DIA DE PORTUGAL DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS
Luiz Vaz de Camões
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OLHOS FERMOSOS EM QUEM QUIS NATURA
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Olhos fermosos, em quem quis Natura
mostrar do seu poder altos sinais,
se quiserdes saber quanto possais,
vede-me a mim, que sou vossa feitura.
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Pintada em mim se vê vossa figura;
no que eu padeço retratada estais;
que, se eu passo tormentos desiguais,
muito mais pode vossa fermosura.
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De mim não quero mais que o meu desejo:
ser vosso; e só de ser vosso me arreio,
por que o vosso penhor em mim se assele.
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Não me lembro de mim, quando vos vejo,
nem do mundo; e não erro, porque creio
que, em lembrar-me de vós, cumpro com ele.
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Luís de Camões
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Eu no meu melhor ângulo, fotografada por Carlos Ricardo
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I
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Tal quis Natura por um breve instante
Que está Natura sempre em movimento
E nunca hesita em nos privar de alento
Se algum de nós se mostra algo ofegante
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Ao vate juvenil, forte e pujante
Que cria versos ao sabor do vento
E que, sorrindo, a tudo esteja atento
Dá-lhe Natura o dom de ser galante
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Porém ao que envelhece e que hesitante
Mal pode garantir o seu sustento
Rouba Natura a graça e só garante
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Que a Morte em breve finde o seu tormento
E que o guarde consigo, enfim distante
Dos mais a quem legou esforço e talento
*
II
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Nunca nos dá, Natura, um dom constante,
Que para tal não tem consentimento
E o maior esplendor não fica isento
De transformar-se em cinza fumegante
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Que o Tempo é, de Natura, eterno amante
E ao moldar-nos o corpo é violento:
Jamais vereis as rugas que ora ostento,
Nem o meu passo já cambaleante...
*
Estais muito longe e disso me contento
Porquanto não sabeis quão humilhante
Fora poder mostrar-me um só momento:
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Tão gasta estou e tão deselegante
Que implorarieis pl`o distanciamento
Desta que credes bela e fascinante.
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Mª João Brito de Sousa
10.06.2024 - 00.00h
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O soneto de Camões foi retirado do blog Sociedade Perfeita
O diálogo com Camões continua... Hoje com Foto da autora.
ResponderEliminarApreciei.
Um abraço.
L
Viva, L. :)
EliminarTalvez seja o meu último diálogo com ele, o deste 10 de Junho: pela primeira vez sou eu mesma quem se lhe dirige, tão velha e desgastada quanto na realidade estou... Nas outras conversas vesti sempre a pele das suas jovens e belas amadas. Esta é a grande e algo triste revelação, bem propícia a um cair do pano no final do último acto.
Um abraço
Este seu comentário ao meu comentário... deixou-me preocupado.
EliminarVá lá, mais um abraço.
L
Bom dia, L.
EliminarAgradeço a sua preocupação, mas embora a minha esperança de vida não seja muito longa, aqui trata-se mesmo de uma questão de cansaço.... Creio que já tenho perto de quarenta diálogos em soneto com Camões e, por muito que admire a sua genialidade poética, não tenciono andar à sombra dele durante o tempo que ainda me reste, daí que me tenha apresentado na minha própria "embalagem": velha, feia bamba e imprestável. Foi como se me despedisse dele, não como se me despedisse de vós e de mim mesma :)
Outro abraço, L.
Um magnífico poema de homenagem a Camões.
ResponderEliminarUm aplauso para o seu talento.
Nestes 500 anos do seu nascimento, também fiz a minha homenagem ao Poeta, com 2 modestos poemas.
Boa semana.
Bom dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Jaime Portela!
EliminarAgradeço a generosidade das suas palavras e assim que acabar de agradecer a todos os que hoje me visitaram, terei todo o gosto em visitar o seu blog.
Boa semana e um grato abraço
"O Meu Camões: Para Mª João"
ResponderEliminar{Soneto com estrambote em verso hendecassílabo - frescote ;) }
Imagens de infância brincam no olhar
Vida cristalina em pestanas compridas
Cristais que brilham como ouro, prata e mar
São as emoções mais-que-perfeitas, únicas.
Às manhãs passadas não vou retornar,
Nem às minhas praias mais preferidas
Aos dias em tão tranquilo despertar
Às peripécias de alegria genuína.
Não te entristeças, querida Mª João
Sem a tua luz de forte esperançar
Os idos nós sem fim são escuridão.
É maior o talento do teu coração,
Que em tua amizade nos vai resgatar,
És, daqui além-mares, pura inspiração.
És um uni-verso chamado "Criação",
Nele as crianças que fomos vão sonhar
Poesias lindas plenas de emoção.
Obrigada querida Amiga Poetisa Mª. João, abraço forte e um imenso Xi-❤️, do tamanho da minha gratidão!
Deixei ali uns versos mal ajeitados para te espevitar ;). Beijinhos querida amiga e professora, mais Xi- que nunca são demais
EliminarAi, minha pequena Cotovia que agora é que me deixaste mudinha de comoção...
EliminarBem, fui regar as plantas e limpar a caixinha W.C. da Mistral para ver se conseguia desemudecer, mas não sei se vou conseguir agradecer-te tanto quanto mereces por me ofereceres esse "O Meu Camões". Ai, não desemudeci, não senhora, continuo toda engasgada e não encontro melhor palavra do que o velho e gasto OBRIGADA!
Um GRANDE, GRANDE XI
Eu vi, eu vi, mas são muito poucos que tu já manobras muito bem o verso hendecassilábico
Eliminarsuponho que o engasgar te vá passar com os meus "pirulitos" poéticos costumeiros quando leres com mais atenção
EliminarMil beijinhos para ti e mais Xi- aos molhos (devia haber floristas de abraços, assim pedíamos para entregar em casa quando a distância não o permite fazer pessoalmente e depois quando a campainha tocasse diríamos, vem aí o abraço da João, ou, é o abraço da Maria - mas não seria a mesma coisa, suponho)
Assim, Xi- para ti querida Mª João!
EliminarPrometo que vou reler com ainda mais atenção, depois de agradecer a todas os que aqui vieram deixar-me um punhadinho de palavras amistosas...
EliminarOra que bela ideia! Deveria haver floristas de abraços, sim senhora! E já que estamos a entrar no Reino do Imaginário, também deveria haver espelhos que soubessem mentir piedosamente, porque eu fiquei sinceramente assustada e ia tendo uma coisinha má da última vez que olhei para um deles e vi um cadáver semi erguido do chão no sítio onde seria suposto estar eu E, sim, era eu mesma que nunca fui de me preocupar muito com a minha aparência, mas ainda não sabia que parecia ter 142 anos em vez de 71...
Trimmmmmmmmmmmmm, cá vai mais um xi
EliminarUma homenagem a Camões, este diálogo com ele, neste dia do 5º centenário do seu nascimento. Gostei imenso. Já tinha sentido a sua falta, minha Amiga Maria João. Que bonita cabeleira, a sua...
ResponderEliminarUm bom feriado.
Uma boa semana.
Um beijo.
Bom dia, Graça!
EliminarSim, estive a "hibernar" durante um mês - ou mais... - porque a minha colecção de mazelas aumentou, a medicação também, e eu não conseguia ler nem escrever coisa que jeito tivesse. Foi preciso chegar ao penúltimo dia da campanha eleitoral para eu arranjar coragem e desatar a escrever décimas no meu blog de poemas em redondilha maior, aqui
https://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt/maria-sem-camisa-2024-206070
Quanto à minha cabeleira, em grande parte mérito do grande fotógrafo que é o Carlos Ricardo, creio que neste momento é a única parte de mim para a qual posso olhar sem me sentir um tanto assustada: é que pareço ter envelhecido dez ou vinte anos nestes últimos meses. E olhe que não estou a exagerar nem um bocadinho.
Um bom Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Graça!
Um beijo
E de repente, me ocorre um pensamento
ResponderEliminarda impossibilidade de um momento
por mim, visionário
Camões terá escrito isto
ao ver teu real retrato
Teu vivo olhar
esconde bem teu estado
Até breve
Obrigada, meu querido neto... perdão, camarada Rogério, mas a verdade é que Camões era um esteta e se me visse como estou agora, fugiria apavorado, ou desmaiaria, na melhor das hipóteses.
EliminarAssim me despeço dele no quingentésimo aniversário da sua morte, revelando-me sem me revelar...
Até já e um forte abraço desta sonetista que mais parece ser uma tua avó
Lindo, lindo, lindo
ResponderEliminarBeijinhos
Feliz Dia
Obrigada e um feliz Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Luísa!
EliminarBeijinhos
Como gostava de lhe agradecer o brilhantismo, que tem dado a esta singela homenagem a Camões, mas não sendo capaz de lhe dedicar um soneto, agradeço as maravilhas, que tem publicado, Muito Obrigado, Maria João!
ResponderEliminarBom dia de Portugal, de Camões e das Comunidades,
Um abraço.
Viva, Cheia!
EliminarSou eu quem lhe agradece pois se não tivesse publicado tantos e tantos magníficos sonetos de Camões, muito provavelmente nunca me teria ocorrido ter tantos e tão prolongados diálogos com o nosso poeta maior.
Para si também desejo um feliz Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas!
O meu grato abraço