VERSOS DO DESENGANO - Reedição

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*


VERSOS DO DESENGANO
*



O Mundo não me vê. Sou invisível


Como as teimosas ervas dos caminhos


E estes meus versos frágeis, comezinhos,


Não passam de um rumor quase inaudível...
*



Não fora eu tão humana, perecível


E eterna escrava dos meus desalinhos...


Mas os astros, amor, morrem sozinhos


E nem esse teu deus é infalível!
*



O que é o Mundo, amor que um dia amei,


Senão a rocha astral em que me sei


Até que um dia deixe de saber-me
*


 


Se os infinitos sonhos que (im)plantei


Nos versos dos poemas que engendrei,


Não me tornam maior que um simples verme?
*


 



Mª João Brito de Sousa
16.04.2022 - 11.45h
***


Memorando o soneto VERSOS DE ORGULHO de Florbela Espanca


 

Comentários

  1. Excelente!

    Bom fim-de-semana, Maria João!
    Um abraço.

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  2. Brancas nuvens negras20 de abril de 2024 às 19:18

    Os poetas são o próprio engano porque... persistem na poesia.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viva, L.!

      Claro que sim, tal como os músicos persistem na música instrumental e os pintores na pintura...

      Um abraço

      Eliminar

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