TROCA O PASSO AO DESCOMPASSO

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*


TROCA O PASSO AO DESCOMPASSO
*


 


Há que trocar o passo ao desgoverno,


Dar a volta ao (con)texto que vigora,


Mudar o rumo à barca que ao inferno


Conduzirá o povo sem demora
*



Há que lembrar que Abril não é eterno,


Que é preciso cuidá-lo a toda a hora


Antes que algum conservador/moderno


Nos lance o vinte e cinco porta fora
*



Há que trocar o passo ao descompasso,


E jamais ir atrás de algum palhaço


Que nos ponha a correr... mas para trás
*



Como os ponteiros de um relógio louco


Que corra muito mas que acerte pouco


Porque de acertos jamais foi capaz.
*


 


Mª João Brito de Sousa


28.04.2024 - 14.00h
***


 

Comentários

  1. Infelizmente, há quem goste de correr atrás de foguetes.

    Bom resto de dia, Maria João!
    Um abraço.

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    1. Ó se há, Cheia!

      Obrigada e uma boa tarde também para si.

      Outro abraço

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  2. Brancas nuvens negras28 de abril de 2024 às 15:14

    Um alerta muito oportuno. Esperemos para ver o que este povo faz, constantemente a cair no engano.
    Um abraço.
    L

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    1. Viva, L.

      Eu vinha para o Notebook despida de Musa e com a intenção de prolongar um pouco mais os meus diálogos com Camões, mas veio a Musa e trocou-me as voltas todas... Nem eu compreendo muito bem como é que o meu cérebro funciona, mas a verdade é que eu com a Musa sou muito mais forte do que sem ela e como o soneto não ficou mau de todo, publiquei-o.
      Não estou a tremer de medo, mas sei que há enganos que podem vir a mostrar-se irreversíveis se os deixarmos criar raízes e vingar.

      Com os nossos corpos passa-se o mesmo: as doenças graves são tão mais fáceis de curar quanto mais depressa forem diagnosticadas e tratadas.

      Forte abraço

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  3. Temos que dar tempo ao tempo
    Só para ver o que acontece
    Deixemos se cumpra a vontade do povo
    Se não, o tal vinte e cinco esmorece...

    Se a curiosidade da Mª João ainda se mantiver, quanto aos "3 retratos a lá minuta" do Ary, pode lá voltar ao Cantinho que eu deixei-os lá para si.

    Um abraço e um

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    1. Ah, obrigada, Janita, irei até ao seu cantinho assim que puder

      Claro que sim, há que dar tempo ao tempo. Foi um dos lemas de Abril: não precipitar as coisas nem, em circunstância alguma, aplicar a lei de Talião.

      Mas a poesia aufere de liberdades que a prosa não aufere e eu tenho uma Musa que anda sempre com o coração ao pé da boca...

      Outro abraço e mais um

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  4. Estamos no País das Maravilhas! Felicitações pelo Soneto.

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    1. Boa tarde, Francisco!

      Tem toda a razão, há coisas surreais a acontecerem todos os dias...

      Obrigada e um fraterno abraço

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  5. Pego no teu soneto
    Como se fosse
    um cravo vermelho

    Abraço

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    1. Viva, Rogério!

      Leva-o contigo, se assim entenderes.

      Um grande abraço

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  6. Boa e bela semana agradável de harmonia MJ, beijinhos

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  7. Um grito de alerta ao qual me associo. Abril há-de ser eterno. Não deixaremos calar a liberdade.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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    1. Nunca deixaremos cair a Liberdade, Graça!

      Desta vez apetece-me dar-lhe um grande, grande abraço

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    2. Sinta o meu abraço mais afectuoso.

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  8. Boa tarde, Maria João
    De um poema para outro e a conversa é a mesma.
    [...]
    «Cravos vermelhos que tendes a cor,
    Que das nossas veias a conservais,
    Não sois uma qualquer nascida flor
    Sois sangue derramado em cristais.»
    [...] zé onofre

    Boa semana,
    Zé Onofre

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    1. "Sois sangue derramado em cristais"

      Dos tais que foram preparando o leito

      Dos cravos que são flo`rs como as demais

      Que trago desde Abril dentro do peito
      *

      Está triste. As conversas nunca são exactamente as mesmas e não espere que eu largue a bengala e faça qualquer coisa para além de conversar como se tocada por uma qualquer varinha mágica. Gostaria muito, mas há anos que não ando mais do que uns 50 metros sem que coração, coluna e pernas me obriguem a parar. Terei de me ficar pelas conversas e poemas o resto da minha vida.

      Boa semana

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    2. Viva
      Mesmo com as suas limitações a João vai lançando "sementes" que um dia florirão em um outro chão.
      As palavras são armas e cada um usa as que pode como pode.
      O importante é estar na luta.
      Zé Onofre

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    3. Não tenho outras armas, Zé Onofre...

      Obrigada pelo incentivo. Neste preciso momento confesso que sou eu quem se sente sombria pois acabo de tomar conhecimento da morte de um camarada que não conheci pessoalmente mas cujos artigos li durante anos a fio.

      Um abraço triste

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    4. De madrugada
      Socialismo sempre, mesmo com dores e saudades.
      Zé Onofre

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    5. Sem dúvida, Zé Onofre.

      Mas que foi uma dolorosa surpresa, foi.

      Um abraço

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