PEQUENAS FONTES/GRANDES CATARATAS

TRÊS MULHERES NA FONTE - Picasso.jpeg


"Três Mulheres na Fonte" - Tela de Pablo Picasso


***


PEQUENAS FONTES/GRANDES CATARATAS
*



Pequenas fontes, rápidos, cascatas...


Assim a água emula a Poesia


Que às vezes se despenha em cataratas


Quando a Musa se exalta ou se extasia
*



E inunda as planuras, pastos, matas


Que nascerem da tua fantasia


Até que, enfim, naufragas e resgatas


Parcos salvados na maré vazia...
*



Qual é que à outra emula é o mistério


Que não desvendarás porque, em verdade,


Não é esse o teu grande desidério:
*



Esse virá na onda que te invade


Mal se desdobre em espuma o verso etéreo


Que te arrebata e leva à saciedade.
***


 


Mª João Brito de Sousa


07.09.2024 -21.05h
***


 


 


 


 

Comentários

  1. Boa noite, Maria João
    Escrevo não para comentar o seu poema porque a emoção de a ver "reaparecida é tão grande que me bloqueou o pensamento.
    Já tinha saudades de a ver por aqui retratada nos seus textos.
    Que a sua renovada vinda se prolongue sem interrupções, talvez sinal de momentos menos sofridos.
    Bom fim de semana lhe deseja com um abraço o amigo virtual
    Zé Onofre

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    1. Boa noite, Zé Onofre :)

      Suponho que possa ter pensado que, desta vez, eu tivesse perdido a batalha contra a senhora da gadanha, rsrsrsrs...

      Ainda por aqui ando, mas o que penso ter perdido foi o braço de ferro que ando a fazer há mais de um ano com o raio da medicação da Reumatologia. É que eu tomo uma parafernália de medicamentos para o coração remendado e outras mazelas que há muito tenho de aturar, mas só quando me receitaram a Gabapentina e o Flexiban - a primeira, sobretudo - é que senti que aquilo me estava a matar a Musa, que é o mesmo que dizer que me estava a roubar a criatividade.
      A verdade é que algumas das dores ósseas desapareceram, mas a que preço, caramba!

      Sei que não posso parar a medicação sem um desmame acompanhado pela reumatologista, mas vontade não me falta, embora a ideia de ter mais dores não me atraia nadinha...
      Hoje fiz um enorme esforço para escrever e não sei se amanhã serei capaz de fazer o mesmo. Lamento, mas quando me sinto intelectualmente lenta e diminuída prefiro nem sequer aparecer ainda que sinta uma picadinha do aguilhão do remorso a lembrar-me que estou a ser uma péssima companheira de blog para além de uma estúpida cidadã demissionária...
      Espero que tenha um fim de semana muito melhor do que o meu e deixo-lhe um abraço apertado e muito sinceramente grato pelo seu entusiasmo ao ler-me.

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  2. Minha Amiga Maria João, tenho andado preocupada consigo. Foi a sua saúde outra vez? Ainda bem que voltou e que a água seja tão purificadora que lhe dê a saúde que precisa.
    Um bom mês de setembro.
    Um beijo.

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    1. Ah, Graça... sim, foi e é outra vez a minha periclitante saúde bem como o efeito de alguns dos medicamentos que me receitam para aliviar as dores e que me roubam a criatividade. Ou a Musa, conforme, há meses, me atrevi a confessar à minha reumatologista... Não há dúvida de que tenho tido menos dores mas estou a pagar um alto preço por este aliviozinho das dores físicas.
      Houve também uma infecção grave provocada por uma daquelas famigeradas super bactérias, mas essa está vencida depois de mês e meio a antibióticos em doses cavalares. Canto vitória, mas a partir dessa batalha passo mais de 3/4 dos meus dias deitada na cama e tão distante da leitura quanto da escrita que percepciono como tarefas demasiado duras para o pouco que sobrou de mim.
      Enfim, sempre esperei morrer a escrever e, pelo que vejo, vou morrer sem o consolo da poesia.
      Às vezes, só às vezes e muito raramente é que os poemas não morrem.

      Muito obrigada e que tenha, também, um muito feliz mês de Setembro.

      Um beijo

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  3. Seja bem-vinda, Maria João. A sua presença é uma estrela a iluminar este nosso conversar. Desejo que a sua saúde permita, que nos continue a brindar com o seu talento, publicando sonetos, que fazem vibrar o vento.
    Um abraço.

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    1. Obrigada pela sua amabilidade, Cheia!

      Não sei como estarei no dia de amanhã, mas hoje ainda consegui vir até aos blogs e até tenho um poemazito em redondilha maior que penso vir a publicar no Montanhas.

      Outro abraço

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  4. Minha querida amiga Maria João.
    Não é por acaso este nosso "encontro". Não foi por acaso que hoje excepcionalmente, pois ando muito afastada dos blogues de quem tanto estimo, fui ao blogue do amigo Rogério. Não é por caso que ambas lutamos, desanimamos e de novo nos reerguermos, porque o nosso corpo não nos ajuda mas o espírito e a poesia não morre.

    Enorme abraço, as melhoras minha amiga, temos que "cavalgar" uma vez mais essa onda.

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    1. Ah, Blue Bird, que bom é revê-la por aqui neste dia em que ainda vos consigo "falar" embora cada palavra escrita pareça pesar uma tonelada e eu duvide muitíssimo da harmonia e até do sentido do que vos vou tentando dizer por escrito.
      É do fundo do coração que também lhe desejo as melhoras, minha amiga!
      Eu não consigo prometer nada mas, como vê, continuo a tentar...

      Um grande, grande abraço

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  5. Não tenho dúvidas de que é a Musa que precisa de si. Que seria dela sem alguém que lhe desse voz?
    Saúdo o seu regresso.
    Um abraço
    L

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    1. Brancas nuvens negras8 de setembro de 2024 às 19:16

      Este é o que vem a seguir.

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    2. Boa noite, L. Sim, já compreendi e sorri porque já nem me recordava de ter ido às definições trocar a palavra "Anónimo" pela expressão "Comentador Tímido".

      Creio que o meu espírito de criança brincalhona ainda por cá vai fazendo das suas...

      Eliminar
  6. Brancas nuvens negras8 de setembro de 2024 às 19:15

    Não tenho dúvidas de que é a Musa que precisa de si. Que seria dela sem alguém que lhe desse voz?
    Saúdo o seu regresso.
    Um abraço
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. No fundo, no fundo, não existe Musa nenhuma: a minha não passa de um estado de espírito muito meu e muitíssimo próximo da paixão.

      Adoro personificar a minha Musa, mas sei bem que ela não passa de uma parte de mim. A melhor parte de mim, segundo creio, porque o restante está tão escavacado que já pouco ou nada consegue produzir.

      Obrigada e um abraço, L.



















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  7. A Musa não é mais do que uma figura de retórica que representa a Inspiração, assim mesmo com I maiúsculo. Não se sabe como, uma pessoa põe-se a pensar e, de repente, abrem-se umas comportas que lhe provocam uma inundação de pensamentos e de ideias, vinda aparentemente do nada...

    Realmente, o cérebro humano tem um funcionamento que estamos ainda muito longe de compreender, e ainda mais longe estamos de reproduzir sob a forma de "inteligência artificial". A "inteligência artificial" parece que tem inspiração, parece que tem intuição, parece que tem criatividade, mas não tem. Tem simulacros, que nos surgem tão bem feitos, que nos convencemos de que eles são a Inspiração propriamente dita. Não são. A "inteligência artificial" apenas mastiga, baralha e torna a dar a Inspiração que os humanos já tiveram antes.

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