SONETO -1

Telaa de Luís Rodrigues - Novembro 2024 acrílico e folha de Ouro (1).jpg


Tela de Luís Rodrigues


*


SONETO -1
*


 


Não sei se terei forças pró fazer,


Mas tentarei partir como quem planta


Um cravo por abrir na terra santa


Onde, ao desabrochar, passou a ser
*



Não sei se terei voz para o dizer


Mas tentarei escrever como quem canta


Com risos ou revoltas na garganta


Aquilo que sentir e que souber
*



Que assim caminham vidas e mais vidas


Até, já desgastadas, se apagarem


E pela terra serem consumidas
*


 


Mas se eu chorar plos vivos que ficarem


À mercê de tiranos genocidas,


Que o saiba quem me ouvir: é pra que os parem!
*


 


Mª João Brito de Sousa


20.11.2024 - 20.30h
***


 


 


Sonetos da Contagem Decrescente


 

Comentários

  1. Força, Maria João.

    Boa noite.
    Um abraço

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    1. Obrigada, Cheia!

      Hoje foi um dia muito cansativo para mim, mas parece que a Musa já me sorriu um pouco.

      Boa noite e outro abraço!

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  2. Também sou dos que venera os cravos... como símbolo.
    Talvez tenha sido esse o erro, eles estão aí de novo activos e vão comemorar.
    Um abraço.
    L

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    1. Serão apenas imitações de plástico os cravos que eles empunharão! Mas se não fossem os cravos, outra coisa qualquer encontrariam para reivindicarem como seu e se fazerem passar por heroicos democratas. Erro nosso seria, isso sim, subestimar o cinismo e o poder dos que minaram o verdadeiro Abril, L.

      Um abraço

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  3. Bela quinta feira em harmonia, bom e belo dia
    e que tudo vá bem MJ, beijinhos.

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    1. Boa tarde,

      Em termos de saúde, tudo vai de mal a pior, mas ainda se arranja um sorriso para receber velhos amigos.

      Obrigada e beijinhos

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  4. Quem a julgar definhando, que se desengane, a Mª João está aqui para lavar e durar, dourando a alma de quem a lê.
    Gostei muito, muito, do Soneto.
    Belas as suas palavras, Poeta!
    Beijinhos.

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    Respostas
    1. Boa tarde, Janita.

      Fisicamente, embora muito inchadinha por causa da cortisona, as coisas estão mesmo muito más... mas, pronto, ainda estou viva apesar de hoje ter a piorado um bocadinho. Mas isso é muito bom, porque eu quero é viver e escrever até não poder mais. Vou esticar ao máximo o fio da vida, que é o que tenho andado a fazer nas últimas décadas e não me tenho saído nada mal, ou já por cá não estaria há muito tempo.

      Muito obrigada por me fazer saber que lhe dourei a alma

      Beijinhos

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    2. Excelente: excelentíssimo!
      De "contagem decrescente" ? Qual o significado?
      Votos de muita saúde e continuação de excelência poética.
      Paz!

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    3. Esta Contagem Decrescente é apenas o título de uma nova série, como o foi a série Sonetos da Matrix ou a dos Sonetos do Mar... Mas estou mesmo em muito mau estado físico, creio que foi por isso que a mão me fugiu para as teclas que aqui deixaram o título desta nova série...

      Obrigada, Francisco!

      Saúde e Paz!

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