CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XVIII
![]()
Imagem Pinterest
*
CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XVIII
*
TODO ANIMAL DA CALMA REPOUSAVA
*
Todo animal da calma repousava,
Só Liso o ardor dela não sentia:
Que o repouso do fogo, em que ele ardia,
Consistia na Ninfa que buscava.
*
Os montes parecia que abalava
O triste som das mágoas que dizia:
Mas nada o duro peito comovia,
Que na vontade de outro posto estava.
*
Cansado já de andar pela espessura,
No tronco de uma faia, por lembrança
Escreve estas palavras de tristeza:
*
Nunca ponha ninguém sua esperança
Em peito feminil, que de natura
Somente em ser mudável tem firmeza.
*
Luíz de Camões
***
(Natércia, confrontando Liso)
*
Se prometi mostrar-me, aqui me vedes
Que o que prometo cumpro. Não ouseis
Escrever sobre quem sou quanto escreveis
Que irada me vereis se em mim não credes!
*
Em outro quis matar as minhas sedes
- bem mais as sedes podem do que as leis -
Não mas matou! Se vós mas matareis,
Nem vós sabeis... Talvez se mas beberdes...
*
Vedes a rosa aberta em meu jardim?
Senti, tocai-lhe o róseo gineceu
E entrai, Liso, matai a sede em mim
*
Que quão mais o tentais, mais gozo eu!
Ai, Liso, a minha sede não tem fim...
Parai, Liso, parai que já morreu!
*
Mª João Brito de Sousa
05.03.2024 - 13.00h
***
O soneto de Camões foi transcrito do blog Sociedade Perfeita
Um soneto belíssimo!
ResponderEliminarCensurá-lo, seria como se a inquisição tivesse queimado os Lusíadas.
Boa tarde, Maria João!
Um abraço.
Foi exactamente isso que a Musa me disse, um tanto chocada, como se tivesse deixado de fazer parte de mim, Cheia...
EliminarObrigada e que tenha uma excelente tarde!
Outro abraço
Camões mora na sua casa.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Viva, L.
EliminarGosto de conversar com ele, ainda que moremos a quinhentos anos de distância.
Este soneto afasta-se muito dos meus temas habituais, mas conforme a Musa me informou, quase zangada, o erotismo também faz parte da vida... O soneto de amanhã será muito diferente, mas também sai um pouco do meu habitual.
Forte abraço
Já aqui o disse, mas repito o quanto admiro essa capacidade de tecer com Camões novos e belos poemas!
ResponderEliminarBeijo
Bem haja, Ana!
EliminarTentarei continuar a ser digna destas poéticas conversas com o maior dos nossos sonetistas, mas sou capaz de ter de fazer um pequeno intervalo muito em breve, que a minha vida complicou-se bastante de um dia para o outro.
Um beijo
Ainda hoje, ou pela hora tardia ontem disse ao nosso amigo Cheia, o quanto era bom revisitar Camões pelo seu cantinho Sociedade perfeita.
ResponderEliminarE a Maria João com esse dom magnifico de escrita, o revisita e vida nova lhe dá nestes sonetos
bendita essa Musa e não a contraries , ela sabe o que diz e tu tão bem o transcreves, ai está, mais uma sociedade perfeita
Abraço cúmplice
Bom dia, Cúmplice
EliminarNeste momento, porque surgiram imprevistos que são esmagadores para quem vive a contar os cêntimos para a meia de leite da tarde, não faço ideia do estado em que se encontra a minha sumida Musa, mas sei que ela acaba sempre por reaparecer, pelo menos enquanto eu me puder contar entre os vivos.
Tenho o soneto de hoje pronto a publicar, o que criei a partir da frase que transcrevi do seu blog também pronto está, embora eu gostasse de ainda o burilar um pouco, e muitos outros fui esboçando ou completando paralelamente aos que ia criando para Camões.
Mas tem toda a razão, também eu adorei poder revisitar Camões através do Sociedade Perfeita e quando dei por mim já estava a interagir com os seus sonetos e a criar personagens que interagissem com as que ele criou, numa socialização que talvez não seja perfeita, mas que muito me agrada.
Obrigada e um abraço também cúmplice