pois mais de mil borrascas há vencido
*



Fugi então de ouvir novas de mim:


Se da fúria primeira vos salvastes,


Quiçá duma segunda o não possais...
*



Fugi com vosso frágil bergantim


Da extrema indignação que provocastes


Conquanto de inocência vos cubrais!
*



Mª João Brito de Sousa


28.03.2024 -11.00h
***


 


O soneto de Camões foi transcrito do blog Sociedade Perfeita

Comentários

  1. Gostei muito. Espero que a Maria João esteja melhor, quanto à Musa, está ótima.
    Bom resto de dia, um abraço, Maria João!

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    1. Bom dia e obrigada, Cheia.

      Fico muito contente por saber que gostou, mas não faço ideia onde esteja escondida a Musa, por isso este soneto me levou mais tempo a criar/compor do que os correm ecrã afora montados no cavalo de fogo, e infelizmente, nem eu nem a Mistral estamos bem. Ela quase não consegue andar, temo que tenha alguma patinha partida e eu tenho as mazelas de sempre e, comandando as tropas, uma dor de cabeça infernal.

      Foi por pura teimosia/rebeldia que me atrevi a escrever e a publicar e não sei se me vou aguentar por aqui muito tempo, nem se vos conseguirei visitar. Farei o que puder, até porque tenho mil e uma tarefas caseiras acumuladas e não sei se conseguirei dar conta de uma décima parte delas.
      Peço desculpa pela frontalidade da minha resposta, mas se não me sinto bem e me perguntam como estou, tenho por hábito ser sincera. Quando me sinto bem, vocês, os amigos online, notam logo, mas também o digo/demonstro.

      Um abraço


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    2. Não tem de pedir desculpa, nem de fazer o que não puder. Desejo que ambas tenham boas e rápidas melhoras.
      Mais um abraço, Maria João!

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  2. Ler os DIALOGANDOS COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XXIII é um enorme prazer. A fotografia é fenomenal.

    Abraço nesta QUINTA-FEIRA SANTA 😇
    Um miau 😺 para a Mistral.

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    1. Obrigada, Teresa! :)

      Vou no vigésimo terceiro, mas há mais três ou quatro diálogos iniciais que nunca cheguei a numerar.
      Se eu não estivesse tão cronicamente achacada e, agora, até a Mistral precisa de cuidados hospitalares semanais, talvez se pudesse fazer disto um livrinho que teria - acredito - bastante interesse porque, a menos que eu esteja redondamente enganada, nenhum sonetista, até ao momento, se atreveu a improvisar, em soneto camoniano, as falas/respostas das pessoas a quem Camões dedicou tantos poemas.

      FELIZ QUINTA-FEIRA SANTA!

      A Mistral agradece o Miau e eu envio um forte abraço

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    2. Ai, caramba... "e agora até a Mistral a precisar de cuidados..." , peço desculpa, isto saiu num português hediondo...

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  3. Mais que excelente: excelentíssimo. Como Mª João consegue interpretar e comungar do espírito de Camões: na forma e no conteúdo. Felicitações. Saúde e Páscoa Feliz!

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    1. Muito obrigada pelas suas elogiosas palavras, Francisco! :)

      Retribuo os votos de saúde e de uma Páscoa Feliz!

      O meu fraterno abraço

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  4. Coitado do Luís de Camões! Apesar de todas as procelas, continua a desfazer-se em galanteios e, em troca, recebe como resposta: «Fugi então de ouvir novas de mim: / Se da fúria primeira vos salvastes, / Quiçá duma segunda não possais». Até tenho pena do rapaz!

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    1. Isto é obra da Musa, Fernando. Nada posso fazer se ela entende que Luiz Vaz de Camões tem de pagar pelas infidelidades de todos os pinga-amores cá do reino, desde então até ao presente momento.
      Mas, em compensação, já o brindou com um soneto erótico, num dia em que acordou mais bem disposta... É o décimo oitavo soneto, se me não engano.

      Para não variar publiquei dois décimos nonos e esqueci-me do décimo oitavo. Mas aqui o tem https://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/conversando-com-camoes-no-seu-929220

      Um abraço

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