NÃO HÁ FIM PARA O SONHO, NÃO HÁ FIM - Reedição

Tela de Álvaro Cunhal (1).jpg


Tela de Álvaro Cunhal


*


NÃO HÁ FIM PARA O SONHO, NÃO HÁ FIM...
*



Não há, neste planeta, mar nem céu,


Estrada longa demais, alta montanha,


Ponte suspensa sobre um medo teu


Que te trave esse sonho e, coisa estranha,
*



Um pouco desse sonho é também meu,


Um nada dessa chama em mim se entranha


E aonde chegar, chegarei eu,


Pois nisto ninguém perde. Só se ganha.
*



Não há fim para um sonho construído,


Nem haverá lugar para o vencido


Num sonho desta forma partilhado
*



Se, quando te pareça ver-lhe o fim,


Vês que mal começou dentro de mim


E que outros vão nascendo ao nosso lado.
*



Maria João Brito de Sousa


02.05.2018 – 12.54h
***


 

Comentários

  1. Uma bonita tela e um excelente soneto.

    Resto de dia tranquilo, Maria João!
    Um abraço.

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  2. Boa tarde, Maria João
    Para sempre, revolução
    " 14
    Em memória de um Homem de Abril, antes de Abril ser


    ___/06/2005


    Por ti
    Passou o tempo e a vida.
    Passou a tempestade e a bonança.
    Ficaste
    Sempre firme, de pé.
    Apesar das mágoas
    Nada te desviou do caminho
    Rumo ao futuro
    Que desde a juventude
    Soubeste.
    Talvez a morte
    Derrocada inevitável
    Te derrube.
    Mesmo essa
    Será impotente para te vencer.
    Para a utopia não há morte,
    Renasce com mais força em alguém,
    Um pouco mais além."
    Zé Onofre

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    Respostas
    1. Boa tarde, Zé Onofre!

      É lindíssimo o poema em que guarda as suas memórias de Homem de Abril, antes de Abril ser

      Curiosamente, falamos do mesmo. Escrevemos os nossos poemas em datas e estilos diferentes mas encontramo-nos em todos os versos. Mas nem sei por que digo "curiosamente" sabendo que este sonho é comum a tantos de nós...

      Um abraço

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    2. Boa tarde, Maria João
      Há marcos na Vida e na nossa História que são indeléveis, mesmo para aqueles que são indiferentes, ou lhes tenham um "Ódio de estimação".
      É um farol que ninguém poderá apagar a sua luz, que aponta o futuro, mesmo das sombras da morte.
      Zé Onofre

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    3. Eu sei, Zé Onofre

      Embora esses "ódios de estimação" pareçam estar a querer ressuscitar por toda a parte, se nos não vergaram nos tempos da outra senhora, não será agora que nos irão vergar.
      A esta luz, ninguém a apaga!

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  3. É com os olhos rasos de água, embora eu saiba bem e o diga, em abono da verdade, hoje sinto-me especialmente emotiva, que este belíssimo Soneto vem de encontro ao que sinto, de verdade! Não há fim para o Sonho, não há nem pode haver! Nem fim nem idade para continuar a sonhar.
    Seja qual for o Sonho que o nosso coração acalente, não podemos deixá-lo morrer.
    A faceta de escritor de Álvaro Cunhal eu já conhecia, agora deste seu talento para a pintura, não. Não há dúvida, Cunhal foi o político mais respeitado, coerente e leal aos seus princípios, que eu já conheci.
    Adorei, Maria João. Grata por estes momentos de tanta beleza e emoção.
    Um beijinho enorme!

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    1. Bom dia, Janita!

      Fico também comovida com as suas palavras e, para conhecer um pouco melhor a faceta de artista plástico de Álvaro Cunhal, aconselho-a a Googlar a série "Desenhos da Prisão". Eu tenho a colecção completa - cópias, claro - cá em casa mas penso que poderá visualizar mais alguns dos seus desenhos se os procurar usando o Google.
      E no fundo, no fundo, a menos que a humanidade literalmente desapareça, todos sabemos que não há fim para o sonho. Essa será sempre a nossa grande vantagem sobre a tão polémica IA se os piores pesadelos de alguns humanos vierem a concretizar-se.

      Obrigada e um grande beijinho também para si

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  4. Os sonhos não morrem. (Nem julgo que paguem IVA!)
    Parabéns pelo belo soneto. A ilustração também é excelente.

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    1. Viva, Francisco!

      Tem toda a razão: não morrem, nem pagam IVA, embora demasiados sonhos tenham já sido pagos com a vida. Continuarão, no entanto, enquanto a humanidade por cá andar.

      Quanto à ilustração, considero magníficos todos os desenhos e telas de Álvaro Cunhal.

      Um fraterno abraço

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  5. Brancas nuvens negras5 de maio de 2024 às 00:57

    O seu soneto de hoje é um apelo de esperança à nossa condição militante. O desenho do Álvaro é uma referência de peso.
    Um abraço revolucionário.
    L

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    Respostas
    1. Viva, L.

      É isso mesmo, sim! Fui buscá-lo ao ano de 2018, mas é como se tivesse nascido agora.

      Um abraço revolucionário

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  6. Não há fim para o sonho. Nunca. Porque sempre um sonho nos arrasta e mesmo cansados de sonhar, sonhamos um sonho novo. Belíssimo e inspirador, minha Amiga Maria João.
    Tudo de bom.
    Um beijo.

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    Respostas
    1. Olá, Graça!

      É bem verdade, minha amiga, o sonho arrebata-nos e arrasta-nos. Ainda que durante alguns anos tenhamos deixado de sonhar porque a vida nos empurrou noutro sentido, a maioria de nós encontra forma de escapar-se às imposições do dia a dia e volta a deixar-se arrebatar pelo sonho.

      Tudo de bom e um beijo

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