MÃOS III

mãos IV.jpg


Imagem Pinterest


*


MÃOS III
*



Ó mãos hábeis, vadias, mãos sem dono,


velhas mãos condenadas cuja pena


será a sina ingrata e não pequena


de despertardes mal vos chegue o sono...
*



Mãos que encontrais um verso ao abandono


numa outra mão que pára e vos acena


com mel e vinho e hastes de verbena


nas mansas tardes de um qualquer Outono
*



Ó mãos rudes, gretadas de tão frias,


imprudentes, inquietas, fugidias,


que sempre que sois voz a não calais
*



Parai e reparai que estais vazias!


Quem vos roubou o sonho e as alegrias


e assim vos despojou de tudo o mais?
*


 


Mª João Brito de Sousa


10.03.2024 - 21.00h
***


 


 

Comentários

  1. Que lindo Maria João, é a minha última leitura de hoje e tão bela.
    Gosto de mãos vazias que podem criar sonhos... embora o sentido do poema seja diferente.
    Obrigadobeijinhos de boa noite para si e para a Mistral.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, Sofia :)

      Tens razão, este é um poema magoado, dorido... mas também tens razão quando dizes que podem sempre nascer sonhos de mãos que estão vazias.

      Obrigada e que tenhas uma repousada noite

      Beijinhos

      Eliminar
    2. Beijinhos Querida Maria João, noite feliz.

      Eliminar
  2. Brancas nuvens negras11 de março de 2024 às 00:21

    As mãos, embora sendo muitas, foram poucas. Vamos ver quem é que tem mão nisto.
    Beijo a sua mão.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa noite, L.

      Foram poucas as nossas muitas mãos que mal terão tempo para descansar porque todas elas vão ser necessárias para tentar ter mão nisto.

      Há milénios que ninguém me beijava a mão

      Eliminar
  3. As mãos são as construtoras de muitos sonhos! Muita saúde.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom dia, Francisco.

      Estou quase de saída para um imperioso compromisso burocrático, mas ainda vou conseguindo vir até aqui enquanto me preparo.

      Se bem me lembro, há mãos que constroem muitos sonhos e outras que pouco fazem para além de se empenharem em destruí-los.

      Saúde e Paz, meu amigo

      Eliminar
  4. "Abandona as mãos sobre o peito e espera que elas adivinhem como o movimento do coração é inquieto"(Fernando Guimarães).
    Gostei do seu poema.
    Tudo de bom, minha Amiga Maria João.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Graça.

      Muito bela a frase de Fernando Guimarães... e como anda desassossegado este meu remendado coração.

      A minha semana estreou-se com um pequeno acidente de automóvel. Só susto e algumas amolgadelas ligeiras, felizmente.

      Tudo de bom para si

      Um beijo

      Eliminar
  5. Estava tudo nas nossas mãos, mas deitámos tudo à rua.
    Um abraço, Maria João!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa noite, Cheia.

      É quase, quase isso que aqui digo. Tudo, tudo não estaria, que o tudo pede muito mais do que votos nas urnas, mas estava nas nossas mãos evitar que a extrema direita deitasse a mão ao poder e, sim, deitámos tudo a perder.

      Mas a vida continua, Cheia, e ainda não estamos todos cegos de todo.

      Um abraço

      Um abraço

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

UM VOO DE PARDAL - Soneto muito ligeiro, dedicado à Ligeirinha

OBRIGADA!

ESPANTO