VISLUMBRES DE UMA DISTOPIA - Reedição

Inferno - Hieronymus Bosch (1).jpg


Tela de Hieronymus Bosch


*


VISLUMBRES DE UMA DISTOPIA
*



Silenciosos nos seus corpos de aço,


Dormindo estranhos sonos vigilantes


E usufruindo, ou não, de um espanto escasso,


Estão os que já não são o que eram dantes
*



Guardam os torreões do novo Paço


E, escolhidos a dedo, são gigantes


Que correm dez mil milhas sem cansaço


E abatem de um só sopro astros errantes
*



As montanhas, rolando sobre esferas,


Desviam-se dos rios e das ribeiras


Que agora desaguam nas crateras
*



Cavadas pelas balas não certeiras:


Não há dias nem noites, só há esperas,


Frágeis conspirações, pulsões grosseiras...
*


 


Mª João Brito de Sousa


28.03.2022 - 14.00h
***


 

Comentários

  1. Vislumbra se inspiração cavadas por palavras bem certeiras sempre que lê a Maria João
    E que bom é saber que mesmo não sendo o seu corpo de aço, ainda nos consegue ofertar com tão belas partilhas
    Fica uma abraço cúmplice e desejos de uma boa pascoa

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    1. Obrigada, Cúmplice do Tempo!

      Não, de maneira nenhuma tenho corpo de aço, limitei-me a dar algumas pinceladas expressionistas em forma de soneto. Ou melhor, sobre um soneto que pretende ter vislumbrado um mundo distópico.

      Retribuo os votos de boa Páscoa e o abraço cúmplice

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  2. Brancas nuvens negras30 de março de 2024 às 00:43

    É esse o mundo em que os nossos descentes irão viver, os sinais são visíveis e nós, que já vivemos noutro tempo, temos consciência da diferença.
    Um abraço
    L

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    1. Viva, L.!

      É um apenas um esboço expressionista de um mundo por nós ora intuído, ora deduzido... Mas nem tudo nele é ficcionado, que algumas destas pinceladas são já a expressão de uma realidade bem visível...

      Forte abraço

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  3. Belo sábado doce e em harmonia MJ, beijinhos

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    1. Bom dia,

      Que tenhas um excelente Sábado, embora, por aí, a Primavera deva estar geladinha... até por aqui a pobrezinha tem de sair à rua de guarda-chuva e casacão de Inverno...

      Beijinhos

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  4. Frágeis conspirações não abalarão os torreões.

    Um abraço, Maria João!

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    1. Que assim seja, Cheia!

      Este soneto não é muito óbvio naquilo que expressa... e, no entanto, descreve muito razoavelmente um vislumbre de distopia, tal como esta magnífica tela de Bosch descreve o inferno. Bosch pareceu-me sempre um pintor nascido fora do seu tempo. Admiro-o muitíssimo, embora não nutra por ele a paixão que nutro por Vincente Van Gogh ou Pablo Picasso...

      Outro abraço

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  5. P assagem para a vida
    A luz de Cristo Jesus
    S eja nossa guia
    C om amor por todos nós
    O amor venceu, enfim
    A vida ganha novo tom

    Abençoada Páscoa, querida amiga Maria João.
    Beijinhos pascais

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    1. Que tenha um abençoado Domingo de Páscoa, querida Rosélia!

      Beijinhos com muito carinho para si também

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