SEM TÍTULO V

A persistncia da Memória (1).jpg


A Persistência da Memória - Salvador Dali


*


 


SEM TÍTULO V
*



Persiste uma memória de futuro


A erguer-se sobre a purga dos mais fracos


Dos vulneráveis já feitos em cacos


E dos qu`inda agonizam no chão duro...
*



Certeza ou intuição? Não sei, nem juro


Que este futuro se encha de buracos


Dos quais as horas pendam como sacos


A derramar um visco em "chiaroscuro"...
*



Há porém quem desista e quem se esforce,


Quem algoritmos troque pelo Morse


E quem coma do chão quanto o chão der
*



Somos (ainda) bichos imperfeitos


E racistas, também, que aos preconceitos


Até o mais racista os nega ter.
*


 


Mª João Brito de Sousa


21.03.2024 - 20.50h
***

Comentários

  1. Eu te juro
    sou capaz de tudo
    mas racista? como
    se tenho sangue mouro

    Beijo

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    1. Viva, Rogério!

      Não foi a ti que me dirigi, caramba! É que também eu cometo muitos erros mas não me excluo da espécie humana usando o "eles" como tanta gente faz... Todos nós pertencemos a essa espécie da qual ainda estão longe de ter sido extirpados o fascismo, o racismo e a xenofobia todos materializados numa repugnante salada que continua a ser levada à mesa do explorador pela mão do explorado...

      Mas esquece, que este soneto está horrível, não presta para nada e eu não deveria tê-lo escrito à revelia da Musa que anda por aí com uma fisga imaginária a tentar salvar o mundo...

      Forte abraço

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  2. Brancas nuvens negras22 de março de 2024 às 00:40

    Olá Maria João. De regresso, ainda bem!
    Temos memória... que nos faz temer o futuro.
    As suas melhoras.
    Um abraço.
    L

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    1. Olá, L.!

      Não posso prometer nada, porque cada vez me sinto mais incapaz de conciliar as crescentes imposições da vida real com o tempo que tenho de passar diante do computador... ando a experimentar-me.

      Forte abraço!

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  3. Somos e seremos sempre bichos imperfeitos, disso não tenho a mínima dúvida Maria João, para o bem e para o mal.
    Mas como é de bem que a gente se importa, é bom saber que a musa vai dando um ar da sua graça por estes dias.
    Deixo lhe um abraço cúmplice

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    1. Boa tarde, Cúmplice do Tempo!

      Estou perfeitamente de acordo consigo, mas trago comigo outro argumento ... Melhor dizendo, somos todos bichos imperfeitos que, na sua maioria, vão tentando aprender a tornar-se um pouco melhores a cada dia que passa. Hummmm, talvez tenha exagerado quando escrevi "na sua maioria", mas seria muito bom que tivesse acertado...
      A perfeição é uma abstracção que é incompatível com a própria vida. Mas é uma abstracção muito útil para nos fazer melhorar, tal como a utopia é muitíssimo útil para nos fazer caminhar...
      Escrevi este soneto completamente à revelia da Musa, não é um bom soneto em termos melódicos embora tenha todas as tónicas e átonas no seu lugar.... :)

      Um abraço cúmplice

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  4. Olá, querida amiga Maria João!
    Acabei de assistir uma reportagem sobre os inúmeros casos frequentes de racismo.
    Creio que a humanidade está pondo para fora toda cultura preconceituosa a que fomos habituadas por séculos...
    O efeito climático, o instinto bélico dominante e a falta de caráter está estrutural...
    Trouxe à tona um tema muito atual.
    Tenha uma primavera abençoada!
    Beijinhos com carinho fraterno

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    1. Olá, querida Rosélia!

      Tem razão, toda a razão! Se por um lado temos cada vez mais pessoas empenhadas em derrubar o racismo e a xenofobia, por outro lado esta extrema insegurança em que vivemos faz com que todos esses e outros preconceitos venham ao de cima, mais do que nunca inflados e carregados de ódio.

      Não é fácil o momento histórico que vivemos e mais do que nunca precisamos de armar-nos de amor, lucidez e coragem.

      Que seja, também, abençoada a sua Primavera!

      Beijo carinhoso

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  5. Rosa Silva ("Azoriana")22 de março de 2024 às 15:33

    Cá estou eu. Lembras-te de mim? O tempo não para, isto é, somos nós que ainda brindamos o tempo com o que nos sai da alma inspirada em tudo e nada, como se nada fosse tudo. Beijinhos

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    1. Ohhh!

      Claro que me lembro de ti, Azoriana!

      Tens razão, o tempo não para, mas é muito mais útil para nós irmo-lo enchendo e preenchendo com estas coisas que nos saem da alma do que ficarmos a vê-lo passar sem fazermos nada de nada.
      Bem me basta ter de andar a escrever sem o auxílio da Musa, a mancar da melodia, como manco andando na vida real

      Beijinhos!

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  6. Lutaremos até à nossa última gota de sangue, contra esse monstro, que a tantos engana.

    Boas melhoras, Maria João!
    Um abraço,

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