DIALOGANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XXIV
![]()
Imagem Pinterest
*
DIALOGANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XXIV
*
MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES
*
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
*
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
*
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.
*
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
*
Luís Vaz de Camões
In "Sonetos"
***
"Que não se muda já como soía"
Tudo quanto é mudado e permanece
Na extrema rapidez em que se tece
Qual fio sempre a brotar da mão que o fia
*
E tão depressa o gesto se abrevia
Que a mão exausta toda se entorpece
E faz nascer o mal de que padece
Do que antes fora o bem de que fruía...
*
O que ontem era novo, hoje é passado,
Ninguém vê nele alguma utilidade,
Fatalmente é esquecido, abandonado
*
Porque mal se fareje a novidade
Todos porão de lado o bom trocado
Plo espaventoso e fraco em qualidade.
*
Mª João Brito de Sousa
17.04.2024 - 01.20h
***
E o nosso Luis agradece
ResponderEliminardo retiro que padece
Boa e bela quarta feira
de rotinas e bom dia em harmonia MJ, beijinhos
Bom dia, !
EliminarObrigada e que tenhas também uma gloriosa quarta-feira de
Por aqui já começou a "dança do mosquito" que toda eu estou ferradinha e cheiinha de babas... Não sei o que se passa com os repelentes de mosquitos, mas a verdade é que a mosquitada não lhes liga nenhuma. Vá lá que como estou a tomar cortisona, as babas não empolam tanto, mas vêem-se bem, mesmo assim...
Beijinhos
Muito bem conseguido este seu soneto. O último terceto é brilhante.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Bom dia, L.!
EliminarEste é outro daqueles que deixei a meio por considerá-lo atroz quando estava naquela fase de cansaço extremo... que, afinal de contas, ainda continua por cá. De qualquer forma, fartei-me de abandonar e de deitar para o lixo sonetos que nem sequer estavam maus de todo. Enfim, ainda não percebi muito bem em que tipo de crítica feroz de mim mesma me tornei durante o meu último período de silêncio...
Obrigada e um abraço