SONETO -3

Swparaçao Edvard Munch.jpg


"SEPARAÇÃO", Edvard Munch


*


SONETO - 3
*



Se te propões vestir a cota em malha


E se a espada poliste, precavido,


Dá atenção ao escudo: se esquecido


Não te irá proteger desta batalha...
*



Os pontos (IR)radiantes da metralha


Matar-te-ão muito antes que o ouvido


Os tenha detectado e deles fugido


E um míssel, meu amigo, nunca falha!
*



Se a hora finalmente se aproxima


E tudo o que te resta é a paixão


Ou o rancor por quem os teus dizima
*



Sobe à garupa do teu alazão


E uiva ou ruge a raiva que te mina


Pra que não morras sem dizer-lhe - Não!
*


 


28.11.2024


Mª João Brito de Sousa
***



Sonetos da Contagem Decrescente
***

Comentários

  1. Todas as guerras provocam dramáticas separações.
    Um abraço, Maria João.

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    1. E sobre esta, Cheia, todos sabemos que pode ser a última da civilização conforme a concebemos, como Albert Einstein inteligentemente previu ao responder, ao ser inquirido sobre como seria uma terceira guerra mundial, que não fazia ideia de como seria, mas que estava sobejamente seguro de que a quarta seria à pedrada.

      Um abraço
      .

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    2. Pode ser que tenham juízo e não carreguem no botão.
      Boa noite, Maria João.

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    3. O velho e assustador botezinho vermelho da guerra fria....

      Agora deve haver qualquer coisa ainda mais sofisticada, mas não faço ideia do que seja. Talvez um sensor da retina...

      Amanhã vou mais uma vez para o centro de saúde...

      Boa noite e outro abraço, Cheia

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  2. Olá querida Mª João.
    Fortíssimo este teu soneto.
    Como seria fundamental dizer Não!
    Quantas guerras se evitariam com um Não, seguido de muitos outros nãos.
    Mas aí dizer sim de uns quantos, poderosos senhores, que num instante decidem por todos nós, começam e acabam guerras ao ritmo que tom que entendem. Triste verdade esta dos destinos da humanidade.
    Uma noite o melhor possível para ti, querida Mª. João. Um Xi-❤️

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    1. Olá, minha querida Cotovia!

      Quando somos empurrados ou vemos o mundo inteiro a oscilar à beira do abismo, como seria bom podermos todos responder com um rotundo - NÃO!
      Mas vou ter de voltar à minha humilde pessoa que de novo se prepara para ir para o centro de saúde... E na terça-feira também lá estarei porque o meu INR anda desequilibradito desde a última cirurgia dentária... que também não é exactamente a última porque ainda falta extraírem-me aquela maldita raiz do sizo superior direito que não é propriamente um míssil mas é suficientemente assustadora para me manter de pé atrás embora sem cota de malha, nem espada, nem escudo. E, quanto a isto, não posso nem sequer dizer NÃO

      Um grande xi

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  3. Um soneto heróico, de muita imaginação.
    Um abraço.
    L

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    1. Obrigada, L.

      Estou de novo a preparar-me para uma consulta, mas tentarei passar pelas nuvens antes de sair.

      Abraço

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  4. Oi amiga
    Voltando aos costumes , já feliz de tê-la entre nós.
    E que lindo o soneto, Maria "E uiva ou ruge a raiva que te mina
    Pra que não morras sem dizer-lhe - Não! " como é necessário e difícil,muitas vezes!
    Quero-te muito bem amiga e que tudo lhe seja leve .Estive numa daquelas viagens para encontrar com a familia que mora fora do Brasil, é sempre renovador sair do cotidiano e apreciar outras paisagens, dessa vez fui aos Estados Unidos, mas gosto mesmo é da Europa... foi bom estar com o filho e netos. Um abraço, Maria _bons dias querida.

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    1. Oi, Lis

      Que bom teres andado a matar saudades dos teus!
      Eu continuo a saltitar de casa para o hospital ou para o centro de saúde, que é para onde tenho andado a saltitar toda esta semana e hoje também, que estou a preparar-me para sair e, mais lenta do que uma lesma coxa, levo horas só para a higiene pessoal básica...

      Um grande abraço, amiga

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  5. Bom dia, bom e belo dia, que cheira a fim de Semana. Beijinhos

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    1. Ai, , mais um dia a correr para o centro de saúde, rsrsrsrs

      Estou outra vez a tentar despachar-me sem despachar coisa nenhuma, mas desejo-te um excelente fim-de-semana

      Beijinhos

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  6. Sempre imaginativos, chamativos e oportunos, todos os sonetos, poemas e poemetos, que saem da sua mente prodigiosa, Maria João.
    Parabéns, do fundo do coração.

    Um forte abraço!

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    1. Muito obrigada, Janita!

      Prodigiosa, prodigiosa, não será, mas sabe-me muito bem ouvi-la/lê-la depois de o meu "neto" Rogério ter passado a tarde inteira a entrar comigo e a chamar-me velha avó tonta ;)
      Espera-me, além das mil e uma consultas do costume, uma verdadeira odisseia por postos de atendimento público e hospitais. O neto assentou os passos todos numa folha A4 que ficou cheia de instruções de cima abaixo.
      Espero viver o suficiente para conseguir vir a gozar do direito a recuperar uma parte da fortuna que gasto em medicação não comparticipada.
      Não imagina a figura que fiz no Oeiras Parque ao entrar no Gabinete do Cidadão pendurada num carrinho do Continente, com o Rogério, muito sério, a apresentar-me como sua avó, rsrsrsrs
      Agora estou literalmente de gatas, porque mesmo pendurada no carrinho de compras ainda devo ter andado uns bons 500 metros.


      Um abraço do fundo do coração

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    2. O Rogério se não existisse teria de ser inventado.
      Onde já se viu, chamar avó a uma pessoa mais jovem dez anos? Sabemos que o diz com carinho, e só por isso lhe perdoo.
      Beijinhos, Mª João.

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    3. Não são bem dez anos, são mais ou menos oito e meio... Mas ele afeiçoou-se a este tratamento e eu também nunca hesito em chamar-lhe neto
      Claro que o diz com carinho e com uma graça muito dele que, às vezes, me faz rir até às lágrimas
      Está mais do que perdoado!

      Beijinhos, Janita!

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  7. Extraordinária riqueza poética. Sempre em "crescendo"!

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    1. Muito obrigada, Francisco.

      Hoje foi um dia verdadeiramente esgotante. E ainda estou no começo da tremenda odisseia que poderá resultar na poupança de alguns euros em medicação não comparticipada pelo Estado.

      Saúde e Paz

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  8. Maria João

    um soneto forte..
    o soneto reflete a luta entre a preparação racional e o ímpeto emocional diante de adversidades. Por meio de imagens de guerra, alerta para a importância da estratégia ("atenção ao escudo"), enquanto exalta o orgulho e a resistência no grito final de "Não!". É um poema que combina força e vulnerabilidade, celebrando a coragem de quem enfrenta batalhas, mesmo sabendo que podem ser as últimas.
    Gostei.
    Bom fim de semana.
    Um beijo!
    :)

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    1. Céus, Piedade, lê as minhas metáforas como quem lê um livro aberto!

      Mais uma vez lhe agradeço do fundo do coração. Sim, sem dúvida um poema que tenta combinar "força e vulnerabilidade".

      Outro beijo

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