ALERTA!

cravo vermelho (1).jpg


ALERTA!


ou


OS "VINTE E QUATRO" ANTI-REVOLUÇÃO
*



Alerta que os vampiros ´stão de volta!


Já não lhes basta a noite: a toda a hora


Emerge um sanguinário que te explora


E finge ser mais um da tua escolta
*



Caso a manada entenda que anda à solta


Pacatamente pela estrada fora,


Não os distingue e ao romper da aurora


Já foi sugada e nem sentiu revolta!
*



Tantos lhes franquearam tecto e mesa


Tratando a Besta como a um irmão


Que a quase todos nos tornaram presa
*



Dos "vinte e quatro" anti-revolução:


Ei-los agora a rirem da fraqueza


Dos que lutaram com cravos na mão.
*


 


Mª João Brito de Sousa


24.04.24 - 12.00h
***


 

Comentários

  1. Parecem lagartos ao sol, saem das suas tocas, encantados com os podres ventos, que sopram de todos os conventos.
    Bom resto de dia, Maria João!
    Um abraço

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    1. Boa tarde, Cheia!

      Sim, são muitos e o que mais me dói é que cada vez são mais e mais acintosamente semelhantes aos vampiros dos cinzentíssimos tempos de Salazar... Só não vê quem for cego por infelicidade congénita, por vontade própria... ou por falta dela.

      Que os cravos que orgulhosamente trazemos junto ao coração nos não impeçam de ver o tremendo risco que correm as poucas conquistas de Abril de que ainda não abrimos mão!

      Um abraço

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  2. Brancas nuvens negras24 de abril de 2024 às 18:49

    Também os tive sentados à minha mesa. Amanhã lá estarei para aumentar a multidão.
    Um abraço revolucionário.
    L

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    1. Eu não estarei por lá. Seria um peso morto se o tentasse... Mas tenho saudades dos tempos em que descia a Avenida da Liberdade com um cravo vermelho numa mão e uma bandeira da mesma cor na outra.

      Outro abraço revolucionário, L.

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  3. Boa tarde, Maria João
    Estou a ler o seu soneto depois de o ter referido no comentário que fez ao texto que publiquei ontem. Se o tivesse lido antes talvez comentasse este soneto com algumas palavras daquele texto.
    "Eles" estão de volta e são mil vezes mais perigosos do que os originais.
    Os originais andavam na sombra, mas não escondiam o que eram. Os de hoje apresentam-se sorridentes, à luz clara do dia, sob um manto de vampiros arrependidos, mas com os dentes mais afiados do que nunca.
    Os outros sangravam a "manada" e esta reagia à dor feroz da dentada mortífera.
    Os seus descendentes fazem o mesmo, mais famintos e sanguinários e, para acalmar as reses, deixam-nas provar um pouco do seu próprio sangue e, então agradecem-lhes dando-lhes votos.
    Quem encheu os ouvidos das reses que o perigo era "vermelho", enquanto iam alimentando as crias vampirescas no seu seio e lhes preparou o caminho para agora se arrogarem o direito de "perorarem sobre o verdadeiro Abril"?
    É triste, mas temos que virar a mesa mais uma vez. Talvez, amanhã na rua, haja alguém que cante o novo futuro a construir, e deixe para trás o esgotado «25 de Abril sempre, Fascismo nunca mais.»
    Que assim seja,
    Zé Onofre

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    1. Boa tarde, Zé Onofre!

      Aconteça o que acontecer, não estarei lá, tal como não pude estar no "dia inicial, inteiro e limpo" e só no dia seguinte consegui sair às ruas já quase vazias... Consolei-me depois, no 1º de Maio, com a minha primeira filha às cavalitas e um outro que não chegaria a termo, mas que então carregava na barriga.
      Não sei por que estou para aqui a devanear, nem sei se, estando lá, conseguiria calar um raivoso "fascismo nunca mais!". Mas não poderia ser um "fascismo nunca mais" descorado e tirado a "copy-paste", teria de ser um saído das entranhas e cuspido na cara dos novos vampiros. Não basta, sei que não, mas é o que agora me apetece gritar porque a minha impotência física pouco mais me permite.

      Um abraço


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    2. Viva
      O que é preciso é que os sentimentos de raiva e de impotência se unam e formem uma frente antifascista (e aqui, que ninguém nos ouve, pro socialismo).
      Como dizia o meu irmão, quando o 25 de Abril começou a desandar - há mais maré do que marinheiros.
      Zé Onofre

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    3. Aqui que ninguém nos ouve, pro Socialismo, sem sombra de dúvida. Até porque a frente anti Socialismo já está a ser formada e vai bastante adiantada na sua construção.

      Eu sempre fui contra a guerra entre os povos, mas nunca ninguém me viu escrever uma única palavra contra a luta de classes ou a favor de um capitalismo "generoso". Aliás, esta última expressão lembra-me qualquer coisa parecida com "maldade boa" ou "cancro benigno"...

      Vou ter de dar uma injecção à Mistral, uma gata com quem partilho o tecto e as mazelas.
      Abraço

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    4. Maria João
      Apesar do que os teóricos do Neoliberalismo gostam de afirmar a "luta de classes" ainda é o motor da história.
      Enquanto sustentam, para melhor explorarem, que há um capitalismo generoso.
      E o triste povo, apesar de saberem que o azeite e a água não se misturam, esquece a sua sabedoria e deixa-se enganar por truques de magia.
      É a vida, dizia o Guterres.
      Zé Onofre

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    5. Nunca duvidei de que a luta de classes ainda fosse o motor da História, Zé Onofre, e os teóricos do neoliberalismo bem podem cantar-me cantigas de embalar, que eu, ainda que adormeça por instantes, voltarei a ter os olhos bem abertos quando acordar e saberei que embora possam existir algumas pessoas generosas, dentre os que crêem na metamorfose do capitalismo, o capitalismo é invariavelmente tóxico. Pode matar mais depressa ou mais devagar, mas mata sempre, mais tarde ou mais cedo, os que de alguma forma possam tentar obstar a que se empanturre de lucros e mais lucros.
      Acredito tanto num capitalismo generoso, quanto no coelhinho de Páscoa e na Fada dos Dentinhos, embora não duvide de que a generosidade seja uma das suas máscaras favoritas.
      Também é um excelente ilusionista, como muito bem refere, mas não é eterno e, durante as suas maiores crises, tende a ser suicida. Isto é o que nem todos vêem, infelizmente, porque se o vissem, pensariam duas vezes antes de embarcarem cegamente neste Titanic que ruma direitinho ao iceberg que o afundará.

      É meia noite e oiço foguetes a rebentar, lá para os lados do mar... Já é dia 25 e estamos no mês de Abril, não consegui evitar um arrepio de emoção. Mas também não tenho nada que me sentir na obrigação de o evitar: sou humana, caramba!

      Um abraço, Zé Onofre!

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    6. Maria João
      É verdade, ouvir foguetes a anunciar a madrugada mais clara que já tivemos emociona e as lágrimas correm brilhantes como as dos foguetes. Umas lágrimas são de saudosa alegria e outras são de raiva cada vez mais incontida.
      Zé Onofre

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    7. E essa é uma mistura pouco provável, mas perfeitamente possível... Já experimentei várias vezes as "lágrimas da saudosa alegria" a fundirem-se com as da "raiva cada vez mais incontida."

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  4. Um belo soneto de alerta aos eventuais perigos que venham, ou possam vir, no entanto, é bom não esquecermos que o que aconteceu não volta atrás.
    O 25 de Abril aconteceu, Portugal mudou, e, como acompanhou o mundo na sua evolução, no mau também.
    Nunca nada voltará a ser pior do que já foi. Ditaduras, sejam de esquerda ou direita, jamé!!
    Forte abraço, Maria João e
    Viva a Liberdade

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    1. Não sei, Janita, não sei se nunca nada voltará a ser pior do que já foi, aqui e no mundo inteiro...
      Não costumo ser pessimista, mas a verdade é que já se começaram a fechar algumas das "portas que Abril abriu" e um pouco por toda a Europa a extrema direita vai mostrando as garras. Por toda a parte vemos formarem-se movimentos que correm para trás a uma velocidade estonteante e que levam por arrasto populações inteiras...
      Não sou a única a ver que a história dos comunistas que comem criancinhas ao pequeno-almoço voltou a estar na "moda" e nem sequer falta uma perfeitamente mirífica teoria sobre a "sovietização do ensino" em Portugal. Se isto não é de loucos, não sei o que possa sê-lo.
      Por tudo o que acabo de lhe dizer, não sei sequer se a democracia em que teoricamente vivemos se vai aguentar muito tempo sem se transmutar numa qualquer coisa aberrante que será sempre muitíssimo favorável às grandes multinacionais e às oligarquias que todos conhecemos. E quem paga? Em cima de quem se apoia a dourada bota do poder? Dos mais vulneráveis ou, em bom português, do mexilhão.

      Forte abraço e, sim, Viva a Liberdade

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  5. Não poderia ser mais certeiro este grito poético de "Alerta".

    Espero que esteja estável e melhor das mazelas.
    Beijinho

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    1. Olá, Ana!

      As mazelas não me permitirão descer a Avenida da Liberdade, amanhã, mas não me impediram de gritar, hoje, este alerta.

      Obrigada e um beijinho

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  6. Bom e belo dia de quinta feira
    que mais 50 anos de Liberdade
    faz bem a qualquer idade. Beijinhos

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    1. Bom e belo 25 de Abril, !

      Tens razão: 50 anos de liberdade fazem bem a qualquer idade!

      Beijinhos

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