SONETO DO MAL MENOR - Reedição
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SONETO DO MAL MENOR
*
Dá-me o ramo das rosas perdulárias
comprado na florista já esquecida
armado no “bouquet” morto e sem vida
das condenadas almas solitárias...
*
Dá-me uma – mais serão desnecessárias...-
na haste em que a chorei, porque, à partida,
lhe condeno a razão de ser colhida,
deixando, na raiz, funções tão várias
*
Juro que não protesto... e mais não digo!
Hoje perco a raiz, enfrento o p`rigo
e estou pronta a render-me sem chorar
*
Se o derradeiro golpe, esse castigo
que me arranca do mundo em que me abrigo,
me degolar, de vez, sem me magoar
*.
Maria João Brito de Sousa
26.03.2015- 15.08h
Mesmo que seja um dia triste, que os cravos tenham murchado, tenhamos esperança em dias melhores, que tenha sido um mal menor.
ResponderEliminarUm abraço, Maria João!
Boa noite, Cheia!
EliminarHá cravos que nunca murcham, por muito que lhes doa a alma. Estou velhota e doente, mas acredito que morrerei um dia com um simbólico cravo viçoso e rubro dentro de mim.
Este soneto é uma reedição e foi escrito para um outro mal menor, em 2015. A este mal não lhe chamarei menor... ainda lhe estou a analisar o tamanho, mas é demasiado grande para ser menor.
Um abraço, Cheia
Soneto ao nível do nosso Camões.
ResponderEliminarAbraço maior, deixanfo tulipa 🌷
Boa noite, Teresa!
EliminarMuito obrigada pelas palavras e pela belíssima tulipa
Abraço maior também para si
Quem escreve assim é alguém iluminado... alguém que não se rende e pode até chorar.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Boa noite, L.
EliminarAcredite que quem reeditou hoje este soneto de 2015 foi uma velha mulher pontualmente frágil
Não sei como estarei amanhã, mas vou encontrar forma de me libertar desta pontual fragilidade que não é só física.
Um forte abraço
Um mal que sendo menor, é tão grandioso quão grandiosos são os sentimentos da Poeta que só o é, porque deus quer. Deus e a sua força de vontade e grande talento.
ResponderEliminarQue belo o açafate de rosas vermelhas!
Grande abraço, Mª João!
Bom dia, Janita!
EliminarNa década de 2010 a 2020 - mais ou menos - sobrevivi a coisas que a nunca imaginaria poder sobreviver, mas a verdade é que já me não recordo nada de qual era o mal menor a que me refiro neste soneto que já tem nove anitos de idade. Sei que costumo apodar de "males menores" às minhas mazelas e tragédias pessoais, mas nem sequer sei por que razão me identifiquei com uma rosa... E também posso estar a referir-me a outra pessoa, cuja situação me tenha tocado ao ponto de a trazer para o soneto.
Obrigada e um grande abraço!
Julgava que falarias de rosas
ResponderEliminare afinal
é de espinhos
como se os admitisses
por serem pequeninos
Abraço empunhando um cravo
Viva, Rogério!
EliminarRepara que este soneto é uma reedição e foi escrito em 2015 para um qualquer mal menor do qual já me não recordo e os espinhos, se existiam, eram meus, de certeza, e demasiado pequenos para me defenderem de um mal menor para a humanidade, já que eu tão inesperadamente me rendo a esse mal.
É nas tuas próprias palavras que encontras a resposta: se eu me tivesse, nessa dor pontual, identificado com um cravo, não me teria rendido. Vês?
Forte abraço
Boa e bela quarta feira em harmonia
ResponderEliminarque o vento e a Neve uivam por aqui. Beijinhos
Bom dia, !
EliminarPor aqui não cai neve, mas o vento uiva quase tão alto quanto a Mistral uivou ontem, no hospital veterinário.
Beijinhos